Tabuleiro da corrida global por terras raras
O mundo disputa o refino e o
mapeamento de terras raras, o Brasil discute a inelegibilidade de um presidente
homenageado no carnaval, as falcatruas do banco Master, os excessos de um dos
Poderes Constituídos. A falta de brasilidade “do Sistema” deprime todo um povo,
“enlata” toda uma Nação.
Enquanto isso fora de nossas
fronteiras a tecnologia avança, a ciência se reinventa, o empreendedorismo
reinterpreta o seu papel. Conhecer riquezas verde e amarelas, o nosso
desafio. Em outro texto iremos apresentar os potenciais reservas das terras
raras no Brasil.
Contexto global
A geopolítica pós-2ª Guerra
Mundial (1945-1991) foi definida pela “Guerra Fria armamentista”, uma
ordem bipolar onde EUA (capitalismo) e URSS (socialismo) disputaram a hegemonia
global.
As terras raras tornaram-se um
dos principais tabuleiros da "Nova Guerra Fria Tecnológica" entre os
Estados Unidos e a China. Esses 17 elementos químicos metálicos são essenciais
para a produção de tecnologias avançadas.
Descoberta
Em 1787, Carl Axel Arrhenius, um
geólogo amador, encontrou em uma pedreira sueca um mineral de aparência
estranha, escuro e muito denso. O mineral, gadolinita, continha o primeiro
elemento de terras raras identificado, o ítrio. Nas décadas seguintes, outros
ETR foram descobertos. Neste século os ETR são considerados "minerais
críticos", pois são indispensáveis em diversas aplicações metalúrgicas
que atendem tecnologias aeroespaciais, de defesa, energia, telecomunicações,
eletrônica e transporte. Muitos setores da economia dependem da disponibilidade
dos ETR.
As terras raras, ou Elementos de
Terras Raras (ETRs), são um grupo de 17 elementos químicos (15
lantanídeos + escândio e ítrio) que se tornaram cruciais na nossa sociedade
moderna. Também chamados de metais de terras raras, óxidos de terras
raras, ou lantanídeos são um conjunto de 17 metais pesados. São eles o lantânio
(La), cério (Ce), praseodímio (Pr), neodímio (Nd), promécio (Pm), samário (Sm),
európio (Eu), gadolínio (Gd), térbio (Tb), disprósio (Dy), hólmio (Ho), érbio
(Er), túlio (Tm), itérbio (Yb) e lutécio (Lu), mais o escândio (Sc) e ítrio
(Y), que não são lantanídeos (imagem abaixo). Mesmo sem pertencer a família dos
lantanídeos, o escândio e ítrio estão incluídos no grupo dos ETRs porque
ocorrem nos mesmos depósitos minerais que os lantanídeos e têm propriedades
químicas semelhantes a estes elementos.
A partir de seus números atômicos
os ETRs podem ser divididos e terras raras leves e pesados.
Os elementos de terras
raras leves são o lantânio (La), cério (Ce), praseodímio (Pr),
neodímio (Nd), promécio (Pm), samário (Sm), európio (Eu), mais o escândio (Sc)
e ítrio (Y), que possuem números atômicos menores. Já os elementos de
terras raras pesados são o gadolínio (Gd), térbio (Tb), disprósio
(Dy), hólmio (Ho), érbio (Er), túlio (Tm), itérbio (Yb) e lutécio (Lu), com
números atômicos maiores.
Apesar do nome "terras
raras", esses minerais não são exatamente raros na crosta terrestre,
mas sim difíceis de encontrar em concentrações viáveis para a extração,
além de seu processo de separação ser muito complexo.
Uma corrida global é impulsionada pela transição energética e pela segurança nacional, com os países industrializados competindo ferozmente para reduzir a dependência da China, que detém cerca de 92% do processamento global.
https://www.solucoesindustriais.com.br/news/cases-e-analises/exportacao-de-terras-raras/
O Cenário da Disputa (2025-2026)
- Domínio Chinês: A China controla entre
61% e 70% da extração e quase a totalidade da fabricação de superímãs. Em
2025, o país intensificou restrições de exportação, acelerando a busca do
Ocidente por alternativas.
- Bloco Ocidental: Os EUA,
a União Europeia e o Japão formaram
alianças para estabelecer reservas estratégicas e financiar projetos fora
da zona de influência chinesa.
