Mestre em Ciências da Saúde, UnB; Auditor ISO 14.000; Auditor CONAMA 306; Pesquisador Saúde Pública

Minha foto
Desde muito cedo despertei o interesse para entender o sentido de “Gigante pela própria natureza” inscrito em nosso belo Hino Nacional Brasileiro. No meu pequeno mundo isso tinha formato de um sonho. Sempre acreditei que o trabalho produziria um Futuro que espelha essa grandeza. Entretanto, não poderíamos esperar “Deitado eternamente em berço esplendido”. Então, me debrucei sobre os livros e outros informes. A história da expansão territorial do Brasil ainda tem sido pouco pesquisada por nossa historiografia, apesar da importância estratégica e atual que reveste a questão. O potencial dos seis Biomas do Brasil nos credencia a produzir alimento para parte significativa dos 195 países do globo. Certo que temos problemas maiúsculos na seara da saúde de nosso povo, saúde primária, saúde regionais, saúde provenientes de epidemias e pandemia novo coronavírus. Nada que planejamentos estratégicos, planos de governo e planos de estado, com boa vontade e união de governantes não possam resolver.

domingo, 15 de março de 2026

Terras raras e o mercado global de transição energética.

Onde estão localizadas/mapeadas as maiores reservas de terras raras no globo.

As terras-raras estão no centro da transição energética, da inovação tecnológica e da soberania digital, mas seguem invisíveis para a maior parte das pessoas (Francisco Valdir Silveira).

Fico me perguntando. Uma gama de países mundo afora mergulhou no universo das terras-raras para entender por que esses minerais estão no centro das discussões geopolíticas; quando inserimos o Brasil, dono de quase um quarto das reservas mundiais, observamos ainda não ter encontrado o caminho para discutir esse potencial em desenvolvimento tecnológico e industrial, quanto mais ​ mapear, extrair, refinar, processar, e exportar tecnologia. Quando muito ainda estamos na fase exportação de commodities.

China: Detém as maiores reservas (44%) e controla a maior parte da produção e refino mundial.

Brasil: Concentra cerca de 23% das reservas globais conhecidas, especialmente no Planalto de Poços de Caldas (MG), Araxá (MG), Catalão (GO), Pitinga (AM) e áreas em Roraima. Áreas marinhas: A "Elevação do Rio Grande", no Oceano Atlântico, a 1.200 km da costa do Rio Grande do Sul, é uma área rica em terras raras, com pedidos de exploração pelo Brasil. 

Outros países: Vietnã, Rússia e Austrália possuem reservas significativas.

https://www.instagram.com/p/DNvKtrB2nZD/

O mundo já tem mapeado todas as reservas de terras raras?

Não, o mundo não tem todas as reservas de terras raras mapeadas. Embora o U.S. Geological Survey (USGS) estime as reservas mundiais conhecidas em mais de 110-130 milhões de toneladas, as terras raras são, na verdade, relativamente abundantes na crosta terrestre, mas difíceis de encontrar em concentrações economicamente viáveis (depósitos). 

Aqui estão os pontos chave sobre o mapeamento atual:

- Prospecção em Andamento: Novas áreas continuam a ser descobertas à medida que a tecnologia de busca evolui, como evidenciado pelo complexo de Poços de Caldas (MG) no Brasil.

- A "Corrida" Atual: Países estão ativamente mapeando e buscando novas fontes para diminuir a dependência da China, que domina tanto as reservas quanto o processamento.

- Reservas vs. Recursos: O mapeamento foca principalmente em "reservas" (tecnicamente e economicamente viáveis). Os "recursos" (potencial geológico ainda não totalmente explorado) são muito maiores.

- Concentração de Dados: As maiores reservas conhecidas estão na China, Vietnã, Brasil, Rússia, Índia e Austrália, mas muitas áreas do planeta não foram detalhadamente exploradas para esses minérios. 

- O Brasil, por exemplo, é um dos principais detentores, mas apenas parte (30%) do seu território foi mapeada em detalhe. Portanto, o mapeamento é um processo contínuo e longe de ser finalizado. 

