Mestre em Ciências da Saúde, UnB; Auditor ISO 14.000; Auditor CONAMA 306; Pesquisador Saúde Pública

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Desde muito cedo despertei o interesse para entender o sentido de “Gigante pela própria natureza” inscrito em nosso belo Hino Nacional Brasileiro. No meu pequeno mundo isso tinha formato de um sonho. Sempre acreditei que o trabalho produziria um Futuro que espelha essa grandeza. Entretanto, não poderíamos esperar “Deitado eternamente em berço esplendido”. Então, me debrucei sobre os livros e outros informes. A história da expansão territorial do Brasil ainda tem sido pouco pesquisada por nossa historiografia, apesar da importância estratégica e atual que reveste a questão. O potencial dos seis Biomas do Brasil nos credencia a produzir alimento para parte significativa dos 195 países do globo. Certo que temos problemas maiúsculos na seara da saúde de nosso povo, saúde primária, saúde regionais, saúde provenientes de epidemias e pandemia novo coronavírus. Nada que planejamentos estratégicos, planos de governo e planos de estado, com boa vontade e união de governantes não possam resolver.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Entrevista realizada na página eletrônica da Federação Nacional dos Policiais Rodoviária Federal - FenaPRF, no ano 2011.

Prestação de serviço ao público – PRF

A importância de ser um tijolinho na construção e manutenção de uma grande instituição.

Agente Policial Rodoviário Federal Edson Silva, desenvolveu atividades policiais na 21ª SRPRF/RO. Anteriormente prestou serviços profissionais de farmacêutico-bioquímico, professor do ensino superior, e oficial R2 do Exército Brasileiro.

Breve curriculum de tua atuação na PRF.

- Ingressei na corporação em 1994, na 21ªSRPRF/RO, em Pimenta Bueno. Durante esse período participei de operações em outros estados da federação, sempre procurando observar características que marcam o regionalismo – problemas enfrentados e formas de operar de nossos PRFs.

 https://www.facebook.com/museuprf/?locale=pt_BR

Como surgiu a idéia de realizar este estudo sobre um tema tão relevante?

- Tenho um objetivo claro – editar um livro na área de saúde ambiental com temas diversos no formato de artigos científicos. Já discorri sobre os dez assuntos que comporão esse primeiro projeto. O tema POLICIAMENTO RODOVIÁRIO FEDERAL, ATIVIDADE ESTRESSANTE, INSALUBRE, PERIGOSA tem uma vertente em saúde ambiental ocupacional. Pesquisei sobre estudos realizados sobre o assunto não encontrando nenhuma referência. Nos seus mais de 80 anos de existência (criada em 1928) a Polícia Rodoviária Federal já fazia por merecer um trabalho desse porte por um de seus integrantes. Os PRFs conhecem suas atividades diárias – convivem com seus problemas buscando soluções possíveis. Os que sonham integrar a corporação muitas vezes a abandonam em seguida por desconhecerem suas atividades; a sociedade também precisa ter ciência de nossas múltiplas tarefas e dos riscos que corremos para poder trazer-lhe segurança. Meu interesse é demonstrar o valor do profissional PRF e fazê-lo conhecido e respeitado pela sociedade brasileira.

O estudo evidencia as condições estressantes as quais os policiais são submetidos? Qual o efeito disso na saúde do policial?

- É reconhecidamente a profissão mais estressante, segundo estudos de entidades como Organização Internacional do Trabalho - OIT. A Organização Mundial de Saúde, OMS, catalogou a atividade policial, devido às suas peculiaridades, como insalubre, perigosa, geradora de imenso estresse pelo período de contínuo esforço físico e da exigência intermitente da acuidade e higidez mental, pois o policial tem a missão, que lhe foi confiada pelo Estado, de garantir, com o risco da própria vida, a integridade física e o patrimônio dos cidadãos comuns. As múltiplas exigências para o cumprimento de sua missão, o risco de morte diário (quer em serviço ou folga deste), a violência do trânsito e do cotidiano da sociedade contemporânea, o processo insalubre a que está sujeito na sua atividade rotineira, a exigência do estado de alerta 24 horas diárias, o desgastante labor noturno, obrigam o policial rodoviário federal a viver um constante “stress” em seu meio ambiente de trabalho.

