Mestre em Ciências da Saúde, UnB; Auditor ISO 14.000; Auditor CONAMA 306; Pesquisador Saúde Pública

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Desde muito cedo despertei o interesse para entender o sentido de “Gigante pela própria natureza” inscrito em nosso belo Hino Nacional Brasileiro. No meu pequeno mundo isso tinha formato de um sonho. Sempre acreditei que o trabalho produziria um Futuro que espelha essa grandeza. Entretanto, não poderíamos esperar “Deitado eternamente em berço esplendido”. Então, me debrucei sobre os livros e outros informes. A história da expansão territorial do Brasil ainda tem sido pouco pesquisada por nossa historiografia, apesar da importância estratégica e atual que reveste a questão. O potencial dos seis Biomas do Brasil nos credencia a produzir alimento para parte significativa dos 195 países do globo. Certo que temos problemas maiúsculos na seara da saúde de nosso povo, saúde primária, saúde regionais, saúde provenientes de epidemias e pandemia novo coronavírus. Nada que planejamentos estratégicos, planos de governo e planos de estado, com boa vontade e união de governantes não possam resolver.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Família em lata de conserva – Deus, Pátria, FAMÍLIA, Liberdade

 Carnaval – festa de momo

Que o Brasil é um país voltado para festas, ninguém nega. Tudo é motivo para comemoração, todo brasileiro sabe. Que, provavelmente, é o país que tem o maior número de feriados, os empreendedores/empresários não sabem mais a quem reclamar.

Mas, politizar qualquer evento, aí já foge do controle do bom senso. Agora foi a vez do carnaval servir de base de discussão político-ideológica. Foi ou não propaganda eleitoral antecipada? Os recursos oriundos de nossos tributos foram usados para financiar enredo de escola de samba?

Carnaval na Linha do Tempo - Origem

O Carnaval não surgiu em uma data única, mas evoluiu de festivais da Antiguidade que celebravam a fertilidade e a inversão de papéis sociais. 

  • Antiguidade (Há milênios): Raízes em festas da Babilônia, Mesopotâmia e Egito Antigo (cerca de 4.000 a.C. a 10.000 a.C.), muitas vezes ligadas à passagem das estações ou colheitas.
  • Grécia e Roma Antiga (Séc. VII a.C. - IV d.C.): Festivais como as Saturnais e Lupercais (em honra a Saturno e Pan) e as Dionisíacas (deus do vinho) estabeleceram o uso de máscaras e a quebra de hierarquias.
  • Idade Média (Séc. VI d.C. em diante): A Igreja Católica incorporou essas festas pagãs ao calendário cristão. O termo "carnaval" (do latim carne vale, "adeus à carne") surgiu por volta do século X ao XII, marcando a despedida dos prazeres antes da Quaresma.
  • No Brasil (Séc. XVII): Trazido pelos colonizadores portugueses como Entrudo, uma brincadeira de rua onde se jogava água e farinha.
  • Brasil Moderno (Séc. XIX e XX):
    • 1867: Fundação do Zé Pereira dos Lacaios em Ouro Preto, o bloco mais antigo em atividade.
    • 1928: Surgimento da primeira escola de samba, a Deixa Falar, no Rio de Janeiro. 

Festa de momo - representa uma celebração de ruptura com a rotina, marcada pela inversão temporária de regras sociais, liberdade, alegria, hedonismo e expressão cultural. Etimologicamente ligado ao "adeus à carne" (carnis levale), historicamente simboliza o último período de excessos antes da Quaresma cristã.

A combinação de grandes aglomerações, consumo excessivo de álcool e a sensação de "vale-tudo" gera comportamentos que violam direitos e a segurança alheia.

Como se dá a escolha da motivação para os enredos das escolas de samba

A escolha da motivação para os enredos das escolas de samba é um processo estratégico, artístico e, muitas vezes, comunitário, que geralmente começa logo após o término do carnaval anterior. Essa definição envolve uma mistura de paixão, pesquisa histórica, relevância social e potencial de espetáculo na Avenida. 

