86 tornados até agosto de 2026, El Niño começa a ganhar força. O Brasil não está preparado.
O El Niño em 2026 ganhou
força de forma extremamente rápida e já está oficialmente classificado pelas
agências meteorológicas como um "Super El Niño". O fenômeno
superou recordes históricos de intensidade antes mesmo de atingir o período
estimado para o seu pico físico. Esses eventos extremos, de que forma afetarão
a vida do brasileiro? Como são tratadas as políticas públicas no Brasil para
eventos extremos?
Tornado - Coluna de ar que gira em alta velocidade e
toca o solo, formando um funil que se estende de uma nuvem de tempestade até a
superfície da Terra.
O tornado é mais perigoso
em termos de velocidade de ventos e destruição pontual, mas o furacão
causa danos em uma escala muito maior.
Características Principais
- Ventos Fortes: Podem passar de 180 km/h e
chegar a mais de 480 km/h nos casos mais extremos.
- Contato com o Solo: O fenômeno só recebe o
nome de tornado quando a ponta do funil toca o chão.
- Duração Curta: Costuma durar de poucos
minutos a algumas horas, afetando uma faixa estreita de terra.
- Poder de Destruição: É um dos fenômenos
atmosféricos mais violentos da natureza, capaz de destruir construções e
arremessar objetos pesados.
O El Nino, La Niña e os
Tornados
Enquanto o aquecimento das águas
do Oceano Pacífico (efeito El Nino), potencializa e aumenta o
risco de tornados no Sul do Brasil, ele tende a reduzir e
reprimir a frequência de tornados na região central dos Estados Unidos.
Sob o efeito da La Niña
(resfriamento do Pacífico), os Estados Unidos sofrem com surtos históricos e
devastadores de tornados no centro e leste do país (como ocorreu nos anos
de 1974 e 2011). Já o Sul do Brasil entra em períodos de seca,
diminuindo drasticamente a quantidade de tempestades severas e a formação de
tornados.
Países que registram o evento
tornado
Os Estados Unidos são o país com
o maior número de registros e a maior intensidade de tornados do mundo,
seguidos pelo Brasil, que ocupa a segunda posição global em áreas propensas à
formação desse fenômeno. Abaixo estão os principais países e regiões afetados
por tornados no planeta:
Principais Países e Regiões
com Tornados
- Estados Unidos: É o líder absoluto,
registrando mais de 1.200 tornados por ano. A área mais afetada é o
famoso Tornado Alley, nas planícies centrais do país.
- Brasil: Considerado o segundo país mais
propenso do mundo. Os fenômenos se concentram no chamado
"Corredor de Tornados da América do Sul", afetando
principalmente os estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina,
além de partes de São Paulo.
- Canadá: Registra uma quantidade
significativa de tornados anualmente, logo atrás dos EUA na América do
Norte.
- Outros países da América do Sul: Além do
Brasil, o corredor sul-americano abrange áreas da Argentina, Uruguai e
Paraguai.
- Ásia: Bangladesh e o Paquistão
sofrem com tornados devastadores. O leste da China e o Japão
também registram o fenômeno com frequência.
Os Estados Unidos são o país com
o maior histórico de destruição por tornados no mundo. O país possui registros
meteorológicos oficiais detalhados pela NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration)
desde o século XIX.
O epicentro desses eventos é o
chamado Tornado Alley (Corredor de Tornados) — que engloba estados como Texas,
Oklahoma, Kansas e Nebraska —, além do Dixie Alley, no sudeste
americano (estados como Mississippi, Alabama e Georgia), conhecido por
gerar os tornados mais letais devido à alta densidade populacional. Abaixo
estão os tornados mais graves, as cidades mais afetadas e o histórico de óbitos
nos EUA:
Os Tornados Mais Letais da História dos EUA
|
Posição |
Nome / Evento Histórico |
Data |
Estados Afetados |
Óbitos Registrados |
|
1º |
O Tornado Tri-Estadual (Tri-State Tornado) |
18/03/1925 |
Missouri, Illinois e Indiana |
695 mortes |
|
2º |
O Grande Tornado de Natchez |
06/05/1840 |
Louisiana e Mississippi |
317 mortes |
|
3º |
O Grande Tornado de St. Louis |
27/05/1896 |
Missouri e Illinois |
255 mortes |
|
4º |
Tornado de Tupelo |
05/04/1936 |
Mississippi |
216 mortes |
|
5º |
Tornado de Gainesville |
06/04/1936 |
Georgia |
203 mortes |
Detalhes dos Casos Mais
Devastadores
- O Tri-State Tornado (1925) — O Pior da História:
É o recordista absoluto em letalidade, duração e velocidade nos EUA. Ele
percorreu uma distância absurda de 352 quilômetros ao longo de 3
horas e meia com a intensidade máxima de um F5. A cidade de Murphysboro
(Illinois) foi praticamente varrida do mapa, registrando sozinha 234
mortes, incluindo 28 estudantes após o desabamento de duas escolas.
