Mestre em Ciências da Saúde, UnB; Auditor ISO 14.000; Auditor CONAMA 306; Pesquisador Saúde Pública

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Desde muito cedo despertei o interesse para entender o sentido de “Gigante pela própria natureza” inscrito em nosso belo Hino Nacional Brasileiro. No meu pequeno mundo isso tinha formato de um sonho. Sempre acreditei que o trabalho produziria um Futuro que espelha essa grandeza. Entretanto, não poderíamos esperar “Deitado eternamente em berço esplendido”. Então, me debrucei sobre os livros e outros informes. A história da expansão territorial do Brasil ainda tem sido pouco pesquisada por nossa historiografia, apesar da importância estratégica e atual que reveste a questão. O potencial dos seis Biomas do Brasil nos credencia a produzir alimento para parte significativa dos 195 países do globo. Certo que temos problemas maiúsculos na seara da saúde de nosso povo, saúde primária, saúde regionais, saúde provenientes de epidemias e pandemia novo coronavírus. Nada que planejamentos estratégicos, planos de governo e planos de estado, com boa vontade e união de governantes não possam resolver.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Idoso no mundo digital - A face perversa da identidade etária, via digital

Qual a população de idosos no Brasil, e como integrá-los ao mundo digital. Teremos um grande grupo de digitalmente excluídos?

A população de idosos (pessoas com 60 anos ou mais) no Brasil chegou a 34,1 milhões, representando mais de 15,6% de todos os habitantes do país.

Esse contingente de cidadãos enfrenta o risco real de se tornar o maior grupo de excluídos da história recente, caso o avanço dos serviços digitais não seja acompanhado por um processo de inclusão planejado. Para integrá-los de forma digna e evitar o isolamento social e financeiro, as estratégias devem focar em três pilares práticos:

1. Letramento Digital Prático (Aprender a Mexer)

  • Oficinas de Tecnologia Locais: Criação de cursos gratuitos em Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), associações de bairro e universidades (como o programa USP 60+).
  • Aulas Sem Jargões Técnicos: O ensino precisa focar em utilidades do dia a dia (como salvar um contato, fazer uma chamada de vídeo ou identificar um link falso), abolindo termos em inglês que geram barreiras psicológicas.
  • Tutoria Intergeracional: Incentivar programas onde jovens ensinam idosos, promovendo a troca de experiências e paciência no aprendizado.

2. Design e Acessibilidade (Adaptação dos Aplicativos)

  • Interfaces Simplificadas: Aplicativos de bancos e do governo precisam oferecer um "Modo Idoso" opcional, com botões maiores, alto contraste e comandos de voz claros.
  • Redução da Linha de Comando: Diminuir a quantidade de etapas necessárias para concluir uma tarefa ou pagamento dentro de um aplicativo.
  • Alternativas ao Reconhecimento Facial: Fornecer métodos de autenticação biométrica mais simples (como a digital) ou manter canais de validação humana rápidos para evitar o bloqueio de serviços básicos.

3. Segurança Coletiva (Rede de Proteção)

  • Educação Antiburla: Campanhas públicas maciças e contínuas na televisão e no rádio — mídias muito consumidas por esse público — simulando como funcionam os golpes do Pix, do falso motoboy e os links maliciosos do WhatsApp.
  • Suporte Presencial de Contingência: O atendimento físico em agências bancárias e órgãos públicos não pode ser totalmente extinto. O ambiente digital deve ser um direito e uma facilidade, mas nunca uma obrigação excludente para quem não consegue usá-lo.

Como é a interação dos idosos com o mundo digital

Dados de pesquisas recentes mostram que 69,8% dos idosos brasileiros (cerca de 24,5 milhões de pessoas) utilizam a internet, o que representa um crescimento de quase 278% no acesso desse grupo. No entanto, a interação deles com o ambiente digital é marcada pelo paradoxo entre o desejo de inclusão e a falta de preparo técnico, gerando grandes vulnerabilidades.

Motivação: O que eles fazem online?

A busca por informação e a quebra do isolamento social são os grandes motores do acesso. De acordo com o levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), as principais atividades são:

  • Buscar informações (64%): Pesquisas sobre notícias de economia, política, saúde e esportes.
  • Manter contato (61%): Uso de redes sociais para conversar com amigos e familiares.
  • Consumo e serviços (54%): Procurar detalhes sobre produtos ou marcas.

Os aplicativos mais presentes no cotidiano dessa faixa etária são o WhatsApp (92%), seguido pelo Facebook (85%), YouTube (77%) e aplicativos bancários, utilizados por 71% dos idosos conectados. O smartphone (84%) é o principal meio de acesso.

O Grande Desafio: O "Platô" e o Letramento Digital

Embora o acesso venha crescendo, especialistas apontam que a curva de inclusão atingiu um teto preocupante. Dados analisados pelo Jornal da USP indicam que 66% dos idosos que navegam na internet relatam não saber utilizar plenamente os recursos disponíveis.

Entre aqueles que permanecem totalmente desconectados do ambiente digital, 45,6% apontam o fato de "não saber mexer" como o principal motivo para ficar de fora, seguido pela falta de interesse ou necessidade (28,5%).

Alvo de Fraudes e Sensação de Insegurança

A falta de familiaridade técnica cobra um preço alto em segurança. Um mapeamento feito pela Fundação Seade trouxe dados expressivos sobre o impacto da criminalidade digital na terceira idade:

  • 82% dos idosos já sofreram tentativas de golpes virtuais por mensagens, ligações ou e-mails falsos.
  • 12% deles já foram vítimas de golpes consumados de abertura de contas correntes ou contratação de empréstimos fraudulentos em seus nomes.
  • 68% dos entrevistados acreditam que hoje é praticamente impossível se proteger de fraudes online, o que gera ansiedade gerontecnológica e faz com que muitos recuem e prefiram o isolamento digital.

Especialistas e coordenadores de pesquisas de tecnologia — como o comitê responsável pela pesquisa TIC Domicílios — defendem que a internet precisa deixar de ser um ambiente de obrigação forçada para serviços e passar a ser trabalhada por meio de políticas públicas com "tutores digitais". O papel desses tutores é guiar o idoso passo a passo na configuração de acessibilidade e na prevenção de golpes, gerando real emancipação.

https://cndl.org.br/varejosa/5-vantagens-do-reconhecimento-facial-no-pagamento/

A dificuldade de realizar o reconhecimento facial é só com o servidor público, em especial o aposentado?

Não, a dificuldade com o reconhecimento facial não é exclusiva de servidores públicos ou aposentados. Embora esse grupo ganhe muito destaque na mídia devido à obrigatoriedade da Prova de Vida (via aplicativos como SouGov e Meu INSS), esse é um problema tecnológico global que afeta qualquer cidadão, independentemente de sua profissão.

As falhas e exclusões causadas pelo reconhecimento facial acontecem de forma ampla por três grandes motivos:

1. Racismo Algorítmico e Falta de Diversidade

Os algoritmos de inteligência artificial que realizam o mapeamento dos rostos costumam ser treinados com bancos de dados estrangeiros e pouco diversos. Isso faz com que os sistemas tenham taxas de erro drasticamente maiores ao tentar identificar:

Pessoas negras e indígenas.

  • Pessoas trans e não binárias.
  • Mulheres (que frequentemente enfrentam mais falhas de validação do que homens).

2. Mudanças Biológicas e Envelhecimento

A biometria facial compara a foto tirada na hora com o documento oficial cadastrado no governo (como a CNH ou o Título de Eleitor). O sistema falha frequentemente com idosos em geral (não apenas servidores) porque o envelhecimento natural da pele, linhas de expressão e pálpebras caídas alteram os pontos de leitura que o algoritmo tenta cruzar com fotos antigas.

3. Barreiras de Mercado Geral (Bancos e Serviços Private)

Qualquer pessoa que use aplicativos bancários privados (como Banco Inter, Nubank, Itaú), carteiras digitais de trânsito ou apps de entrega enfrenta o mesmo problema. Usuários relatam com frequência contas bloqueadas por "erro de leitura" devido a fatores cotidianos como:

  • Iluminação inadequada do ambiente.
  • Qualidade ruim da câmera do celular.
  • Uso de óculos, mudando o ângulo do rosto ou tremores nas mãos que borram a imagem.

Aplicativo do governo (como o Gov.br) apresentam mais dificuldade? Nesse caso, como resolver

Sim, aplicativos como o Gov.br apresentam maior dificuldade de reconhecimento facial, pois o sistema exige um nível de precisão de segurança extremamente alto para evitar fraudes de identidade. No entanto, muitas vezes o algoritmo falha por instabilidade nos servidores governamentais ou porque a foto capturada não bate milimetricamente com os bancos de dados oficiais do governo (como os dados da CNH ou do Tribunal Superior Eleitoral - TSE).

Se o sistema está travando, dando erro ou não reconhecendo o rosto, existem duas formas de resolver: fazendo ajustes técnicos na captura ou utilizando caminhos alternativos que pulam o reconhecimento facial.

Soluções Técnicas para Fazer o Aplicativo Funcionar

Se você precisa obrigatoriamente usar a câmera do Gov.br, siga estes passos para diminuir a rejeição do algoritmo:

  • Mantenha-se estático após o clique: O aplicativo faz leituras de movimentos rápidos ("pisque os olhos", "olhe para o lado"). Assim que o processo terminar, não mexa o rosto e mantenha o celular parado até que apareça a mensagem verde de "Concluído". Mudar o ângulo rápido demais antes do salvamento cancela a validação.
  • Fundo neutro e iluminação natural: Evite fundos com quadros, portas ou outras pessoas. Fique de frente para uma janela com iluminação natural direta no seu rosto, evitando sombras artificiais que o sistema confunda com linhas de expressão.
  • Limpeza e posicionamento da câmera: Limpe a lente frontal do celular com um pano macio. Segure o aparelho exatamente na altura dos olhos (em linha reta), e não de baixo para cima.
  • Remova acessórios: Retire óculos de grau, chapéus, lenços ou brincos grandes que alterem os pontos de marcação mapeados pelo sistema.
  • Limpe o cache do aplicativo: Vá nas configurações do celular, procure o aplicativo "Gov.br", clique em "Armazenamento" e selecione "Limpar Cache". Isso remove travamentos internos e bugs temporários do app.

Como Resolver Sem o Reconhecimento Facial (Caminhos Alternativos)

Caso as tentativas continuem falhando e gerando bloqueios por excesso de erros, você pode subir o nível da sua conta para Prata ou realizar serviços sem precisar validar o rosto no celular:

  1. Acesso via Internet Banking (Recomendado): Na tela de login do Gov.br, selecione a opção de entrar através do seu banco (ex: Banco do Brasil, Caixa, Itaú, Bradesco). Ao validar o acesso pelo aplicativo do seu banco (onde você já tem cadastro), o Gov.br automaticamente eleva sua conta para o Nível Prata, liberando quase todos os serviços e assinaturas eletrônicas.
  2. Uso de Computador com Webcam: Se o celular for antigo ou tiver uma câmera de baixa qualidade, tente realizar o processo pelo site oficial do Gov.br em um computador ou notebook que possua webcam integrada.
  3. Formulário de Suporte Técnico: Após sucessivos erros no aplicativo, o próprio sistema costuma exibir uma opção de envio de formulário de erro. Nele, é possível anexar uma foto segurando o documento de identidade para que um funcionário humano faça a liberação manual da conta.
  4. Agências Presenciais para o INSS: Caso o reconhecimento facial seja para a Prova de Vida do aposentado e o aplicativo falhe repetidamente, lembre-se de que a validação pode ser realizada presencialmente realizando saques na boca do caixa com biometria bancária, consultas no SUS ou votando nas eleições.

Concluindo: 40% dos 60 + dizem ter algum tipo de dificuldade em ler e escrever, seja pela falta de escolaridade básica, analfabetismo ou o analfabetismo funcional. Se na década de 70 e 80 do século passado a juventude era o foco da atenção dos governos e das políticas públicas, hoje a gente percebe que esta camada idosa é a que mais demanda por políticas públicas. Nossa população envelheceu ao longo dessas décadas e as gestões precisam pensar em como elaborar melhores políticas para atender os anseios desse público.

Uma operação que deixa, em especial o aposentado (euzinho) muito irritado é o tal reconhecimento facial. Enquanto não identificado, o sistema não te permite acessar a página para preencher questionamentos meus e/ou da instituição. “Afaste o rosto da câmera, abra os olhos, aproxime o rosto, não sorria, ...”. Já aconteceu de perder até dois dias, para ter um direito assegurado.

Fonte:

Visão geral criada por IA

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2020-08/pesquisa-mostra-exclusao-de-idosos-do-mundo-digital-e-da-escrita

Pesquisas elaboradas por: Edson Silva, 04/06/2026

terça-feira, 2 de junho de 2026

Estados Unidos do Brasil vs. República Federativa do Brasil

Um modelo de controle baseado na dependência e falta de liberdade legislativa e financeira dos estados e municípios.

O nome "Estados Unidos do Brasil" foi adotado logo após a Proclamação da República, na Constituição de 1891, simbolizando a transição das antigas províncias para estados federados.

Imagine abrir um passaporte antigo e ler: "Estados Unidos do Brasil". Não, não é um erro de impressão nem uma realidade paralela. Por longos 80 anos, esse foi o nome oficial da nossa nação. De 1889 a 1969, o Brasil carregou em seus selos, moedas e leis uma identidade que muitos hoje sequer imaginam.

A Inspiração que veio do Norte. Logo após a Proclamação da República, o Brasil buscou um novo modelo de governo e a inspiração veio diretamente da constituição norte-americana. Ao adotar o federalismo, as antigas províncias se tornaram estados com maior autonomia, e o nome "Estados Unidos do Brasil" foi instituído para refletir essa nova estrutura. Essa nomenclatura atravessou a República Velha, a Era Vargas e chegou até meados do século XX como o rosto oficial do país perante o mundo.

Quando e porque deixamos de ser Estados Unidos do Brasil

O Brasil deixou de se chamar oficialmente Estados Unidos do Brasil com a promulgação da Constituição de 1967 (em 15 de março) e a posterior Emenda Constitucional de 1969. O nome adotado e utilizado até hoje foi República Federativa do Brasil.

O porquê da mudança: *Ruptura política: O regime militar buscou centralizar mais o poder e afastar a imagem do país de uma cópia direta do modelo norte-americano (que vigorava desde 1889); *Correção histórica: Ao contrário dos EUA, o Brasil nunca teve "estados" com forte independência legislativa e autonomia, sendo historicamente uma federação mais centralizada. *Padronização: A mudança também facilitou o uso nos símbolos nacionais (selos e brasões) e evitou confusões diplomáticas internacionais.

https://www.facebook.com/100089556309055/posts/-poucos-brasileiros-sabem-mas-o-nome-oficial-do-nosso-pa%C3%ADs-nem-sempre-foi-rep%C3%BAbl/896454006683135/

Então, quando da mudança do nome, os Estados tinham mais liberdade legislativa e financeira.

Só que não, a liberdade variou drasticamente, e a mudança do nome para República Federativa do Brasil em 1967 marcou justamente o auge da centralização e perda de autonomia dos estados.

Para entender a oscilação da liberdade legislativa e financeira durante o período em que o país se chamou "Estados Unidos do Brasil" (1889–1967), é necessário dividir essa era em 3 fases distintas:

1. República Velha (1889–1930): O auge da autonomia

  • Autonomia financeira: Estados podiam contrair empréstimos no exterior sem aval da União e cobrar impostos sobre exportações.
  • Força legislativa: Grandes estados (como São Paulo e Minas Gerais) criaram leis próprias complexas e possuíam forças militares particulares (as Forças Públicas) mais equipadas que o próprio Exército Federal.

2. Era Vargas (1930–1945): O primeiro grande freio. Com a Revolução de 1930 e a ditadura do Estado Novo (1937), a autonomia foi extinta.

  • Interventores federais: Governadores eleitos foram substituídos por interventores nomeados por Getúlio Vargas.
  • Queima das bandeiras: Em um ato simbólico em 1937, Vargas queimou as bandeiras estaduais para centralizar o poder na União.

3. República de 1946 (1946–1964): O retorno parcial

A redemocratização devolveu parte dos poderes aos estados, mas sob um controle financeiro e legal bem mais rígido da União se comparado à República Velha.

4. Regime Militar e o ano de 1967: O fim da autonomia

Quando o nome mudou oficialmente para República Federativa do Brasil, em 1967, o cenário era de centralização absoluta.

  • Asfixia financeira: A reforma tributária da época concentrou a arrecadação dos principais impostos nas mãos da União, deixando os estados dependentes de repasses federais.
  • Controle legislativo: A Constituição de 1967 determinou que leis sobre direito penal, processual, do trabalho e comercial eram de competência exclusiva da União. Os estados perderam o poder de legislar sobre quase tudo o que importava.

Resumo Comparativo de Autonomia

Período Histórico

Autonomia Financeira

Autonomia Legislativa

República Velha (1889-1930)

Máxima: Criavam impostos e contraíam dívidas externas livremente.

Alta: Tinham exércitos próprios e leis civis fortes.

Era Vargas (1930-1945)

Nula: Total dependência e controle do governo central.

Nula: Governados por interventores e decretos federais.

Ditadura Militar (1967)

Baixa: Centralização de impostos na União (início do pacto federativo atual).

Baixa: Perda do poder de legislar sobre matérias estruturais.

Ficou claro como o nome "Estados Unidos" acabou virando apenas uma formalidade sem correspondência na prática centralizadora de 1967? E hoje, como reverter essa asfixia legislativa e financeira dos estados?

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Que autonomia nossos Estados têm atualmente

Atualmente, os estados brasileiros possuem uma autonomia considerada parcial e limitada, muito distante do modelo norte-americano e focada majoritariamente na execução de serviços públicos e na gestão administrativa.

A Constituição Federal de 1988 define o Brasil como uma federação, mas o governo central (União) retém os superpoderes legislativos e financeiros, restando aos estados as seguintes autonomias práticas:

1. Autonomia Administrativa e de Auto-organização

  • Constituição Própria: Cada estado elabora sua própria Constituição Estadual, desde que respeite rigidamente as regras e limites da Constituição Federal.
  • Estrutura de Cargos: Liberdade para criar secretarias, definir salários do funcionalismo público local e realizar concursos públicos estaduais.

2. Autonomia Política

  • Eleições Diretas: Capacidade de eleger seus próprios Governadores, Vice-Governadores e Deputados Estaduais sem qualquer interferência do Presidente da República.

3. Autonomia Financeira (Altamente Limitada)

  • Arrecadação de Impostos Próprios: Prerrogativa de instituir e arrecadar tributos locais, sendo o principal deles o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), além do IPVA (veículos) e ITCMD (heranças e doações). *Nota Importante: Essa autonomia financeira está em profunda transição. Com o avanço da Reforma Tributária (Emenda Constitucional 132), o ICMS estadual e o ISS municipal serão extintos e unificados no IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), cuja gestão e partilha serão centralizadas por um Comitê Gestor nacional, reduzindo ainda mais o poder de barganha fiscal individual dos governadores.

4. Autonomia Legislativa Residual (O Calcanhar de Aquiles)

Os estados possuem a chamada competência residual, ou seja, só podem legislar sobre o que a Constituição Federal não proibiu ou não reservou para a União. Na prática,

  • O que podem legislar: Regras para o funcionalismo público estadual, criação de municípios (com aval federal), diretrizes de transporte intermunicipal e proteção ao patrimônio cultural local.
  • O que não podem: Os estados não podem criar leis sobre Direito Penal, Processual, Civil, Comercial ou do Trabalho.

5. Execução de Serviços Públicos Cruciais; Na prática do cidadão, a maior autonomia e responsabilidade dos estados está na gestão direta de três pilares:

  • Segurança Pública: Controle e comando das Polícias Militar, Civil e do Corpo de Bombeiros.
  • Educação: Responsabilidade principal sobre a manutenção do Ensino Médio.
  • Saúde: Gestão de hospitais de alta complexidade e regionais.

O Cenário Atual: A autonomia real dos estados é frequentemente sufocada pela dependência financeira. A União arrecada a maior fatia dos impostos do país e a redistribui por meio de fundos (como o FPE - Fundo de Participação dos Estados). Estados que gastam mais do que arrecadam acabam reféns de socorros econômicos federais, o que anula qualquer poder político real contra o Palácio do Planalto.

Como funcionam as liberdades (financeiras, legislativas, civis e outras) nos estados federados dos Estados Unidos das Américas

Ao contrário do Brasil, os Estados Unidos adotam o princípio do federalismo dual, onde a soberania é dividida entre o governo federal e os estados. A regra de ouro americana está na 10ª Emenda da Constituição dos EUA: tudo o que não foi explicitamente dado ao governo federal pertence aos estados ou ao povo. As liberdades e autonomias dos estados americanos funcionam da seguinte forma:

1. Liberdade Legislativa (A maior diferença com o Brasil). Nos EUA, os estados possuem autonomia jurídica quase total para criar leis civis, penais e processuais.

  • Leis Penais Próprias: Cada estado define seus próprios crimes e penas. É por isso que a pena de morte é legal em estados como o Texas, mas proibida em estados como Nova York.
  • Regulação Civil e Comercial: Idade mínima para dirigir (que varia de 14 a 17 anos dependendo do estado), regras de casamento, divórcio e contratos são puramente estaduais.
  • Leis de Trânsito e Costumes: O porte de armas (regras de compra e transporte) e a legalização da maconha (para uso medicinal ou recreativo) são decididos individualmente por cada estado.

2. Liberdade Financeira e Tributária. Os estados americanos são financeiramente independentes e não dependem do governo federal para sobreviver.

  • Impostos Estaduais Próprios: Cada estado cria sua própria estrutura tributária. Estados como a Flórida e o Texas não cobram imposto de renda estadual (State Income Tax) para atrair moradores. Já a Califórnia cobra uma das maiores alíquotas do país.
  • Taxa de Vendas (Sales Tax): Não existe um imposto sobre o consumo (como o IVA ou o IBS brasileiro) unificado nacionalmente. Cada estado, e até cada cidade americana, define sua própria porcentagem de imposto cobrada direto no caixa. Oregon e Delaware, por exemplo, têm 0% de taxa de venda.
  • Falência Estadual: Estados americanos podem emitir títulos de dívida no mercado internacional por conta própria e, se gerirem mal suas finanças, podem quebrar (como ocorreu com o território de Porto Rico e quase ocorreu com estados em crises severas), sem que a União seja obrigada a socorrê-los.

3. Autonomia Administrativa, Policial e Eleitoral

  • Sistemas Judiciais Independentes: Cada estado tem sua própria Suprema Corte Estadual, que dá a palavra final sobre as leis daquele estado (desde que não violem a Constituição Federal).
  • Polícias Descentralizadas: Não existe uma padronização nacional. As polícias são estaduais (como as Polícias Rodoviárias Estaduais) ou municipais/condados (os famosos Sheriffs e departamentos como o NYPD de Nova York), com total autonomia de fardamento, armamento e procedimentos.
  • Eleições Customizadas: Não existe uma "Justiça Eleitoral" centralizada como o TSE no Brasil. Cada estado define suas próprias regras para votar: se o voto será por correio, se exige biometria, o formato da cédula e as datas de votação antecipada.

4. Limites da Autonomia (Onde o Governo Federal Manda). Apesar da enorme liberdade, os estados americanos encontram barreiras intransponíveis na Constituição Federal e na atuação da Suprema Corte dos EUA:

  • Moeda e Fronteiras: Nenhum estado pode emitir moeda própria, ter exército para declarar guerra a outros países ou criar alfândegas/barreiras comerciais contra outros estados americanos.
  • Direitos Civis Federais: Se um estado criar uma lei que viole os direitos fundamentais garantidos pela Constituição dos EUA (como a liberdade de expressão ou a igualdade racial), a Suprema Corte Federal anula essa lei imediatamente.

Essa estrutura faz com que cruzar a fronteira de um estado para o outro nos EUA mude completamente a realidade fiscal, jurídica e social do cidadão.

Algum outro país adota o regime de liberdade econômica com estados independentes para legislar como nos EUA?

Sim, alguns poucos países adotam o modelo de federalismo forte com alto grau de liberdade econômica e autonomia para as suas regiões legislarem. No entanto, encontrar o pacote completo idêntico ao dos EUA — onde os estados controlam desde o Direito Penal e leis de trânsito até os impostos de consumo de forma competitiva — é extremamente raro. O formato norte-americano combina duas vertentes: o Federalismo Dual (divisão rígida de soberania) e um ambiente de Alta Liberdade Econômica.

Os três países que operam de maneira mais próxima a essa realidade são:

1. Suíça (O modelo mais descentralizado do mundo). A Suíça não é dividida em estados, mas sim em 26 Cantões. Funciona como um "EUA europeu" em miniatura e, em muitos aspectos, possui ainda mais liberdades locais.

  • Liberdade Fiscal: Cada cantão define suas próprias taxas de imposto de renda e atrai moradores e empresas de forma agressiva. Há uma intensa concorrência fiscal interna.
  • Liberdade Legislativa e Civil: Os cantões têm autonomia para legislar sobre polícia, saúde, educação e costumes, além de possuírem o sistema de democracia direta, onde os cidadãos locais votam leis específicas por meio de referendos.

2. Canadá (Autonomia superior à americana em certas áreas). O Canadá é uma federação dividida em 10 províncias e 3 territórios. Na prática, as províncias canadenses retêm poderes civis gigantescos.

  • Liberdade Civil e Saúde: A gestão total do sistema de saúde pública e das regras de propriedade privada pertence a cada província.
  • Liberdade Fiscal: Elas cobram impostos de renda provinciais (Provincial Sales Tax) que variam bastante de região para região (Alberta, por exemplo, não cobra imposto provincial sobre o consumo).
  • A diferença penal: Ao contrário dos EUA, o Código Penal canadense é unificado nacionalmente.

3. Austrália (Competição fiscal e regras locais). A Austrália é composta por 6 estados e possui um arranjo muito espelhado no modelo dos EUA.

  • Liberdade Legislativa: Cada estado tem seu próprio parlamento e sistema judicial independente, definindo suas leis de trânsito, educação, energia e regras de comércio interno.
  • Liberdade Fiscal: Embora o imposto sobre consumo principal (GST) seja federal, os estados gerenciam de forma independente impostos sobre a folha de pagamento, taxas sobre transações imobiliárias e royalties de mineração, gerando dinâmicas econômicas regionais fortes.

Por que boa parte dos países livres prefere centralizar?

Grandes federações como a Alemanha possuem altíssima liberdade econômica, mas adotam o chamado federalismo cooperativo. Nesses países, o governo central prefere unificar as leis penais, civis e trabalhistas para manter a igualdade de direitos entre todos os cidadãos do país. A autonomia dos estados alemães (Länder) fica restrita à aplicação das leis e à gestão de educação, segurança e cultura, reduzindo o espaço para a "competição feroz" vista nos EUA ou na Suíça.

Um pequeno exercício desses países destacando a autonomia que os estados ou províncias tem diante do governo central

País / Regiões

Autonomia Fiscal (Impostos)

Autonomia Legislativa Penal e Civil

Autonomia de Costumes e Social

Dependência Econômica da União

🇨🇭 Suíça
(26 Cantões)

Máxima: Cada cantão define seu próprio imposto de renda e atrai empresas de forma agressiva.

Média: O código penal é unificado, mas a aplicação e a organização da polícia são locais.

Alta: Uso intenso de referendos locais para decidir leis sobre feriados, línguas oficiais e regras comunitárias.

Baixíssima: Cantões são financeiramente independentes e gerenciam o próprio orçamento.

🇨🇦 Canadá
(10 Províncias)

Alta: Cobram impostos provinciais sobre vendas e renda. Alberta, por exemplo, tem 0% de taxa provincial.

Média-Baixa: O Código Penal é federal (único), mas o Código Civil e os contratos são provinciais (ex: Quebec usa modelo francês).

Alta: Gestão total e independente dos sistemas de saúde, imigração provincial e educação.

Média: Existe um sistema federal de equalização financeira para ajudar as províncias mais pobres.

🇦🇺 Austrália
(6 Estados)

Média: O principal imposto sobre consumo (GST) é federal, mas os estados controlam taxas sobre propriedade e salários.

Alta: Cada estado possui seu próprio código penal, leis de trânsito, crimes e tribunais independentes.

Alta: Autonomia para definir regras ambientais, exploração de minérios, saúde pública e educação local.

Média-Alta: Dependem do repasse federal do imposto GST para fechar as contas de serviços públicos.

🇺🇸 Estados Unidos
(50 Estados)

Máxima: Estados definem imposto de renda próprio (vários têm 0%) e taxas de venda na boca do caixa.

Máxima: 50 códigos penais e civis diferentes. Estados decidem sobre pena de morte, maioridade penal e trânsito.

Alta: Regulam de forma independente o porte de armas, cassinos, legalização de substâncias e regras eleitorais.

Baixíssima: Estados emitem dívidas e podem falir sem que o governo federal os socorra.


Essa autonomia favoreceu o desenvolvimento regional e/ou de cada estado

Sim, de forma geral, a literatura econômica e histórica demonstra que a alta autonomia regional favoreceu fortemente o desenvolvimento desses países. Estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam que a descentralização fiscal e de governança costuma estar ligada ao aumento de produtividade e maior acúmulo de capital humano. Essa autonomia impulsionou o crescimento por meio de três mecanismos principais:

1. Laboratórios de Políticas Públicas (Inovação Regional)

Quando os estados têm liberdade legislativa, eles funcionam como laboratórios experimentais.

  • O exemplo prático: Se um estado americano ou um cantão suíço cria uma lei inovadora (seja de incentivo fiscal, educacional ou de desburocratização) e ela dá certo, a economia local dispara. Ao ver o sucesso, os estados vizinhos copiam a ideia.
  • Se a lei der errado, apenas aquele estado sofre as consequências, sem arrastar o país inteiro para o erro.

2. Eficiência Alocativa (O governo perto do cidadão)

A teoria do federalismo econômico mostra que governos locais entendem as demandas da população muito melhor do que um burocrata em uma capital federal distante.

  • Canadá e Austrália: As províncias canadenses e estados australianos usam sua autonomia para focar em suas vocações econômicas reais. Alberta (Canadá) e a Austrália Ocidental focaram suas leis e tributações para se tornarem potências globais de energia e mineração, gerando riqueza que um governo central dificilmente saberia coordenar com tanta agilidade.
  • Suíça: Os cantões usam a autonomia para moldar a infraestrutura e a educação técnica exatamente de acordo com as indústrias locais instaladas (relojoaria, biotecnologia ou finanças).

3. Concorrência Fiscal Produtiva

A liberdade para fixar impostos gerou uma competição saudável entre os estados para atrair investimentos.

  • Nos EUA, estados como Texas e Flórida enriqueceram e atraíram milhares de empresas nos últimos anos ao zerar o imposto de renda estadual. Para não perderem mercado, estados vizinhos são forçados a enxugar suas máquinas públicas e cortar burocracias para se manterem competitivos.

O Efeito Colateral: Desigualdade Regional

Embora a autonomia favoreça o desenvolvimento geral, ela cobra um preço: a desigualdade entre as regiões.

  • Estados ricos e bem geridos atraem cérebros e empresas, tornando-se cada vez mais ricos (como a Califórnia ou o cantão de Zurique).
  • Estados com menor infraestrutura ou pior gestão fiscal sofrem para competir e correm o risco de estagnação.

Para mitigar isso, países como o Canadá e a Austrália criaram "Sistemas de Equalização". O governo central arrecada uma parcela de impostos e repassa para as províncias e estados mais pobres garantirem o mesmo nível de saúde e educação das regiões ricas, mas sem retirar a autonomia legislativa e fiscal básica delas.

Concluindo: Uma maior autonomia para os estados brasileiros, inspirada no modelo norte-americano (como já o foi na primeira República), transformaria profundamente o Pacto Federativo atual: *Legislação própria: Estados criariam seus próprios códigos civis, penais e trabalhistas, hoje centralizados na União. *Autonomia tributária: Governos locais definiriam livremente seus impostos e regras de licenciamento comercial. *Gestão regional: Políticas de saúde, educação e segurança pública seriam totalmente desenhadas segundo a realidade de cada região.

Na Prática: Em um cenário de maior descentralização, as obrigações constitucionais básicas (como os direitos à educação, saúde e segurança) continuariam a ser compartilhadas, mas os Estados teriam amplas liberdades para definir a alocação de recursos, a gestão da Polícia Militar (ou estadual) e o desenho de políticas públicas com base nas suas realidades regionais.

Fontes:

Visão geral criada por IA

Pesquisas elaboradas por: Edson Silva, 02/06/2026

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