Aqui estão os principais pilares e etapas de como a motivação dos enredos é escolhida:

1. Quem Decide?

  • Carnavalesco: É a figura central. O carnavalesco idealiza a concepção do desfile, fantasias, alegorias e propõe o tema.
  • Diretoria e Pesquisadores: A cúpula da escola (presidente, comissão de carnaval, enredistas) avalia as propostas.
  • A Comunidade: Em muitos casos, a escola busca temas que exaltem sua própria comunidade, sua história ou figuras importantes da escola. 

2. As Motivações Principais (O "Porquê")

  • Relevância Social/Histórica: Temas sobre racismo, ancestralidade afro-brasileira, lutas de resistência, figuras marginalizadas ou defesa da Amazônia são muito comuns e fortes.
  • Exaltação Cultural: Homenagens a artistas, personalidades da música, literatura, ou celebração de regiões brasileiras.
  • Temas Biográficos: Focar na vida de um ícone (ex: Ney Matogrosso, Rosa Magalhães, líderes comunitários) para gerar identificação.
  • Sugestões da Comunidade: Ideias podem surgir de membros da bateria, compositores ou da própria comunidade da escola, sendo levadas ao presidente para aprovação. 

3. O Processo de Escolha

  • Planejamento Pós-Carnaval: Assim que o carnaval acaba, a equipe de criação começa a pensar no próximo.
  • A Sinopse: O carnavalesco cria um texto base (sinopse) explicando a história. Esta sinopse é "lançada" aos compositores da escola, que criarão os sambas-enredo baseados nesse texto.
  • Concurso de Samba: A melhor proposta de samba, que melhor traduzir a motivação do enredo, vence.
  • Atualização e Relevância: A escolha tende a refletir o contexto do país e o "momento" da escola, visando impacto visual e musical. 

4. O Enredo de 2026

Para o carnaval de 2026, as escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro demonstram uma forte tendência a enredos biográficos e de personagens históricos marginalizados, com foco na cultura afro-brasileira e figuras de resistência, buscando reafirmar seu papel no debate público. 

Detalhes do Enredo

A agremiação, que ascendeu à elite após vencer a Série Ouro em 2025, utilizou seu desfile para narrar a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os principais pontos abordados foram:

  • Origens: A história de superação desde o nascimento no Nordeste até a vida como operário. Trajetória Política: O surgimento como liderança sindical e a ascensão à presidência da República. Simbologia: O "Mulungu", árvore mencionada no título, serviu como metáfora para as raízes e a resistência do homenageado.

Contexto do Desfile

  • Repercussão: O tema gerou debates intensos e tentativas judiciais de impedir a exibição, devido ao caráter político em ano eleitoral, mas o desfile ocorreu conforme o planejado.
  • Elementos Marcantes: O desfile contou com representações críticas a figuras políticas opositoras e celebrações à história do Partido dos Trabalhadores (PT).

Elementos Reprováveis (Críticas e Polêmicas)

  • Politicagem e Propaganda: Críticos e políticos da oposição classificaram o enredo como uma forma de "propaganda eleitoral" ou “campanha política disfarçada de homenagem”, questionando a isenção no uso do espaço público do carnaval.
  • Riscos de Financiamento: O Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou a suspensão de um repasse federal de R$ 1 milhão, via Embratur, à escola, levantando questões sobre o financiamento público de um enredo com viés político partidário.
  • Divisão e Reação Política: O tema gerou reações negativas imediatas de setores da oposição, gerando um ambiente de polarização em torno do desfile.
  • Percepção de "Enredo Pobre": Parte da crítica especializada considerou a temática tosca e mal construída, focando mais na pessoa política do que na riqueza cultural ou narrativa. 