- Ações de Donald Trump (2026): O governo
americano anunciou a criação de uma reserva estratégica de US$ 12
bilhões para minerais críticos para apoiar o setor de tecnologia
e defesa.
O Brasil como Protagonista
Estratégico
O Brasil possui a segunda
maior reserva mundial de terras raras (cerca de 21 a 23 milhões de
toneladas), mas produz menos de 1% do total global.
- Investimentos: A mineradora Serra
Verde (Goiás), o primeiro projeto operacional de grande escala no
país, recebeu investimentos de US$ 565 milhões dos EUA em
2026 para garantir o fornecimento ao mercado ocidental.
- Geopolítica: O Brasil busca autonomia
por meio de parcerias com o Sul Global (como a Índia)
e está avaliando o convite para integrar uma coalizão de minerais
críticos liderada pelos EUA.
No que se aplicam? para que
servem?
Eles são conhecidos como a
"força invisível" da tecnologia atual e da transição energética. Seus
principais usos incluem:
1. Tecnologia Verde e
Energia
- Ímãs Permanentes de Alto Desempenho: Utilizados
em motores de carros elétricos/híbridos e em geradores de turbinas
eólicas.
- Baterias Recarregáveis: Componentes
para baterias de veículos elétricos.
- Painéis Solares: Células fotovoltaicas
para conversão de energia solar.
2. Eletrônicos e Consumo
- Smartphones e Computadores: Telas de
toque, discos rígidos (HDs), componentes de circuitos, alto-falantes e
vibração.
- Iluminação e Telas: Telas de LED, LCD e
lâmpadas fluorescentes de alta eficiência.
- Vidros e Cerâmicas: Polidores de
precisão e aditivos para propriedades ópticas especiais, como lentes de
câmeras (lantânio).
3. Indústria e Defesa
Militar
- Equipamentos de Defesa: Sistemas de
guia de mísseis, radares, sonares, lasers e revestimentos furtivos em
aeronaves (como o caça F-35).
- Catalisadores: Refino de petróleo e
conversores catalíticos automotivos (cério).
- Medicina: Exames de ressonância
magnética (gadolínio).
4. Principais Elementos e
Usos Específicos
- Neodímio e Praseodímio: Os mais
demandados para ímãs permanentes potentes.
- Disprósio e Térbio: Adicionados a ímãs
para resistência a altas temperaturas.
- Lantânio: Usado em catalisadores de
craqueamento de petróleo e lentes de alta qualidade.
- Cério: Polimento de vidro e purificação
de ar.
Resumo da ópera: São
materiais que não vemos, mas sem eles, a maioria dos aparelhos tecnológicos e a
produção de energia limpa não funcionariam. As terras raras são o
"ponto fraco" da nova economia verde e da indústria de alta
tecnologia.
Reservas e países que refinam
terras raras
A China lidera
mundialmente a extração (cerca de 60%) e o refino (mais de 90%) de terras
raras, dominando a cadeia produtiva e de ímãs permanentes. O Brasil possui a
segunda maior reserva mundial (21-23%), mas o potencial de extração e beneficiamento
é subaproveitado em comparação. Outros produtores importantes incluem Vietnã,
Austrália, Rússia e EUA.
Ações de Beneficiamento e
Expansão:
- A China, além de extrair, concentra o refinamento e
a fabricação de componentes (ímãs permanentes).
- O Brasil está expandindo parcerias para
beneficiamento local e aumentou as exportações de terras raras para a
China em 2025.
- Empresas nos EUA, Austrália e Europa estão
investindo em tecnologia de processamento para diminuir a dependência da
China.
Principais países com reservas
e consumo de Terras Raras
A geopolítica das terras raras
envolve a distribuição desigual das reservas e da capacidade de produção. Aqui,
analisamos quais países detêm os maiores estoques, quem lidera a produção e
onde ocorre o maior consumo desses elementos.
Em que tipo de solo são mais
propensos a ser encontrados
As terras raras são encontradas
com maior intensidade em solos provenientes do intemperismo (decomposição) de
rochas alcalino-carbonatíticas e em argilas iônicas (também
conhecidas como argilas adsorvidas). No Brasil, essas concentrações são
notáveis em áreas de vulcões extintos, como em Poços de Caldas (MG), onde o
solo da cratera apresenta alto teor de minério na superfície.
