Mestre em Ciências da Saúde, UnB; Auditor ISO 14.000; Auditor CONAMA 306; Pesquisador Saúde Pública

Minha foto
Desde muito cedo despertei o interesse para entender o sentido de “Gigante pela própria natureza” inscrito em nosso belo Hino Nacional Brasileiro. No meu pequeno mundo isso tinha formato de um sonho. Sempre acreditei que o trabalho produziria um Futuro que espelha essa grandeza. Entretanto, não poderíamos esperar “Deitado eternamente em berço esplendido”. Então, me debrucei sobre os livros e outros informes. A história da expansão territorial do Brasil ainda tem sido pouco pesquisada por nossa historiografia, apesar da importância estratégica e atual que reveste a questão. O potencial dos seis Biomas do Brasil nos credencia a produzir alimento para parte significativa dos 195 países do globo. Certo que temos problemas maiúsculos na seara da saúde de nosso povo, saúde primária, saúde regionais, saúde provenientes de epidemias e pandemia novo coronavírus. Nada que planejamentos estratégicos, planos de governo e planos de estado, com boa vontade e união de governantes não possam resolver.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

O que é essa tal de “terras raras”

Tabuleiro da corrida global por terras raras

O mundo disputa o refino e o mapeamento de terras raras, o Brasil discute a inelegibilidade de um presidente homenageado no carnaval, as falcatruas do banco Master, os excessos de um dos Poderes Constituídos. A falta de brasilidade “do Sistema” deprime todo um povo, “enlata” toda uma Nação.

Enquanto isso fora de nossas fronteiras a tecnologia avança, a ciência se reinventa, o empreendedorismo reinterpreta o seu papel. Conhecer riquezas verde e amarelas, o nosso desafio. Em outro texto iremos apresentar os potenciais reservas das terras raras no Brasil.

Contexto global

A geopolítica pós-2ª Guerra Mundial (1945-1991) foi definida pela “Guerra Fria armamentista”, uma ordem bipolar onde EUA (capitalismo) e URSS (socialismo) disputaram a hegemonia global. 

As terras raras tornaram-se um dos principais tabuleiros da "Nova Guerra Fria Tecnológica" entre os Estados Unidos e a China. Esses 17 elementos químicos metálicos são essenciais para a produção de tecnologias avançadas.

Descoberta

Em 1787, Carl Axel Arrhenius, um geólogo amador, encontrou em uma pedreira sueca um mineral de aparência estranha, escuro e muito denso. O mineral, gadolinita, continha o primeiro elemento de terras raras identificado, o ítrio. Nas décadas seguintes, outros ETR foram descobertos. Neste século os ETR são considerados "minerais críticos", pois são indispensáveis em diversas aplicações metalúrgicas que atendem tecnologias aeroespaciais, de defesa, energia, telecomunicações, eletrônica e transporte. Muitos setores da economia dependem da disponibilidade dos ETR.

As terras raras, ou Elementos de Terras Raras (ETRs), são um grupo de 17 elementos químicos (15 lantanídeos + escândio e ítrio) que se tornaram cruciais na nossa sociedade moderna. Também chamados de metais de terras raras, óxidos de terras raras, ou lantanídeos são um conjunto de 17 metais pesados. São eles o lantânio (La), cério (Ce), praseodímio (Pr), neodímio (Nd), promécio (Pm), samário (Sm), európio (Eu), gadolínio (Gd), térbio (Tb), disprósio (Dy), hólmio (Ho), érbio (Er), túlio (Tm), itérbio (Yb) e lutécio (Lu), mais o escândio (Sc) e ítrio (Y), que não são lantanídeos (imagem abaixo). Mesmo sem pertencer a família dos lantanídeos, o escândio e ítrio estão incluídos no grupo dos ETRs porque ocorrem nos mesmos depósitos minerais que os lantanídeos e têm propriedades químicas semelhantes a estes elementos.

A partir de seus números atômicos os ETRs podem ser divididos e terras raras leves e pesados.

Os elementos de terras raras leves são o lantânio (La), cério (Ce), praseodímio (Pr), neodímio (Nd), promécio (Pm), samário (Sm), európio (Eu), mais o escândio (Sc) e ítrio (Y), que possuem números atômicos menores. Já os elementos de terras raras pesados são o gadolínio (Gd), térbio (Tb), disprósio (Dy), hólmio (Ho), érbio (Er), túlio (Tm), itérbio (Yb) e lutécio (Lu), com números atômicos maiores.

Apesar do nome "terras raras", esses minerais não são exatamente raros na crosta terrestre, mas sim difíceis de encontrar em concentrações viáveis para a extração, além de seu processo de separação ser muito complexo. 