Enredo da acadêmicos de Niterói, crítica à família tradicional brasileira, aos conservadores, aos cristãos

Causou intensa controvérsia por suas sátiras sociais direcionadas a setores conservadores. As principais críticas e representações no desfile foram:

  • Ala "Neoconservadores em Conserva": A escola apresentou componentes fantasiados como latas de alimento com o rótulo "família", dentro das quais estavam representadas figuras associadas à família tradicional brasileira (composta por pai, mãe e filhos), evangélicos (com Bíblias na mão), ruralistas e defensores do regime militar.
  • Crítica ao Conservadorismo: A alegoria foi interpretada como uma sátira ao "imobilismo" ou à visão retrógrada desses grupos, simbolizando que estariam "parados no tempo" ou "em conserva".
  • Reação de Grupos Cristãos e Políticos: Lideranças da Frente Parlamenta Evangélica e políticos como o governador Romeu Zema classificaram a ala como "preconceito religioso" e "deboche" à fé cristã, com promessas de acionar a justiça.
  • Foco do Enredo: Embora a polêmica tenha dominado as redes, o enredo principal focou na trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, desde suas origens no Nordeste até seu terceiro mandato como presidente.

Detalhes do Episódio:

  • A Proposta Artística: Segundo a escola, a ala foi uma sátira social ao conservadorismo e ao que chamaram de "falsos valores".
  • Reações e Críticas: A alegoria foi duramente criticada por líderes evangélicos e políticos de direita, que classificaram o ato como desrespeito à fé cristã e intolerância religiosa.

O episódio reacendeu discussões intensas nas redes sociais sobre os limites da liberdade de expressão artística no Carnaval e a polarização política no Brasil.

https://www.gazetadopovo.com.br/republica/familias-em-conserva-direita-provocacao-desfile/

Principais pontos da reação:

1. Mobilização nas Redes Sociais ("Trend")

Parlamentares e influenciadores de direita lançaram uma "trend" (tendência) utilizando a imagem da "família em conserva" para ressignificar o deboche feito na Sapucaí. 

  • Mensagem central: As postagens enfatizam que a família tradicional não está "presa" ou "ultrapassada", mas sim baseada em princípios, valores e heranças que resistem ao tempo.
  • Bordões: Frases como "Família é propósito" e "Deus, Pátria e Família" foram amplamente compartilhadas para contrapor a sátira. 

2. Reações de Lideranças Políticas e Religiosas

  • Michelle Bolsonaro: A ex-primeira-dama criticou duramente o desfile, afirmando que a ala foi um desrespeito aos evangélicos e aos grupos conservadores do país.
  • Romeu Zema: O governador de Minas Gerais anunciou que entraria com uma ação na Justiça contra o que considerou uma ofensa à família tradicional.
  • Bancada Evangélica: Políticos como Rogério Marinho (PL-RN) e Sóstenes Cavalcante (PL) expressaram revolta, classificando a representação como um ataque direto à fé e aos valores de milhões de brasileiros. 

3. Argumentos e Medidas Jurídicas

  • Questionamento de Recursos: Houve críticas ao uso de recursos públicos (estimados em R$ 5 milhões) para um desfile com teor político e sátiras a grupos específicos.
  • Ação na PGR e TSE: A oposição acionou órgãos como a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para investigar possíveis irregularidades e propaganda eleitoral antecipada no enredo que homenageou o presidente Lula. 

A ala em questão utilizava o número 22 (número do Partido Liberal) e fantasias em formato de lata que continham ilustrações de pais, mães, filhos, militares e evangélicos, simbolizando o que a escola descreveu como grupos que atuam em forte oposição às pautas do governo atual.

As principais reações incluíram:

  • Acusações de Intolerância Religiosa: Líderes religiosos e políticos classificaram a alegoria como um ataque direto à fé cristã, afirmando que o desfile ultrapassou os limites da sátira e do deboche, o que foi interpretado como uma ridicularização da fé evangélica e cristã. 
  • Ações Judiciais: Membros da oposição e partidos políticos, como o Novo, anunciaram intenções de acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) e medidas judiciais por desrespeito religioso e conteúdo político.
  • Críticas ao Enredo: Como o desfile homenageava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a representação de evangélicos como "enlatados" foi vista por muitos cristãos como uma tentativa de rotular o segmento como retrógrado ou ignorante.
  • Mobilização em Redes Sociais: Diversos perfis cristãos, chamaram o episódio de "escárnio" e "crime em TV aberta", argumentando que grupos religiosos merecem respeito e dignidade. O episódio reacendeu o debate histórico sobre os limites da liberdade de expressão artística no Carnaval quando esta envolve símbolos e dogmas religiosos.