A China tem total domínio do mercado– Mapeamento, extração, refino e processamento

A China possui um mapeamento extremamente avançado e consolidado de seu território para identificação de terras raras, o que sustenta o seu domínio global na cadeia produtiva, mas dizer que o país tem "todo o território mapeado" de forma exaustiva pode ser um exagero geológico. No entanto, a China tem as reservas mais bem mapeadas e exploradas do mundo. 

O panorama do mapeamento chinês:

- Domínio Geológico: A China controla aproximadamente 60% da mineração mundial e mais de 90% do processamento e refino de terras raras (especialmente as pesadas). Esse controle foi construído sobre um mapeamento geológico de longo prazo e um planejamento estatal forte.

- Concentração em Regiões-Chave: O mapeamento chinês não é uniforme em todo o território, mas altamente eficiente onde importa. A maior parte das terras raras é encontrada e mapeada no sul da China (como na província de Jiangxi) e em áreas como a Mongólia Interior (Bayan Obo), com argilas ionizadas tropicais sendo o foco principal.

- Mapeamento em Atualização Contínua: Em 2024 e 2025, a China continuou a expandir a exploração e o mapeamento para aumentar suas reservas estratégicas e manter sua posição de liderança, mesmo após décadas de domínio.

- Planejamento Estatal: O governo chinês, através de empresas consolidadas, estabeleceu "zonas de mineração de terras raras" baseadas no mapeamento detalhado, focando tanto na extração quanto na proteção ambiental, ao mesmo tempo em que controla estritamente a produção. 

Embora a China possua quase metade das reservas conhecidas do mundo e tenha mapeado a maior parte de suas áreas de maior potencial, a busca por novos depósitos continua indicando que o mapeamento é um processo contínuo e não finalizado.

Que estudos o Brasil já fez sobre minerais estratégicos

O Brasil tem intensificado os estudos (de maneira tímida) sobre terras raras, concentrando esforços em mapeamento geológico, identificação de novas jazidas e, mais recentemente, no desenvolvimento de tecnologia de processamento para dominar a cadeia produtiva. O país possui a segunda maior reserva mundial de elementos de terras raras, com cerca de 21 a 25 milhões de toneladas, distribuídas principalmente em MG, GO, AM, BA e SE. 

Principais Estudos e Iniciativas:

- Mapeamento pelo SGB/CPRM: O Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) realiza o monitoramento e mapeamento de recursos minerais, focando em áreas como Bahia, Minas Gerais e a Amazônia.

- Novas Descobertas no RS: Pesquisadores da UFSM, UFRGS e Unipampa identificaram rochas com concentrações de terras raras superiores às da China em Caçapava do Sul (RS).

- Descoberta em Poços de Caldas (MG): Estudos confirmaram uma das maiores reservas mundiais na região, com grande potencial de exploração de argila iônica.

- Desenvolvimento de Processamento (LabFabITR): O Brasil tem focado no desenvolvimento de tecnologias para o processamento e separação de terras raras, visando reduzir a dependência da China, incluindo a criação do Laboratório de Extração de Terras Raras.

- Aplicações e Usos (CGEE): Estudos do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) analisaram os usos e aplicações de terras raras no Brasil entre 2012 e 2030, focando no desenvolvimento industrial.

- Estudos de viabilidade na Bahia: Pesquisas na Bahia, especificamente em Novo Horizonte, confirmaram a presença de elementos como cério, neodímio e ítrio, com alto potencial de exploração. 

Oportunidades e Desafios:

Apesar da grande reserva (23% do total global), o Brasil engatinha no refino e processamento, comercializando majoritariamente o concentrado, muitas vezes exportado para a China. Estudos indicam a necessidade de avançar nas etapas de separação para agregar valor, além de monitorar impactos ambientais e sociais na mineração. Recentemente, a Serra Verde (GO) se tornou um projeto operacional, recebendo investimentos internacionais. 

Quem realiza o mapeamento de terras raras no Brasil

O mapeamento de terras raras no Brasil é realizado principalmente pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), órgão federal responsável por identificar áreas com potencial mineral, geofísico e geoquímico. O SGB atua para subsidiar a avaliação de viabilidade técnica e econômica desses materiais estratégicos no país. 

- Responsáveis pelo mapeamento: O SGB, vinculado ao Ministério de Minas e Energia (MME), lidera o "supermapeamento" geológico para identificar depósitos em regiões prioritárias.

- Locais de destaque: As pesquisas estão concentradas em estados como Minas Gerais (incluindo o oeste mineiro), Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe.

- Apoio técnico: Outras instituições como o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) e universidades federais, como a UFSC e USP, contribuem para estudos e desenvolvimento tecnológico na área.

- Iniciativas recentes: O governo federal está fortalecendo o mapeamento para aumentar a independência nacional na produção, com o primeiro laboratório de extração operando em Poços de Caldas (MG). 

O Brasil possui cerca de 1/4 dos depósitos mundiais de terras raras, tornando o mapeamento essencial para o desenvolvimento de ímãs permanentes e tecnologias sustentáveis. 

Que regiões do Brasil já foram mapeadas visando encontrar terras raras

O mapeamento e a pesquisa de terras raras (elementos cruciais para tecnologias de transição energética) no Brasil têm se concentrado em regiões com complexos geológicos alcalinos, carbonatitos e argilas iônicas, com destaque para Minas Gerais, Goiás e Pará, além de áreas de pesquisa recentes na Região Sul. 

As principais áreas mapeadas e com alto potencial incluem:

- Minas Gerais (Sudeste): A região de Poços de Caldas e Caldas é uma das mais importantes, com jazidas associadas a complexos vulcânicos. Outros locais mapeados são Araxá e Tapira.

- Goiás (Centro-Oeste): Destaque para áreas em Catalão e Minaçu, esta última conhecida por conter argilas iônicas, um tipo de depósito de alto valor para terras raras.

- Pará (Norte): A região de Pitinga e áreas no sudoeste do Pará e Carajás têm sido alvo de estudos por seu potencial granítico e carbonatítico.

- Rio Grande do Sul (Sul): Pesquisas recentes (2025) identificaram altas concentrações de terras raras em rochas de carbonatito na região de Caçapava do Sul.

- Nordeste: Pernambuco, Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte têm apresentado um número crescente de requerimentos e autorizações de pesquisa.

- Outras regiões: Locais em São Paulo (Jacupiranga e Itapirapuã), Rondônia, Tocantins e Amazonas também contam com áreas sendo mapeadas. 

Apesar de o Brasil deter uma das maiores reservas mundiais de terras raras, apenas cerca de 30% do potencial mineral brasileiro foi monitorado detalhadamente, com o governo realizando novas pesquisas para expandir esse conhecimento. 

Onde no Brasil existem potenciais complexos geológicos alcalinos, carbonatitos e argilas iônicas?

O Brasil possui um enorme potencial para esses recursos, com ocorrências destacadas principalmente em áreas de rochas alcalinas e carbonatitos, muitas vezes alteradas pelo intemperismo (formando argilas iônicas). 

Aqui estão as principais regiões com potencial geológico para complexos alcalinos, carbonatitos e argilas iônicas (terras raras):

1. Minas Gerais (Sul e Oeste) - O "Hotspot" Principal

- Araxá: Complexo do Barreiro. Considerado um dos maiores depósitos de nióbio e terras raras do mundo, associado a um grande carbonatito.

- Poços de Caldas: Maciço Alcalino de Poços de Caldas. Possui complexos alcalinos que sofreram intenso intemperismo, criando depósitos de argilas iônicas com altas concentrações de terras raras (pesados e leves).

- Tapira: Complexo carbonatítico com alto potencial para fosfato, nióbio e terras raras.

- Serra Negra e Salitre: Outros complexos alcalinos na região da Província do Alto Paranaíba. 

2. Goiás (Centro-Oeste)

- Catalão/Ouvidor: Província Alcalina de Goiás. Similar a Araxá, possui complexos carbonatíticos (como o de Catalão I) com mineração ativa de fosfato e alto potencial para terras raras.

- Minaçu: Ocorrências de argilas iônicas e complexos alcalinos.

3. São Paulo (Vale do Ribeira) 

- Jacupiranga (Cajati): Complexo alcalino-carbonatítico clássico. Produz fosfato e calcário, com potencial residual de terras raras.

- Registro e Pariquera-Açu: Área de corpos alcalinos mesozóicos. 

4. Região Nordeste e Outros Estados

- Bahia (Angico dos Dias): Complexo metacarbonatítico.

- Pará (Maicuru/Mutum): Complexo alcalino carbonatítico.

- Província Borborema (RN/PB): Magmatismo alcalino ultrapotássico. 

Os depósitos de argilas iônicas no Brasil são os mais cobiçados atualmente para a produção de Terras Raras (TR), especialmente pela facilidade de extração em comparação aos depósitos de rocha dura. As regiões de Poços de Caldas e Catalão estão na vanguarda da pesquisa e exploração de argilas de adsorção iônica (absorção iônica). 

Na região Amazônica há possibilidade de encontrar complexos geológicos alcalinos, carbonatitos e argilas iônicas? Já realizaram iniciaram processo de mapeamento?

Sim, a região Amazônica possui um potencial geológico significativo para complexos alcalinos, carbonatitos e argilas iônicas (ricos em Terras Raras - ETRs). Mapeamentos e estudos têm sido realizados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) e universidades, embora o conhecimento detalhado ainda esteja em expansão.

Aqui estão os pontos principais sobre o tema:

- Complexos Alcalinos e Carbonatitos: Existem diversas ocorrências mapeadas, principalmente nos escudos cristalinos (Guianas e Brasileiro). O exemplo mais expressivo é o Complexo de Seis Lagos, em São Gabriel da Cachoeira (AM), que abriga um grande depósito de nióbio e terras raras em lateritas (carbonatito siderítico). Outros exemplos incluem o complexo de Maicuru (PA).

- Argilas Iônicas (Adsorção em Argila): É um alvo geológico mais recente, mas com alto potencial. O intemperismo intenso na região amazônica facilita a formação de argilas (como caulinita) que adsorvem elementos terras raras leves e pesados, similares aos depósitos da China. Áreas no Pará e Roraima têm mostrado altas concentrações em levantamentos recentes.

- Mapeamento: O SGB/CPRM realiza mapeamento geológico contínuo. No entanto, a densidade de informações em algumas áreas ainda é baixa devido à cobertura vegetal e acesso. O uso de geofísica (magnetometria e gravimetria) é o principal método para detectar esses complexos ocultos. 

Resumo da situação: O potencial é altíssimo, com mapeamento preliminar concluído em muitas áreas e estudos de detalhe em andamento em áreas como o Amazonas e Pará.

Conclusão: terras raras são um ativo estratégico para a soberania nacional e transição energética e precisamos estabelecer políticas de governo claras focando, em parcerias internacionais para o processamento e refino, só assim não seremos apenas exportadores de matéria prima. Aumentar competitividade no cenário geopolítico, concentrando em pesquisas de nossos ativos de reservas minerais (não apenas em terras raras) para desenvolver indústrias de alta tecnologia tem que mirar esse alvo como desafio de uma política de estado.

Ao estender o olhar para os problemas nacionais noto uma miopia política – criar problemas tem sido a prioridade. Focar em soluções não é meta para o desenvolvimento nacional.

Em 1995 o PIB nominal do Brasil era de US$ 769 bilhões, portanto superior ao PIB da China de US$ 735 bilhões. Em 2025 o PIB nominal do Brasil foi de US$ 2,268 trilhões, enquanto o PIB da China US$ 19,5 trilhões. Dedução: nosso modelo de governança (executivo, legislativo, judiciário) está totalmente superado. Hoje nosso PIB representa 12% da China, isso em 30 anos.

Por Edson Silva, 15/3/2026

Fontes:

Visão geral criada por IA

https://www.poder360.com.br/poder-economia/antes-mais-rico-brasil-tem-agora-12-do-pib-chines-e-56-do-indiano/

Nenhum comentário:

Postar um comentário