Uma corrida global é impulsionada pela transição energética e pela segurança nacional, com os países industrializados competindo ferozmente para reduzir a dependência da China, que detém cerca de 92% do processamento global.

https://www.solucoesindustriais.com.br/news/cases-e-analises/exportacao-de-terras-raras/

 O Cenário da Disputa (2025-2026)

  • Domínio Chinês: A China controla entre 61% e 70% da extração e quase a totalidade da fabricação de superímãs. Em 2025, o país intensificou restrições de exportação, acelerando a busca do Ocidente por alternativas.
  • Bloco Ocidental: Os EUA, a União Europeia e o Japão formaram alianças para estabelecer reservas estratégicas e financiar projetos fora da zona de influência chinesa.
  • Ações de Donald Trump (2026): O governo americano anunciou a criação de uma reserva estratégica de US$ 12 bilhões para minerais críticos para apoiar o setor de tecnologia e defesa. 

O Brasil como Protagonista Estratégico

O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras (cerca de 21 a 23 milhões de toneladas), mas produz menos de 1% do total global. 

  • Investimentos: A mineradora Serra Verde (Goiás), o primeiro projeto operacional de grande escala no país, recebeu investimentos de US$ 565 milhões dos EUA em 2026 para garantir o fornecimento ao mercado ocidental.
  • Geopolítica: O Brasil busca autonomia por meio de parcerias com o Sul Global (como a Índia) e está avaliando o convite para integrar uma coalizão de minerais críticos liderada pelos EUA.

No que se aplicam? para que servem?

Eles são conhecidos como a "força invisível" da tecnologia atual e da transição energética. Seus principais usos incluem:

1. Tecnologia Verde e Energia 

  • Ímãs Permanentes de Alto Desempenho: Utilizados em motores de carros elétricos/híbridos e em geradores de turbinas eólicas.
  • Baterias Recarregáveis: Componentes para baterias de veículos elétricos.
  • Painéis Solares: Células fotovoltaicas para conversão de energia solar. 

2. Eletrônicos e Consumo

  • Smartphones e Computadores: Telas de toque, discos rígidos (HDs), componentes de circuitos, alto-falantes e vibração.
  • Iluminação e Telas: Telas de LED, LCD e lâmpadas fluorescentes de alta eficiência.
  • Vidros e Cerâmicas: Polidores de precisão e aditivos para propriedades ópticas especiais, como lentes de câmeras (lantânio). 

3. Indústria e Defesa Militar

  • Equipamentos de Defesa: Sistemas de guia de mísseis, radares, sonares, lasers e revestimentos furtivos em aeronaves (como o caça F-35).
  • Catalisadores: Refino de petróleo e conversores catalíticos automotivos (cério).
  • Medicina: Exames de ressonância magnética (gadolínio). 

4. Principais Elementos e Usos Específicos

  • Neodímio e Praseodímio: Os mais demandados para ímãs permanentes potentes.
  • Disprósio e Térbio: Adicionados a ímãs para resistência a altas temperaturas.
  • Lantânio: Usado em catalisadores de craqueamento de petróleo e lentes de alta qualidade.
  • Cério: Polimento de vidro e purificação de ar. 

Resumo da ópera: São materiais que não vemos, mas sem eles, a maioria dos aparelhos tecnológicos e a produção de energia limpa não funcionariam. As terras raras são o "ponto fraco" da nova economia verde e da indústria de alta tecnologia. 

Reservas e países que refinam terras raras

A China lidera mundialmente a extração (cerca de 60%) e o refino (mais de 90%) de terras raras, dominando a cadeia produtiva e de ímãs permanentes. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial (21-23%), mas o potencial de extração e beneficiamento é subaproveitado em comparação. Outros produtores importantes incluem Vietnã, Austrália, Rússia e EUA. 

Ações de Beneficiamento e Expansão:

  • A China, além de extrair, concentra o refinamento e a fabricação de componentes (ímãs permanentes).
  • O Brasil está expandindo parcerias para beneficiamento local e aumentou as exportações de terras raras para a China em 2025.
  • Empresas nos EUA, Austrália e Europa estão investindo em tecnologia de processamento para diminuir a dependência da China. 

Principais países com reservas e consumo de Terras Raras

A geopolítica das terras raras envolve a distribuição desigual das reservas e da capacidade de produção. Aqui, analisamos quais países detêm os maiores estoques, quem lidera a produção e onde ocorre o maior consumo desses elementos.

Em que tipo de solo são mais propensos a ser encontrados

As terras raras são encontradas com maior intensidade em solos provenientes do intemperismo (decomposição) de rochas alcalino-carbonatíticas e em argilas iônicas (também conhecidas como argilas adsorvidas). No Brasil, essas concentrações são notáveis em áreas de vulcões extintos, como em Poços de Caldas (MG), onde o solo da cratera apresenta alto teor de minério na superfície. 