Quanto ao efeito na saúde do policial: alteração do sono, fadiga persistente, depressão, transtornos gastrointestinais, neurose e consumo de psicotrópicos. Tais efeitos se devem, basicamente, às profundas alterações que o trabalho noturno provoca nos sistemas biológicos do ser humano, especialmente no ciclo circadiano. Relacionam-se, ainda, às dificuldades com relação aos horários de alimentação e do sono, que se tornam inevitavelmente irregulares, às complicações na convivência familiar, em virtude dos horários não-coincidentes, aos empecilhos óbvios de se obter um bom período de descanso. Algumas pesquisas relatam que os policiais têm taxas mais altas de doenças de coração, úlceras, suicídio e divórcio que a população geral. A diminuta qualidade de vida dos policiais e bombeiros durante o exercício de suas profissões, em face do elevadíssimo estresse que diuturnamente convivem, lhes acarreta drástica diminuição em suas expectativas de vida. Estudos estimam que o trabalhador submetido a este horário (carga) de trabalho pode "ter uma expectativa de vida quase dez por cento menor do que os outros trabalhadores".                     

Qual a solução para minimizar esse impacto e preservar a saúde dos policiais?

- Apresentei no estudo um rol de categorias profissionais e sua jornada de trabalho, respaldada na legislação pátria. São profissões importantes, porém não tão estressantes, perigosas ou insalubres que foram beneficiadas com uma carga horária diferenciada e aposentadoria distinta das atividades ditas não especiais. Justo será enquadrá-la (por meio de lei) em jornada de trabalho de trinta (30) horas semanais – dado à característica de turno ininterrupto de atividade com trabalho noturno. Foi apresentado também um quadro (tábua de mortalidade) utilizado pelo Ministério da Previdência Social para levantar o cálculo das aposentadorias das pessoas regidas pelo Regime Geral de Previdência Social, onde o brasileiro comum atinge hoje uma média de 69 anos podendo aposentar com 60 anos de idade (homem). Acontece que no mesmo quadro levantamos que o policial no Brasil vive em média 54 anos e querem nos empurrar goela abaixo uma Emenda Constitucional em que a idade para aposentação seja de 55 anos. É desumano, chega a ser ultrajante. Na iniciativa privada as aposentadorias especiais não precisam guardar idade mínima – é pacífico nos tribunais.  Não acredito que o Ministério do Planejamento queira criar uma distinção entre os regimes previdenciários público e privado. Nossos representantes no Congresso Nacional não permitiriam.

Existem políticas de apoio ao servidor policial tais como apoio psicológico, físico, etc? Se não qual seria a importância de se criar essa política?

- Infelizmente, nesse quesito, somos entregues à própria sorte. Até mesmo nos convênios firmados, e aí falo de nossa experiência nos centros menores, não temos profissionais da saúde (especialistas) que atendam nossa necessidade. Precisamos criar uma política de apoio profissional onde todos os PRFs pudessem se fazer ouvir. Em Londres, está sendo realizado, desde o ano de 2003, o Quality of Working Life, com objetivo de avaliar causas e desenvolver estratégias de combate ao estresse, buscando maior equilíbrio no trabalho do policial. Na capital comercial da Índia, Bombaim, também está sendo realizado um projeto para terapia antiestresse para policiais. O foco do projeto é o desenvolvimento da concentração a partir de técnicas de relaxamento. Na cidade de Ruston, Louisiana, está sendo desenvolvido um treinamento voltado para o desenvolvimento de atitudes pós-situações críticas, a favor dos policiais.