Uma visão bíblica do escarnio da escola de samba que rotulou cristãos em lata de conserva

A representação de cristãos/evangélicos em "latas de conserva" durante o desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026 (ala "Neoconservadores em Conserva") gerou forte reação e foi interpretada por muitos como um ato de escárnio e deboche à fé cristã. A visão bíblica sobre esse tipo de zombaria centra-se na advertência sobre o desprezo aos valores divinos e na perseguição aos fiéis. 

  • A Zombaria contra Deus e seus mensageiros: A Bíblia adverte que zombar dos valores de Deus é grave. Em 2 Crônicas 36:16, relata-se que o deboche aos mensageiros de Deus e a mofa dos seus profetas trouxeram juízo, pois "já não houve remédio".
  • O Escárnio nos últimos dias: As Escrituras preveem que nos últimos dias viriam escarnecedores, guiados por suas próprias paixões, zombando da fé e da promessa de Deus (2 Pedro 3:3-7).
  • A Colheita da Zombaria: Provérbios 19:29 declara: "O castigo está preparado para os zombadores, e as costas dos tolos, para os açoites".
  • Consequência de Zombar da Fé: O ato de reduzir a fé cristã a estereótipos ou deboche é visto na perspectiva bíblica como uma afronta que, embora culturalmente permitida, está sujeita ao juízo divino (Romanos 14:11-12). 

Reações Cristãs e Análise:

  • Deboche, não crítica: A ala foi descrita não como uma crítica construtiva, mas como "deboche" e "sátira" ao conservadorismo, incluindo cristãos como alvos caricatos, retratando-os com uma Bíblia na mão dentro da lata, simbolizando uma suposta ignorância.
  • Fé em Conserva vs. Vida no Espírito: Cristãos reagiram argumentando que, se a intenção foi sugerir que os valores bíblicos estão "conservados" ou presos, a resposta cristã é de orgulho por defender tais valores (fidelidade, família) em contrapartida à inversão de valores.
  • Contexto de Intolerância: A representação foi vista por lideranças religiosas como uma forma de intolerância, apontando que se religiões de matriz africana ou o islamismo fossem caricaturados da mesma maneira, a reação seria imediata. 

A atitude recomendada na Bíblia:

Diante da zombaria, a Bíblia não incentiva o contra-ataque ou o ódio, mas sim:

  • Abençoar: "Abençoai os que vos perseguem; abençoai, e não amaldiçoeis" (Romanos 12:14).
  • Firmeza: Manter a fé inabalável, entendendo que a perseguição (e o deboche) pode ocorrer por causa de Cristo (Mateus 5:10-12). 

Concluindo: todo e qualquer estadista que se preze agrega seus governados, não estimula o divisionismo. Esse estadista tem a perfeita consciência que uma nação é constituída por um grupo de pessoas com identidade coletiva forte, unidas por história, língua, cultura, etnia ou religião, criando um senso de pertencimento comum. Na rara oportunidade de mostrar capacidade de agregar deixa-se mostrar o espírito rancoroso do “eles contra nós”? Não é de bom tom.

Por Edson Silva, 17 de fevereiro de 2026

Fontes: Visão geral criada por IA

2 comentários:

  1. Caro amigo Edson, como sempre, nos presenteando com seus textos tempestivos, sóbrios e CONSERVAdores. Obrigada!

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  2. Talvez seja uma forma de estimular os amigos(as), como você, a dividir seus largos conhecimentos acumulados no decorrer de sua vida profissional. Obrigado pelo incentivo, Eni.

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