- O Surto de Tupelo-Gainesville (1936): Em um
intervalo de apenas 24 horas, duas tempestades massivas atingiram áreas
comerciais e residenciais. Em Gainesville, o tornado atingiu a fábrica
têxtil Cooper Pants Factory, colapsando o prédio e matando 70
funcionários. Esse continua sendo o maior número de mortes causadas por um
tornado em um único edifício na história do país.
- O Surto de Joplin (2011) — A Tragédia Moderna:
Embora o avanço da tecnologia e dos radares meteorológicos tenha reduzido
drasticamente o número de mortes nas últimas décadas, o tornado de Joplin
(Missouri) em 22 de maio de 2011 provou a força da natureza.
Classificado como um EF5 (Escala Fujita Melhorada), ele atingiu
diretamente o centro da cidade, destruindo um hospital, escolas e bairros
inteiros, deixando 161 mortos e mais de 1.000 feridos.
Surtos Históricos (Múltiplos
Tornados Simultâneos)
Além de tornados isolados, os EUA
sofrem com ondas massivas geradas por frentes frias colossais. O recorde atual
pertence ao Super Outbreak de 2011, que gerou o impressionante número de
367 tornados confirmados em apenas 4 dias no final de abril, matando 324
pessoas ao longo do país
Como os norte-americanos se protegem dos tornados
Por meio de uma combinação de
tecnologia de monitoramento rápido, abrigos estruturais específicos e
protocolos de segurança rigidamente ensinados desde a infância. A resposta
rápida baseia-se na diferenciação crítica entre dois níveis de avisos emitidos
pelo National Weather
Service (NWS).
Abrigos Residenciais e Estruturas Seguras
Dentro de casa, a regra de ouro do NWS é o lema "Get
In, Go Down, Cover Up" (Entre, Desça, Proteja-se):
|
Localização na Casa |
Nível de Proteção |
O que os moradores fazem |
|
Bunkers / Storm Cellars |
Máximo |
Abrigos subterrâneos de concreto ou aço construídos no
jardim ou abaixo da garagem, capazes de resistir a ventos de até 400 km/h. |
|
Porão (Basement) |
Alto |
O subsolo da casa é a opção padrão mais segura para se
proteger do desabamento da estrutura superior de madeira. |
|
Cômodo Interno (Sem porão) |
Médio |
Moradores vão para o banheiro, closet ou corredor mais
central no térreo, garantindo o maior número de paredes entre eles e o vento
externo. |
Por que as casas americanas
continuam sendo construídas de madeira em regiões com tantos tornados?
A permanência das casas de
madeira em regiões com alta incidência de tornados nos Estados Unidos deve-se
principalmente à relação de custo-benefício econômico, à matemática das
probabilidades de impacto e a uma estratégia de engenharia que prioriza proteger
vidas (com abrigos) em vez de proteger a estrutura do imóvel.
A Física de um Tornado vs.
Alvenaria
Muitas pessoas acreditam que
casas de tijolo ou concreto resistiriam perfeitamente a um tornado, mas isso é
um mito para tempestades severas.
- Ventos Extremos: Tornados de categorias mais
altas (EF4 ou EF5) geram ventos que passam facilmente dos 300 km/h.
Ventos dessa magnitude transformam telhados em "velas de barco",
arrancando-os. Sem o telhado, as paredes de tijolo perdem a amarração
estrutural e desabam facilmente.
- Projéteis Mortais: O vento arremessa carros,
árvores e pedaços de outras estruturas. Se uma parede de concreto for
atingida por um objeto pesado a 300 km/h, ela se romperá de qualquer
forma, gerando escombros muito mais pesados e letais para quem está
dentro.
