Carnaval – festa de momo
Que o Brasil é um país voltado
para festas, ninguém nega. Tudo é motivo para comemoração, todo brasileiro sabe.
Que, provavelmente, é o país que tem o maior número de feriados, os
empreendedores/empresários não sabem mais a quem reclamar.
Mas, politizar qualquer evento,
aí já foge do controle do bom senso. Agora foi a vez do carnaval servir de base
de discussão político-ideológica. Foi ou não propaganda eleitoral antecipada? Os
recursos oriundos de nossos tributos foram usados para financiar enredo de
escola de samba?
Carnaval na Linha do Tempo - Origem
O Carnaval não surgiu em uma data
única, mas evoluiu de festivais da Antiguidade que celebravam a fertilidade e a
inversão de papéis sociais.
- Antiguidade (Há milênios): Raízes em festas
da Babilônia, Mesopotâmia e Egito Antigo (cerca de 4.000 a.C. a
10.000 a.C.), muitas vezes ligadas à passagem das estações ou colheitas.
- Grécia e Roma Antiga (Séc. VII a.C. - IV
d.C.): Festivais como
as Saturnais e Lupercais (em honra a Saturno e Pan) e
as Dionisíacas (deus do vinho) estabeleceram o uso de máscaras e
a quebra de hierarquias.
- Idade Média (Séc. VI d.C. em diante): A Igreja
Católica incorporou essas festas pagãs ao calendário cristão. O termo
"carnaval" (do latim carne vale, "adeus à
carne") surgiu por volta do século X ao XII, marcando a
despedida dos prazeres antes da Quaresma.
- No Brasil (Séc. XVII): Trazido pelos
colonizadores portugueses como Entrudo, uma brincadeira de rua onde
se jogava água e farinha.
- Brasil Moderno (Séc. XIX e XX):
- 1867: Fundação do Zé Pereira dos
Lacaios em Ouro Preto, o bloco mais antigo em atividade.
- 1928: Surgimento da primeira escola de samba,
a Deixa Falar, no Rio de Janeiro.
Festa de momo - representa uma
celebração de ruptura com a rotina, marcada pela inversão temporária de regras
sociais, liberdade, alegria, hedonismo e expressão cultural. Etimologicamente
ligado ao "adeus à carne" (carnis levale), historicamente
simboliza o último período de excessos antes da Quaresma cristã.
A combinação de grandes
aglomerações, consumo excessivo de álcool e a sensação de "vale-tudo"
gera comportamentos que violam direitos e a segurança alheia.
Como se dá a escolha da
motivação para os enredos das escolas de samba
A escolha da motivação para os
enredos das escolas de samba é um processo estratégico, artístico e, muitas
vezes, comunitário, que geralmente começa logo após o término do carnaval
anterior. Essa definição envolve uma mistura de paixão, pesquisa histórica,
relevância social e potencial de espetáculo na Avenida.
Aqui estão os principais pilares
e etapas de como a motivação dos enredos é escolhida:
1. Quem Decide?
- Carnavalesco: É a figura central. O
carnavalesco idealiza a concepção do desfile, fantasias, alegorias e
propõe o tema.
- Diretoria e Pesquisadores: A cúpula da
escola (presidente, comissão de carnaval, enredistas) avalia as propostas.
- A Comunidade: Em muitos casos, a escola
busca temas que exaltem sua própria comunidade, sua história ou figuras
importantes da escola.
2. As Motivações Principais (O
"Porquê")
- Relevância Social/Histórica: Temas
sobre racismo, ancestralidade afro-brasileira, lutas de resistência,
figuras marginalizadas ou defesa da Amazônia são muito comuns e fortes.
- Exaltação Cultural: Homenagens a
artistas, personalidades da música, literatura, ou celebração de regiões
brasileiras.
- Temas Biográficos: Focar na vida de um
ícone (ex: Ney Matogrosso, Rosa Magalhães, líderes comunitários) para
gerar identificação.
- Sugestões da Comunidade: Ideias podem
surgir de membros da bateria, compositores ou da própria comunidade da
escola, sendo levadas ao presidente para aprovação.
3. O Processo de Escolha
- Planejamento Pós-Carnaval: Assim que o
carnaval acaba, a equipe de criação começa a pensar no próximo.
- A Sinopse: O carnavalesco cria um texto
base (sinopse) explicando a história. Esta sinopse é "lançada"
aos compositores da escola, que criarão os sambas-enredo baseados nesse
texto.
- Concurso de Samba: A melhor proposta de
samba, que melhor traduzir a motivação do enredo, vence.
- Atualização e Relevância: A escolha
tende a refletir o contexto do país e o "momento" da escola,
visando impacto visual e musical.
4. O Enredo de 2026
Para o carnaval de 2026, as
escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro demonstram uma forte tendência
a enredos biográficos e de personagens históricos
marginalizados, com foco na cultura afro-brasileira e figuras de
resistência, buscando reafirmar seu papel no debate público.