Os principais tipos de solo e
formações geológicas com alta intensidade de terras raras incluem:
- Argilas Iônicas (Adsorvidas): São os
depósitos mais importantes para terras raras pesadas. Os elementos estão
ligados (adsorvidos) às partículas de argila, facilitando a extração.
- Solo Alcalino-Carbonatítico: Solos
formados sobre rochas alcalinas, ricos em minerais como monazita e
bastnaesita, que contêm altos teores de terras raras leves (como lantânio,
cério e neodímio).
- Depósitos de Alteração Superficial: Solos
tropicais profundos, fruto de intemperismo intenso, onde a concentração
ocorre na superfície ou subsuperfície, simplificando a extração.
Diferença entre Leves e
Pesados:
- Terras Raras Leves (LREE): Encontradas
predominantemente em minerais como monazita e bastnaesita em rochas ígneas
e carbonatitos.
- Terras Raras Pesadas (HREE): Mais
escassas e valiosas, comumente encontradas em argilas iônicas
(adsorvidos).
Reservas conhecidas
(estimativas até 2025):
- China: ~44 milhões de toneladas (MAE)
- Brasil: ~23 milhões t (com apenas 30% de seu
território mapeado)
- Índia: ~6,9 milhões t
- Austrália: ~5,7 milhões t
- Rússia: ~3,8 milhões t
- Vietnã: ~3,5 milhões t
- Estados Unidos: ~1,9 milhões t
- Groenlândia: ~1,5 milhões t
- Tanzânia: ~0,89 milhões t
- África do Sul: ~0,79 milhões t
É importante dizer essa lista de
reservas conhecidas pode ser alterada conforme novas jazidas estão sendo
descobertas.
Produção e consumo principais
(dados recentes – produção em 2023–2024):
- A China domina a produção global, com cerca de
81–90% do refino e extração.
- Austrália: segundo maior produtor (~15% em 2018,
cerca de 13 000 t em 2024).
- Índia: produção ~2 900 t em 2024.
- Rússia: ~2 500 t em 2024.
- Estados Unidos: produção ~45 000 t em 2024.
Países consumidores:
- China: consumo doméstico massivo, usa para
exportação em produtos de alta tecnologia.
- Estados Unidos, Japão, Europa, Índia: consomem
principalmente ímãs, catalisadores e componentes eletrônicos, mas dependem
do refino chinês.
Desafios geopolíticos e
estratégicos
A dependência global em relação a
poucos países produtores, especialmente a China, gera implicações geopolíticas
significativas. Importante abordar os principais riscos e as estratégias
adotadas para garantir o acesso seguro e sustentável aos REEs.
- Monopólio de refino: a China controla cerca de 90%
do refino global.
- Riscos de exportação: restrições recentes da China
às exportações de terras raras pesadas afetaram indústrias em países
importadores.
Qual a área superficial da
China e do Brasil, a população dos países, sua área explorada
Aqui estão os dados comparativos
entre a China e o Brasil, potencialmente as duas maiores reservas mapeadas, com
base nas estimativas mais recentes (2025/2026):
1. Área Superficial (Total)
- China: ~9,6 milhões de km² (3º ou 4º
maior país).
- Brasil: ~8,5 milhões de km² (5º maior
país).
- A China tem um território total cerca de 12%
maior que o do Brasil.
2. População (Estimativas
2025/2026)
- China: ~1,405 bilhão de habitantes (em
declínio populacional).
- Brasil: ~213,4 milhões de habitantes
(crescimento lento).
- A China é quase 6,5 vezes mais populosa que o
Brasil.
Resumo: A China tem
mais território e muito mais gente, cultivando uma área maior para sustentar
sua população. O Brasil tem menos gente e um território um pouco menor, mas
possui uma das maiores áreas de reserva natural e pastagens do mundo, com uma
área agrícola em expansão.
Concluindo: Tudo que as
ciências humanas apresentam como alternativa para o nosso desenvolvimento,
encontramos em grande volume nesse Brasil-continente. Agora, as terras raras, e
nem mesmo mapeamos 30% de nosso território. Mas, cadê gestor, cadê legislador,
cadê ... O mundo não para de girar esperando o amadurecimento do eleitor brasileiro.
Deus nos deu muito, mas a escolha dos governantes e legisladores, Ele deu a nós
a obrigação de elegermos.
Edson Silva, 21 de fevereiro de
2026.
Fonte: Visão geral criada
por IA
https://sgbeduca.sgb.gov.br/jovens_geociencias_elementos_terrasraras.html