Muitas legislações locais em
áreas de risco exigem que as novas construções possuam bunkers
subterrâneos ou cômodos centrais blindados altamente reforçados. Assim,
mesmo que a casa de madeira seja completamente varrida pelo vento, a família
que estava abrigada no bunker sairá ilesa.
https://www.instagram.com/reel/DQ-ILVJDC21/
Brasil
Aqui o chamado "corredor
dos tornados" abrange principalmente os estados da Região Sul (Rio
Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná). Ao contrário dos Estados Unidos, o
Brasil não possui uma política pública específica, integrada ou focada
exclusivamente na prevenção de tornados.
O histórico de tornados no
corredor do Paraná mostra que, embora os registros oficiais tenham se
tornado mais precisos nas últimas décadas graças à tecnologia, o estado convive
com esses fenômenos destrutivos há gerações. Abaixo estão os eventos mais
marcantes, as cidades mais afetadas e os registros de óbitos ao longo do tempo:
Os Tornados Mais Graves e Letais no Paraná
|
Ano |
Cidades Mais Afetadas |
Intensidade / Impacto |
Óbitos Registrados |
|
1959 |
Palmas (região da Fazenda Fortaleza, divisa PR/SC) |
Catastrófico (Ventos >200 km/h) |
35 mortes no Paraná (Mais de 90 no total do
surto regional) |
|
2025 |
Rio Bonito do Iguaçu, Porto Barreiro, Laranjeiras
do Sul, Guarapuava |
EF3 a F4 (90% de Rio Bonito do Iguaçu foi
destruída) |
7 mortes (6 em Rio Bonito do Iguaçu e 1 em
Guarapuava) |
|
2018 |
Itaperuçu (Região Metropolitana de Curitiba) |
F2 (Destruiu centenas de casas e o hospital local) |
2 mortes |
|
2015 |
Francisco Beltrão (Bairro Marmeleiro) |
F2 (Mais de 70 feridos e dezenas de casas
totalmente destruídas) |
0 mortes (Apenas feridos graves) |
|
2026 |
Espigão Alto do Iguaçu, Piraí do Sul |
F1 a F2 (Surtos múltiplos que destruíram escolas e
plantações em junho/julho) |
0 mortes (Alertas rápidos da Defesa Civil) |
Detalhes dos Grandes Marcos Históricos
- A Tragédia de 1959 (O Mais Letal do Brasil):
Ocorreu entre 13 e 14 de agosto de 1959. Um severo surto de tornados
atingiu o Sul do país. Em Palmas (PR), o tornado arrancou pinheiros
gigantes pela raiz e varreu construções de madeira, deixando 35 mortos.
Na época, pela falta de radares, o desastre foi noticiado apenas como um
"forte vendaval" ou "redemoinho", tendo sua real
natureza confirmada por estudos décadas depois.
- O Desastre de Novembro de 2025: Considerado
o tornado mais destrutivo da história recente do Paraná. Uma
supercélula gerou múltiplos tornados que cortaram o interior. A cidade de Rio
Bonito do Iguaçu sofreu o pior impacto: ventos de até 250 km/h
e diâmetro de funil de quase 1 km varreram o município, destruindo 90%
das edificações. O evento causou 7 mortes no estado e mais de
750 feridos.
- O Surto de Junho/Julho de 2026: O estado
registrou uma sequência impressionante de 6 tornados confirmados em um
intervalo de três dias. Cidades dos Campos Gerais e Centro-Sul
sofreram danos em escolas e produções agrícolas de eucalipto e soja, mas a
tecnologia de radar do Simepar
permitiu evacuações a tempo, evitando mortes.
Principais Zonas de Risco no Estado
De acordo com levantamentos
meteorológicos do Simepar
e mapeamentos de satélite, o corredor corta o Paraná unindo cidades com forte
incidência de supercélulas de tempestades:
- Região Oeste e Sudoeste: Cidades como Francisco
Alves, Mercedes, Foz do Iguaçu e Francisco Beltrão
estão na principal rota de entrada da umidade vinda do Paraguai.
- Região Centro-Sul: Áreas como Rio Bonito
do Iguaçu, Espigão Alto do Iguaçu, Laranjeiras do Sul, Guarapuava
e Turvo registram vários episódios graves devido ao relevo e
choques térmicos frequentes.
- Campos Gerais: Cidades como Piraí do Sul
também entraram fortemente no mapa de risco após severas ocorrências
registradas em anos recentes.