Detalhes do Enredo
A agremiação, que ascendeu à
elite após vencer a Série Ouro em 2025, utilizou seu desfile para narrar a
trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os principais
pontos abordados foram:
- Origens: A história de superação desde
o nascimento no Nordeste até a vida como operário. Trajetória Política: O
surgimento como liderança sindical e a ascensão à presidência da
República. Simbologia: O "Mulungu", árvore
mencionada no título, serviu como metáfora para as raízes e a resistência
do homenageado.
Contexto do Desfile
- Repercussão: O tema gerou debates
intensos e tentativas judiciais de impedir a exibição, devido ao caráter
político em ano eleitoral, mas o desfile ocorreu conforme o planejado.
- Elementos Marcantes: O desfile contou
com representações críticas a figuras políticas opositoras e celebrações à
história do Partido dos Trabalhadores (PT).
Elementos Reprováveis
(Críticas e Polêmicas)
- Politicagem e Propaganda: Críticos e
políticos da oposição classificaram o enredo como uma forma de
"propaganda eleitoral" ou “campanha política disfarçada de
homenagem”, questionando a isenção no uso do espaço público do carnaval.
- Riscos de Financiamento: O Tribunal de
Contas da União (TCU) recomendou a suspensão de um repasse federal de R$ 1
milhão, via Embratur, à escola, levantando questões sobre o financiamento
público de um enredo com viés político partidário.
- Divisão e Reação Política: O tema gerou
reações negativas imediatas de setores da oposição, gerando um ambiente de
polarização em torno do desfile.
- Percepção de "Enredo Pobre": Parte
da crítica especializada considerou a temática tosca e mal construída,
focando mais na pessoa política do que na riqueza cultural ou
narrativa.
Enredo da acadêmicos de
Niterói, crítica à família tradicional brasileira, aos conservadores, aos
cristãos
Causou intensa controvérsia por
suas sátiras sociais direcionadas a setores conservadores. As principais
críticas e representações no desfile foram:
- Ala "Neoconservadores em Conserva":
A escola apresentou componentes fantasiados como latas de alimento com o
rótulo "família", dentro das quais estavam representadas figuras
associadas à família tradicional brasileira (composta por pai,
mãe e filhos), evangélicos (com Bíblias na mão), ruralistas e defensores do
regime militar.
- Crítica ao Conservadorismo: A alegoria foi
interpretada como uma sátira ao "imobilismo" ou à visão
retrógrada desses grupos, simbolizando que estariam "parados no
tempo" ou "em conserva".
- Reação de Grupos Cristãos e Políticos:
Lideranças da Frente Parlamenta Evangélica e políticos como o governador
Romeu Zema classificaram a ala como "preconceito religioso" e
"deboche" à fé cristã, com promessas de acionar a justiça.
- Foco do Enredo: Embora a polêmica tenha
dominado as redes, o enredo principal focou na trajetória de Luiz Inácio
Lula da Silva, desde suas origens no Nordeste até seu terceiro mandato
como presidente.
Detalhes do Episódio:
- A Proposta Artística: Segundo a escola, a
ala foi uma sátira social ao conservadorismo e ao que chamaram de
"falsos valores".
- Reações e Críticas: A alegoria foi duramente
criticada por líderes evangélicos e políticos de direita, que classificaram
o ato como desrespeito à fé cristã e intolerância religiosa.
O episódio reacendeu discussões
intensas nas redes sociais sobre os limites da liberdade de expressão artística
no Carnaval e a polarização política no Brasil.
https://www.gazetadopovo.com.br/republica/familias-em-conserva-direita-provocacao-desfile/
Principais pontos da reação:
1. Mobilização nas Redes
Sociais ("Trend")
Parlamentares e influenciadores
de direita lançaram uma "trend" (tendência) utilizando a imagem da
"família em conserva" para ressignificar o deboche feito na
Sapucaí.
- Mensagem central: As postagens enfatizam que
a família tradicional não está "presa" ou
"ultrapassada", mas sim baseada em princípios, valores e
heranças que resistem ao tempo.
- Bordões: Frases como "Família é
propósito" e "Deus, Pátria e Família" foram amplamente
compartilhadas para contrapor a sátira.
2. Reações de Lideranças
Políticas e Religiosas
- Michelle Bolsonaro: A ex-primeira-dama
criticou duramente o desfile, afirmando que a ala foi um desrespeito aos
evangélicos e aos grupos conservadores do país.
- Romeu Zema: O governador de Minas Gerais
anunciou que entraria com uma ação na Justiça contra o que considerou uma
ofensa à família tradicional.
- Bancada Evangélica: Políticos como Rogério
Marinho (PL-RN) e Sóstenes Cavalcante (PL)
expressaram revolta, classificando a representação como um ataque direto à
fé e aos valores de milhões de brasileiros.