Os principais tipos de solo e formações geológicas com alta intensidade de terras raras incluem:

  • Argilas Iônicas (Adsorvidas): São os depósitos mais importantes para terras raras pesadas. Os elementos estão ligados (adsorvidos) às partículas de argila, facilitando a extração.
  • Solo Alcalino-Carbonatítico: Solos formados sobre rochas alcalinas, ricos em minerais como monazita e bastnaesita, que contêm altos teores de terras raras leves (como lantânio, cério e neodímio).
  • Depósitos de Alteração Superficial: Solos tropicais profundos, fruto de intemperismo intenso, onde a concentração ocorre na superfície ou subsuperfície, simplificando a extração. 

Diferença entre Leves e Pesados:

  • Terras Raras Leves (LREE): Encontradas predominantemente em minerais como monazita e bastnaesita em rochas ígneas e carbonatitos.
  • Terras Raras Pesadas (HREE): Mais escassas e valiosas, comumente encontradas em argilas iônicas (adsorvidos).

Reservas conhecidas (estimativas até 2025):

  • China: ~44 milhões de toneladas (MAE)
  • Brasil: ~23 milhões t (com apenas 30% de seu território mapeado)
  • Índia: ~6,9 milhões t
  • Austrália: ~5,7 milhões t
  • Rússia: ~3,8 milhões t
  • Vietnã: ~3,5 milhões t
  • Estados Unidos: ~1,9 milhões t
  • Groenlândia: ~1,5 milhões t
  • Tanzânia: ~0,89 milhões t
  • África do Sul: ~0,79 milhões t

É importante dizer essa lista de reservas conhecidas pode ser alterada conforme novas jazidas estão sendo descobertas.

Produção e consumo principais (dados recentes – produção em 2023–2024):

  • A China domina a produção global, com cerca de 81–90% do refino e extração.
  • Austrália: segundo maior produtor (~15% em 2018, cerca de 13 000 t em 2024).
  • Índia: produção ~2 900 t em 2024.
  • Rússia: ~2 500 t em 2024.
  • Estados Unidos: produção ~45 000 t em 2024.

Países consumidores:

  • China: consumo doméstico massivo, usa para exportação em produtos de alta tecnologia.
  • Estados Unidos, Japão, Europa, Índia: consomem principalmente ímãs, catalisadores e componentes eletrônicos, mas dependem do refino chinês.

Desafios geopolíticos e estratégicos

A dependência global em relação a poucos países produtores, especialmente a China, gera implicações geopolíticas significativas. Importante abordar os principais riscos e as estratégias adotadas para garantir o acesso seguro e sustentável aos REEs.

  • Monopólio de refino: a China controla cerca de 90% do refino global.
  • Riscos de exportação: restrições recentes da China às exportações de terras raras pesadas afetaram indústrias em países importadores.

Qual a área superficial da China e do Brasil, a população dos países, sua área explorada

Aqui estão os dados comparativos entre a China e o Brasil, potencialmente as duas maiores reservas mapeadas, com base nas estimativas mais recentes (2025/2026):

1. Área Superficial (Total)

  • China: ~9,6 milhões de km² (3º ou 4º maior país).
  • Brasil: ~8,5 milhões de km² (5º maior país).
  • A China tem um território total cerca de 12% maior que o do Brasil. 

2. População (Estimativas 2025/2026)

  • China: ~1,405 bilhão de habitantes (em declínio populacional).
  • Brasil: ~213,4 milhões de habitantes (crescimento lento).
  • A China é quase 6,5 vezes mais populosa que o Brasil. 

Resumo: A China tem mais território e muito mais gente, cultivando uma área maior para sustentar sua população. O Brasil tem menos gente e um território um pouco menor, mas possui uma das maiores áreas de reserva natural e pastagens do mundo, com uma área agrícola em expansão. 

Concluindo: Tudo que as ciências humanas apresentam como alternativa para o nosso desenvolvimento, encontramos em grande volume nesse Brasil-continente. Agora, as terras raras, e nem mesmo mapeamos 30% de nosso território. Mas, cadê gestor, cadê legislador, cadê ... O mundo não para de girar esperando o amadurecimento do eleitor brasileiro. Deus nos deu muito, mas a escolha dos governantes e legisladores, Ele deu a nós a obrigação de elegermos.

Edson Silva, 21 de fevereiro de 2026.

Fonte: Visão geral criada por IA

https://sgbeduca.sgb.gov.br/jovens_geociencias_elementos_terrasraras.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário