Onde estão localizadas/mapeadas as maiores reservas de terras raras no globo.
As
terras-raras estão no centro da transição energética, da inovação tecnológica e
da soberania digital, mas seguem invisíveis para a maior parte das pessoas
(Francisco Valdir Silveira).
Fico me
perguntando. Uma gama de países mundo afora mergulhou no universo das
terras-raras para entender por que esses minerais estão no centro das
discussões geopolíticas; quando inserimos o Brasil, dono de quase um quarto das
reservas mundiais, observamos ainda não ter encontrado o caminho para discutir
esse potencial em desenvolvimento tecnológico e industrial, quanto mais mapear,
extrair, refinar, processar, e exportar tecnologia. Quando muito ainda estamos
na fase exportação de commodities.
China: Detém
as maiores reservas (44%) e controla a maior parte da produção e refino
mundial.
Brasil: Concentra
cerca de 23% das reservas globais conhecidas, especialmente no Planalto de
Poços de Caldas (MG), Araxá (MG), Catalão (GO), Pitinga (AM) e áreas em
Roraima. Áreas marinhas: A "Elevação do Rio
Grande", no Oceano Atlântico, a 1.200 km da costa do Rio Grande do Sul, é
uma área rica em terras raras, com pedidos de exploração pelo Brasil.
Outros
países: Vietnã, Rússia e Austrália possuem reservas significativas.
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O mundo já tem mapeado todas as reservas de terras raras?
Não, o
mundo não tem todas as reservas de terras raras mapeadas. Embora o
U.S. Geological Survey (USGS) estime as reservas mundiais conhecidas em mais de
110-130 milhões de toneladas, as terras raras são, na verdade, relativamente
abundantes na crosta terrestre, mas difíceis de encontrar em concentrações
economicamente viáveis (depósitos).
Aqui estão os pontos chave sobre
o mapeamento atual:
- Prospecção em
Andamento: Novas áreas continuam a ser descobertas à medida que a
tecnologia de busca evolui, como evidenciado pelo complexo de Poços de Caldas
(MG) no Brasil.
- A "Corrida"
Atual: Países estão ativamente mapeando e buscando novas fontes para
diminuir a dependência da China, que domina tanto as reservas quanto o
processamento.
- Reservas vs. Recursos: O
mapeamento foca principalmente em "reservas" (tecnicamente e
economicamente viáveis). Os "recursos" (potencial geológico ainda não
totalmente explorado) são muito maiores.
- Concentração de Dados: As
maiores reservas conhecidas estão na China, Vietnã, Brasil, Rússia, Índia e
Austrália, mas muitas áreas do planeta não foram detalhadamente exploradas para
esses minérios.
- O Brasil, por exemplo, é um dos
principais detentores, mas apenas parte (30%) do seu território foi mapeada em
detalhe. Portanto, o mapeamento é um processo contínuo e longe de ser
finalizado.
A China tem total
domínio do mercado– Mapeamento, extração, refino e processamento
A China possui
um mapeamento extremamente avançado e consolidado de seu território para
identificação de terras raras, o que sustenta o seu domínio global na cadeia
produtiva, mas dizer que o país tem "todo o território mapeado" de
forma exaustiva pode ser um exagero geológico. No entanto, a China tem as
reservas mais bem mapeadas e exploradas do mundo.
O panorama do
mapeamento chinês:
- Domínio
Geológico: A China controla aproximadamente 60% da mineração mundial e
mais de 90% do processamento e refino de terras raras (especialmente as
pesadas). Esse controle foi construído sobre um mapeamento geológico de longo
prazo e um planejamento estatal forte.
- Concentração
em Regiões-Chave: O mapeamento chinês não é uniforme em todo o
território, mas altamente eficiente onde importa. A maior parte das terras
raras é encontrada e mapeada no sul da China (como na província de Jiangxi) e
em áreas como a Mongólia Interior (Bayan Obo), com argilas ionizadas tropicais
sendo o foco principal.
- Mapeamento
em Atualização Contínua: Em 2024 e 2025, a China continuou a expandir
a exploração e o mapeamento para aumentar suas reservas estratégicas e manter
sua posição de liderança, mesmo após décadas de domínio.
- Planejamento
Estatal: O governo chinês, através de empresas consolidadas,
estabeleceu "zonas de mineração de terras raras" baseadas no
mapeamento detalhado, focando tanto na extração quanto na proteção ambiental,
ao mesmo tempo em que controla estritamente a produção.
Embora a China possua quase
metade das reservas conhecidas do mundo e tenha mapeado a maior parte de suas
áreas de maior potencial, a busca por novos depósitos continua indicando que o
mapeamento é um processo contínuo e não finalizado.
Que estudos o Brasil já fez
sobre minerais estratégicos
O Brasil tem intensificado os
estudos (de maneira tímida) sobre terras raras, concentrando esforços
em mapeamento geológico, identificação de novas jazidas e, mais
recentemente, no desenvolvimento de tecnologia de processamento para dominar a
cadeia produtiva. O país possui a segunda maior reserva mundial de elementos de
terras raras, com cerca de 21 a 25 milhões de toneladas, distribuídas
principalmente em MG, GO, AM, BA e SE.
Principais Estudos e
Iniciativas:
- Mapeamento pelo SGB/CPRM: O
Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) realiza o monitoramento e mapeamento de
recursos minerais, focando em áreas como Bahia, Minas Gerais e a Amazônia.
- Novas Descobertas no RS: Pesquisadores
da UFSM, UFRGS e Unipampa identificaram rochas com concentrações de terras
raras superiores às da China em Caçapava do Sul (RS).
- Descoberta em Poços de
Caldas (MG): Estudos confirmaram uma das maiores reservas mundiais na
região, com grande potencial de exploração de argila iônica.
- Desenvolvimento de
Processamento (LabFabITR): O Brasil tem focado no desenvolvimento de
tecnologias para o processamento e separação de terras raras, visando reduzir a
dependência da China, incluindo a criação do Laboratório de Extração de Terras
Raras.
- Aplicações e Usos (CGEE): Estudos
do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) analisaram os usos e
aplicações de terras raras no Brasil entre 2012 e 2030, focando no
desenvolvimento industrial.
- Estudos de viabilidade na
Bahia: Pesquisas na Bahia, especificamente em Novo Horizonte,
confirmaram a presença de elementos como cério, neodímio e ítrio, com alto
potencial de exploração.
Oportunidades e Desafios:
Apesar da grande reserva (23% do
total global), o Brasil engatinha no refino e processamento, comercializando
majoritariamente o concentrado, muitas vezes exportado para a China. Estudos
indicam a necessidade de avançar nas etapas de separação para agregar valor,
além de monitorar impactos ambientais e sociais na mineração. Recentemente, a
Serra Verde (GO) se tornou um projeto operacional, recebendo investimentos
internacionais.
Quem realiza o mapeamento de
terras raras no Brasil
O mapeamento de terras raras no
Brasil é realizado principalmente pelo Serviço Geológico do Brasil
(SGB/CPRM), órgão federal responsável por identificar áreas com potencial
mineral, geofísico e geoquímico. O SGB atua para subsidiar a avaliação de viabilidade
técnica e econômica desses materiais estratégicos no país.
- Responsáveis pelo
mapeamento: O SGB, vinculado ao Ministério de Minas e Energia (MME),
lidera o "supermapeamento" geológico para identificar depósitos em
regiões prioritárias.
- Locais de destaque: As
pesquisas estão concentradas em estados como Minas Gerais (incluindo o oeste
mineiro), Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe.
- Apoio técnico: Outras
instituições como o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN),
Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) e universidades federais,
como a UFSC e USP, contribuem para estudos e desenvolvimento tecnológico na
área.
- Iniciativas recentes: O
governo federal está fortalecendo o mapeamento para aumentar a independência
nacional na produção, com o primeiro laboratório de extração operando em Poços
de Caldas (MG).
O Brasil possui cerca de 1/4 dos
depósitos mundiais de terras raras, tornando o mapeamento essencial para o
desenvolvimento de ímãs permanentes e tecnologias sustentáveis.
Que regiões do Brasil já foram
mapeadas visando encontrar terras raras
O mapeamento e a pesquisa de
terras raras (elementos cruciais para tecnologias de transição energética) no
Brasil têm se concentrado em regiões com complexos geológicos alcalinos,
carbonatitos e argilas iônicas, com destaque para Minas Gerais, Goiás e Pará,
além de áreas de pesquisa recentes na Região Sul.
As principais áreas mapeadas e
com alto potencial incluem:
- Minas Gerais (Sudeste): A
região de Poços de Caldas e Caldas é uma das mais
importantes, com jazidas associadas a complexos vulcânicos. Outros locais
mapeados são Araxá e Tapira.
- Goiás
(Centro-Oeste): Destaque para áreas em Catalão e Minaçu,
esta última conhecida por conter argilas iônicas, um tipo de depósito de alto
valor para terras raras.
- Pará (Norte): A região
de Pitinga e áreas no sudoeste do Pará e Carajás têm sido alvo de
estudos por seu potencial granítico e carbonatítico.
- Rio Grande do Sul
(Sul): Pesquisas recentes (2025) identificaram altas concentrações de
terras raras em rochas de carbonatito na região de Caçapava do Sul.
- Nordeste: Pernambuco,
Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte têm apresentado um número crescente de
requerimentos e autorizações de pesquisa.
- Outras regiões: Locais em
São Paulo (Jacupiranga e Itapirapuã), Rondônia, Tocantins e Amazonas também
contam com áreas sendo mapeadas.
Apesar de o Brasil deter uma das
maiores reservas mundiais de terras raras, apenas cerca de 30% do potencial
mineral brasileiro foi monitorado detalhadamente, com o governo realizando
novas pesquisas para expandir esse conhecimento.
Onde no Brasil existem
potenciais complexos geológicos alcalinos, carbonatitos e argilas iônicas?
O Brasil possui um enorme
potencial para esses recursos, com ocorrências destacadas principalmente em
áreas de rochas alcalinas e carbonatitos, muitas vezes alteradas
pelo intemperismo (formando argilas iônicas).
Aqui estão as principais regiões
com potencial geológico para complexos alcalinos, carbonatitos e argilas
iônicas (terras raras):
1. Minas Gerais (Sul e Oeste)
- O "Hotspot" Principal
- Araxá: Complexo do
Barreiro. Considerado um dos maiores depósitos de nióbio e terras raras do
mundo, associado a um grande carbonatito.
- Poços de Caldas: Maciço
Alcalino de Poços de Caldas. Possui complexos alcalinos que sofreram intenso
intemperismo, criando depósitos de argilas iônicas com altas
concentrações de terras raras (pesados e leves).
- Tapira: Complexo
carbonatítico com alto potencial para fosfato, nióbio e terras raras.
- Serra Negra e Salitre: Outros
complexos alcalinos na região da Província do Alto Paranaíba.
2. Goiás (Centro-Oeste)
- Catalão/Ouvidor: Província
Alcalina de Goiás. Similar a Araxá, possui complexos carbonatíticos (como o de
Catalão I) com mineração ativa de fosfato e alto potencial para terras raras.
- Minaçu: Ocorrências
de argilas iônicas e complexos alcalinos.
3. São Paulo (Vale do
Ribeira)
- Jacupiranga (Cajati): Complexo
alcalino-carbonatítico clássico. Produz fosfato e calcário, com potencial
residual de terras raras.
- Registro e Pariquera-Açu: Área
de corpos alcalinos mesozóicos.
4. Região Nordeste e Outros
Estados
- Bahia (Angico dos Dias): Complexo
metacarbonatítico.
- Pará (Maicuru/Mutum): Complexo
alcalino carbonatítico.
- Província Borborema (RN/PB): Magmatismo
alcalino ultrapotássico.
Os depósitos de argilas
iônicas no Brasil são os mais cobiçados atualmente para a produção
de Terras Raras (TR), especialmente pela facilidade de extração em
comparação aos depósitos de rocha dura. As regiões de Poços de Caldas e Catalão
estão na vanguarda da pesquisa e exploração de argilas de adsorção iônica
(absorção iônica).
Na região Amazônica há
possibilidade de encontrar complexos geológicos alcalinos, carbonatitos e
argilas iônicas? Já realizaram iniciaram processo de mapeamento?
Sim, a região Amazônica
possui um potencial geológico significativo para complexos alcalinos,
carbonatitos e argilas iônicas (ricos em Terras Raras - ETRs). Mapeamentos e
estudos têm sido realizados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) e
universidades, embora o conhecimento detalhado ainda esteja em expansão.
Aqui estão os pontos principais
sobre o tema:
- Complexos Alcalinos e
Carbonatitos: Existem diversas ocorrências mapeadas, principalmente
nos escudos cristalinos (Guianas e Brasileiro). O exemplo mais expressivo é
o Complexo de Seis Lagos, em São Gabriel da Cachoeira (AM), que
abriga um grande depósito de nióbio e terras raras em lateritas (carbonatito
siderítico). Outros exemplos incluem o complexo de Maicuru (PA).
- Argilas Iônicas (Adsorção em
Argila): É um alvo geológico mais recente, mas com alto potencial. O
intemperismo intenso na região amazônica facilita a formação de argilas (como
caulinita) que adsorvem elementos terras raras leves e pesados, similares aos
depósitos da China. Áreas no Pará e Roraima têm mostrado altas concentrações em
levantamentos recentes.
- Mapeamento: O
SGB/CPRM realiza mapeamento geológico contínuo. No entanto, a densidade de
informações em algumas áreas ainda é baixa devido à cobertura vegetal e acesso.
O uso de geofísica (magnetometria e gravimetria) é o principal método para
detectar esses complexos ocultos.
Resumo da situação: O
potencial é altíssimo, com mapeamento preliminar concluído em muitas áreas e
estudos de detalhe em andamento em áreas como o Amazonas e Pará.
Conclusão: terras raras
são um ativo estratégico para a soberania nacional e transição energética e
precisamos estabelecer políticas de governo claras focando, em parcerias
internacionais para o processamento e refino, só assim não seremos apenas exportadores
de matéria prima. Aumentar competitividade no cenário geopolítico, concentrando
em pesquisas de nossos ativos de reservas minerais (não apenas em terras raras)
para desenvolver indústrias de alta tecnologia tem que mirar esse alvo como desafio
de uma política de estado.
Ao estender o olhar para os
problemas nacionais noto uma miopia política – criar problemas tem sido a
prioridade. Focar em soluções não é meta para o desenvolvimento nacional.
Em 1995 o PIB nominal do Brasil
era de US$ 769 bilhões, portanto superior ao PIB da China de US$ 735 bilhões. Em
2025 o PIB nominal do Brasil foi de US$ 2,268 trilhões, enquanto o PIB da China
US$ 19,5 trilhões. Dedução: nosso modelo de governança (executivo,
legislativo, judiciário) está totalmente superado. Hoje nosso PIB representa
12% da China, isso em 30 anos.
Por Edson Silva, 15/3/2026
Fontes:
Visão geral criada por IA

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