Quais as conclusões que o senhor chegou?

- As nações do chamado primeiro mundo conseguiram conquistar a credibilidade em suas instituições policiais, garantindo a solidez da ordem e da segurança pública, em todos os níveis, aos seus cidadãos, porque priorizaram um tratamento especial de formação, de remuneração e de previdência às suas polícias. A dedicação exclusiva a que está sujeito o servidor policial, no exercício da atividade de risco, totaliza uma excessiva carga horária de trabalho diuturno de 112 horas semanais, compulsoriamente. Tal carga horária excede em 68 horas às contabilizadas para o trabalhador não policial fixadas em, apenas, 44 horas por semana. Ao assumir o compromisso da profissão, o policial não pode se omitir diante de fatos que exijam sua intervenção e precisa estar sempre preparado para servir à comunidade. Daí seu caráter de dedicação exclusiva: uma exigência permanente de continuidade da função para além do horário de serviço esteja usando farda ou não. Esse fato por si só justifica, em todo o mundo, as ressalvas constitucionais e legais próprias, asseguradas para a aposentadoria do policial, dentro dos critérios internacionais reconhecidos pela ONU, fundamentados em pesquisas científicas realizadas pela Organização Internacional do Trabalho.

Efetuei dois outros estudos na mesma linha de artigo científico: RADIAÇÕES SOLARES UV-A E UV-B NO BRASIL, PAÍS COM A MAIOR ÁREA INTERTROPICAL, E OS MECANISMOS DE PROTEÇÃO, SOB PONTO DE VISTA LEGAL E DA SAÚDE e CAMPOS ELETROMAGNÉTICOS – CEM - EM TORRES DE TELEFONIA MÓVEL, DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA EM REDES DE ALTA TENSÃO E TRANSMISSORAS DE SINAIS DE RADIOFREQUÊNCIA onde avalio nossa exposição à radiação solar e a possibilidade de iniciarmos estudos visando usarmos uniformes com fator de proteção solar à base de fios cerâmicos com tecnologia australiana e no segundo o campo eletromagnético a que estamos expostos ao utilizarmos os transceptores para a comunicação em nossas viaturas.

Qual a importância do movimento sindical no apoio aos policiais?

- O maior patrimônio de qualquer instituição é sem sombra de dúvida o seu quadro funcional. A entidade quer pública quer privada, se move pelos seus agentes. Resultados positivos para a sociedade acontecem quando o nível de satisfação desses agentes está elevado. Temos um histórico de falta de reconhecimento pelo nosso trabalho de parte da administração. O movimento sindical tem conseguido algumas conquistas importantes de resgate da dignidade do servidor. Temos acompanhado um trabalho forte de nossa classe sindical junto à classe política.

Os policiais podem ter acesso ao seu estudo? Como?

- Nos sites de busca “Edson Silva, policiamento rodoviário federal, atividade estressante, insalubre, perigoso. Foi apresentado na página do CONSEG, da FENAPRF e do SINDPRF/RO.

Suas considerações finais

- É importante nos identificarmos com o que foi descrito nesse trabalho. Fizemos um relato de nosso dia a dia procurando caracterizá-lo, contemplando as diversas regiões de nosso país continente. A experiência de diversos profissionais pesquisadores, os viveres diários de nossos operadores da segurança pública condensados em uma só obra enriqueceram essa iniciativa pessoal. O meu muito obrigado aos que indiretamente colaboraram com esse trabalho e ao espaço aberto nesse importante veículo de comunicação de nossa PRF.

Observação: essa entrevista está sendo reapresentada (registrada nesse blog) 15 anos após, como registro histórico. Na ocasião eu estava no serviço ativo PRF, atuando no Estado de Rondônia.

Após essa experiência da entrevista estive presidente do Sindicato PRF RO/AC entre os anos 2012/2020.

Por Edson Silva, 14 de fevereiro de 2026

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