Por que os tornados se
concentram nessa faixa?
A geografia do Paraná atua como
um facilitador climático. A Cordilheira
dos Andes canaliza os ventos frios e secos que vêm do sul do continente. Ao
mesmo tempo, os "rios voadores" trazem o calor e a altíssima umidade
da Amazônia e da região do Chaco paraguaio rumo ao Sul do Brasil.
Quando esses dois extremos se
encontram bem em cima do Paraná e de Santa Catarina, criam uma instabilidade
atmosférica massiva com cisalhamento do vento (mudança abrupta de
velocidade e direção com a altura), girando as nuvens e gerando os tornados.
Os tornados mais destrutivos já
registrados na história do Brasil atingiram velocidades estimadas entre 220
km/h e 380 km/h. Como no Brasil não costuma haver sensores de vento
(anemômetros) sobreviventes no trajeto exato de um tornado, os meteorologistas
calculam a velocidade com base nos rastros de destruição deixados no solo
utilizando a Escala Fujita (F0 a F5).
1. Tornado de Francisco
Beltrão (PR) | Categoria F4, Velocidade estimada: Até 380 km/h.
- O evento: Ocorrido em 13 de julho de 2015, é
considerado um dos tornados mais violentos da história recente do país.
Ele destruiu completamente dezenas de casas, arrancou árvores pela raiz,
retorceu torres de alta tensão e deixou 19 feridos.
2. Tornado de Xanxerê (SC) |
Categoria F3 (EF3), Velocidade estimada: Entre 250 km/h e 330 km/h.
- O evento: Em 20 de abril de 2015, uma
supercélula gerou um rastro devastador que cortou bairros inteiros da
cidade catarinense. O vento colapsou o ginásio municipal, arrancou
telhados de concreto, tombou caminhões e danificou mais de 2 mil
residências, resultando em 4 mortes e prejuízos de R$ 250 milhões.
3. Tornado do Paraná (2026) |
Categoria F3 (EF3), Velocidade estimada: Até 332 km/h.
- O evento: Um caso recente ocorrido em agosto
de 2026 afetou a zona rural do estado, gerando um rastro de destruição
contínua ao longo de 17,3 quilômetros com ventos severos que destruíram
tudo em seu caminho.
4. Tornado de Itu (SP) e
Palmas (PR) | Categorias F3 a F4, Velocidade estimada: Acima de 250 km/h.
- O impacto histórico: Em termos de
letalidade, o tornado de Palmas (PR) em 1959 (estatisticamente o
mais mortal, com dezenas de vítimas na zona rural) e o de Itu (SP) em
1991 (que deixou 15 mortos e milhares de desabrigados) causaram danos
compatíveis com ventos dessa magnitude, arrancando construções inteiras do
chão.
Tem-se notícia de tornados na Amazônia?
Sim, existem notícias e registros
científicos de tornados na Amazônia, embora eles sejam considerados fenômenos raros
e atípicos para a região.
Diferente do Sul do Brasil, onde
os tornados ocorrem em terra firme e de forma devastadora devido ao choque com
massas polares, na Região Amazônica o fenômeno se manifesta majoritariamente de
duas maneiras específicas: trombas d'água sobre os grandes rios e
tornados de menor intensidade (landspouts).
Embora muito mais difíceis de
rastrear devido à densidade da floresta e vazios demográficos, tornados
terrestres já causaram sustos reais no bioma amazônico.
A abordagem do poder público
brasileiro funciona dentro de uma política geral de gestão de riscos e
resposta a desastres climáticos genéricos (como temporais, vendavais e
granizo) capitaneada pela Defesa Civil. Especialistas apontam que a
infraestrutura urbana nacional ainda carece de preparo para eventos de ventos
extremos.
Na imensa maioria das vezes, o
sistema público avisa sobre "tempestades severas, granizo e
vendavais" em vez de cravar a palavra "tornado". Isso ocorre
porque os radares meteorológicos brasileiros ainda possuem limitações técnicas
para rastrear a formação exata de microexplosões e tornados em tempo real de
forma generalizada.
A principal força das políticas
públicas brasileiras hoje é a resposta imediata ao rastro de destruição.
Quando um tornado atinge uma cidade do Sul, o fluxo de socorro segue um padrão
nacional determinado pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec).
Por Edson Silva, 29/9/2026
Fontes: Visão Geral criada por IA