3. Argumentos e Medidas
Jurídicas
- Questionamento de Recursos: Houve
críticas ao uso de recursos públicos (estimados em R$ 5 milhões) para
um desfile com teor político e sátiras a grupos específicos.
- Ação na PGR e TSE: A oposição acionou órgãos
como a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) para investigar possíveis
irregularidades e propaganda eleitoral antecipada no enredo que homenageou
o presidente Lula.
A ala em questão utilizava
o número 22 (número do Partido Liberal) e fantasias em formato
de lata que continham ilustrações de pais, mães, filhos, militares e
evangélicos, simbolizando o que a escola descreveu como grupos que atuam em
forte oposição às pautas do governo atual.
As principais reações
incluíram:
- Acusações de Intolerância Religiosa: Líderes
religiosos e políticos classificaram a alegoria como um ataque direto à fé
cristã, afirmando que o desfile ultrapassou os limites da sátira e do
deboche, o que foi interpretado como uma ridicularização da fé evangélica
e cristã.
- Ações Judiciais: Membros da oposição e
partidos políticos, como o Novo, anunciaram intenções de
acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) e medidas
judiciais por desrespeito religioso e conteúdo político.
- Críticas ao Enredo: Como o desfile
homenageava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a
representação de evangélicos como "enlatados" foi vista por
muitos cristãos como uma tentativa de rotular o segmento como retrógrado
ou ignorante.
- Mobilização em Redes Sociais: Diversos
perfis cristãos, chamaram o episódio de "escárnio" e "crime
em TV aberta", argumentando que grupos religiosos merecem respeito e
dignidade. O episódio reacendeu o debate histórico sobre os limites
da liberdade de expressão artística no Carnaval quando esta envolve
símbolos e dogmas religiosos.
Uma visão bíblica do escarnio
da escola de samba que rotulou cristãos em lata de conserva
A representação de
cristãos/evangélicos em "latas de conserva" durante o desfile da
Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026 (ala "Neoconservadores em
Conserva") gerou forte reação e foi interpretada por muitos como um ato de
escárnio e deboche à fé cristã. A visão bíblica sobre esse tipo de zombaria
centra-se na advertência sobre o desprezo aos valores divinos e na perseguição
aos fiéis.
- A Zombaria contra Deus e seus mensageiros: A
Bíblia adverte que zombar dos valores de Deus é grave. Em 2 Crônicas
36:16, relata-se que o deboche aos mensageiros de Deus e a mofa dos seus
profetas trouxeram juízo, pois "já não houve remédio".
- O Escárnio nos últimos dias: As
Escrituras preveem que nos últimos dias viriam escarnecedores, guiados por
suas próprias paixões, zombando da fé e da promessa de Deus (2 Pedro
3:3-7).
- A Colheita da Zombaria: Provérbios
19:29 declara: "O castigo está preparado para os zombadores, e as
costas dos tolos, para os açoites".
- Consequência de Zombar da Fé: O ato de
reduzir a fé cristã a estereótipos ou deboche é visto na perspectiva
bíblica como uma afronta que, embora culturalmente permitida, está sujeita
ao juízo divino (Romanos 14:11-12).
Reações Cristãs e Análise:
- Deboche, não crítica: A ala foi
descrita não como uma crítica construtiva, mas como "deboche" e
"sátira" ao conservadorismo, incluindo cristãos como alvos
caricatos, retratando-os com uma Bíblia na mão dentro da lata,
simbolizando uma suposta ignorância.
- Fé em Conserva vs. Vida no Espírito: Cristãos
reagiram argumentando que, se a intenção foi sugerir que os valores
bíblicos estão "conservados" ou presos, a resposta cristã é de
orgulho por defender tais valores (fidelidade, família) em contrapartida à
inversão de valores.
- Contexto de Intolerância: A
representação foi vista por lideranças religiosas como uma forma de
intolerância, apontando que se religiões de matriz africana ou o islamismo
fossem caricaturados da mesma maneira, a reação seria imediata.
A atitude recomendada na
Bíblia:
Diante da zombaria, a Bíblia não
incentiva o contra-ataque ou o ódio, mas sim:
- Abençoar: "Abençoai os que vos
perseguem; abençoai, e não amaldiçoeis" (Romanos 12:14).
- Firmeza: Manter a fé inabalável,
entendendo que a perseguição (e o deboche) pode ocorrer por causa de
Cristo (Mateus 5:10-12).
Concluindo: todo e
qualquer estadista que se preze agrega seus governados, não estimula o
divisionismo. Esse estadista tem a perfeita consciência que uma nação é
constituída por um grupo de pessoas com identidade coletiva forte, unidas por
história, língua, cultura, etnia ou religião, criando um senso de pertencimento
comum. Na rara oportunidade de mostrar capacidade de agregar deixa-se mostrar o
espírito rancoroso do “eles contra nós”? Não é de bom tom.
Por Edson Silva, 17 de
fevereiro de 2026
Fontes: Visão geral criada
por IA



