Mestre em Ciências da Saúde, UnB; Auditor ISO 14.000; Auditor CONAMA 306; Pesquisador Saúde Pública

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Desde muito cedo despertei o interesse para entender o sentido de “Gigante pela própria natureza” inscrito em nosso belo Hino Nacional Brasileiro. No meu pequeno mundo isso tinha formato de um sonho. Sempre acreditei que o trabalho produziria um Futuro que espelha essa grandeza. Entretanto, não poderíamos esperar “Deitado eternamente em berço esplendido”. Então, me debrucei sobre os livros e outros informes. A história da expansão territorial do Brasil ainda tem sido pouco pesquisada por nossa historiografia, apesar da importância estratégica e atual que reveste a questão. O potencial dos seis Biomas do Brasil nos credencia a produzir alimento para parte significativa dos 195 países do globo. Certo que temos problemas maiúsculos na seara da saúde de nosso povo, saúde primária, saúde regionais, saúde provenientes de epidemias e pandemia novo coronavírus. Nada que planejamentos estratégicos, planos de governo e planos de estado, com boa vontade e união de governantes não possam resolver.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Moção de Aplauso pelos 85 anos da PRF no Brasil, 37 anos salvando vidas em Rondônia

Solenidade realizada na Assembleia Legislativa de RO, agosto de 2013

(visitando a história)

Agradecimento a Deus pelo dom da vida.

Agradecimento ao deputado Dr. Ribamar Araujo pela proposição dessa homenagem.
Agradecimento a essa casa de leis pelo acolhimento da proposição, amizade e respeito pela categoria PRF.

Por que ser PRF? Um vencimento generoso? O status profissional? Reconhecimento e respeito da sociedade? Uma rotina diária tranquila? O uso da farda e da arma confere algum poder?

Que fascínio a profissão PRF exerce sobre o brasileiro que a leva à condição de ter um dos mais concorridos concursos públicos do país? Nesse momento estamos vivendo um processo seletivo.

Foto de acervo pessoal

No decorrer dos meus 18 anos de vida ativa PRF me preparei para exercer atividades diversa da policial – magistério superior, farmácia-bioquímica, administração, gestão ambiental, pesquisa na área de saúde pública – mas, me flagrei no desafio de presidir o sindicato PRF RO-AC.

É até possível, Sr. Presidente, que essa situação de defender a categoria PRF tenha ocorrido pela curiosidade científica de escrever artigo sobre a vida, nada rotineira, dos PRFs. Sabemos a hora que assumimos nossas funções, entretanto, o que ocorrerá no transcorrer do plantão e a que hora voltaremos ao convívio familiar é sempre uma incógnita.

Talvez aí resida o fascínio, dep. Dr. Ribamar.

Elaborei o estudo Policiamento Rodoviário Federal – atividade estressante, insalubre, perigosa e de risco – com a finalidade de colocar a sociedade a par do exercício complexo do Policial Rodoviário Federal. E, nesses poucos minutos, quero compartilhar:

– Policiais e seguranças têm a profissão mais estressante do mundo. Em seguida, vem os motoristas de ônibus e os controladores de voo. Executivos, bancários e atendimento ao público empatam na terceira colocação. A pesquisa foi realizada pela ISMA-BR (International Stress Management Association) do Brasil em 2003.

– A Organização Mundial de Saúde catalogou a atividade policial, devido às suas peculiaridades, como insalubre, perigosa, geradora de imenso estresse pelo período de contínuo esforço físico e da exigência intermitente da acuidade e higidez mental. Pois o policial tem a missão, que lhe foi confiada pelo Estado, de garantir, com o risco da própria vida, a integridade física e o patrimônio dos cidadãos comuns.

– Em sua atividade cotidiana o policial depara-se com os mais diversos tipos de situações, muitas delas desfavoráveis, permeadas de violências. Talvez a violência maior e pouco visível seja aquela tão bem descrita por MINAYO e SOUZA (2003), que é a de viver numa profissão-perigo, podendo ser morto a qualquer momento, ou seja, o risco inerente ao trabalho que os coloca numa situação de incerteza e tensão permanentes, inclusive fora dos horários e locais de trabalho.

– A atividade policial favorece o desenvolvimento do burnout, principalmente quando os policiais já não conseguem se adaptar às exigências do meio em que atuam. Segundo os estudos de ROMANO (1996), em decorrência da exposição diária a novas situações, às relações interpessoais estabelecidas, o confronto entre vida e morte que expõe o policial e os companheiros de guarnição a riscos físicos e emocionais.

– Seja no sentido de perigo ou de escolha, o conceito de risco desempenha um papel estruturante das condições laborais, ambientais e relacionais para esse grupo social, uma vez que seus corpos estão permanentemente expostos e seus espíritos não descansam (GOMES et al., 2003). Eles vivem o que GIDDENS (2002) denomina de “risco de alta consequência”. O exercício do trabalho de elevado risco se comprova pelas taxas de mortalidade e de morbidade por agressões de que são vítimas, dentro e fora das corporações, taxas essas muito mais elevadas que as da população em geral.

– A síndrome de Burnout na atividade policial representa “a etapa final das progressivas tentativas malsucedidas do indivíduo em lidar com o estresse, decorrente das condições de trabalho negativas, sendo que as peculiaridades de estresse ocupacional podem ser classificadas em baixo, médio e alto risco, estando a profissão classificada como de alto risco. Sobre os efeitos do burnout sobre o policial o autor considera que estão relacionados ao desgaste e aos estágios na carreira policial, além das consequências individuais e organizacionais”.

– As profundas alterações que o trabalho noturno provoca nos sistemas biológicos do ser humano, especialmente no ciclo circadiano – designa o período de aproximadamente um dia (24 horas) sobre o qual se baseia todo o ciclo biológico do corpo humano e de qualquer outro ser vivo, influenciado pela luz solar. Relacionam-se, ainda, às dificuldades com relação aos horários de alimentação e do sono, que se tornam inevitavelmente irregulares, às complicações na convivência familiar, em virtude dos horários não coincidentes, aos empecilhos óbvios de se obter um bom período de descanso durante o período diurno. As consequências prejudiciais do trabalho noturno podem ser de tal ordem, que alguns autores, como o biomédico Luis Menna Barreto, estimam que o trabalhador submetido a este horário de trabalho pode “ter uma expectativa de vida quase dez por cento menor do que os outros trabalhadores”.

– No que se refere a problemas de saúde, algumas pesquisas relatam que os policiais têm taxas mais altas de doenças de coração, úlceras, suicídio e divórcio que a população geral, embora, pelo menos para taxas de suicídio, não seja um achado de todas. Outras revelam taxas de doenças e acidentes oito vezes mais altas para os policiais do que para funcionários públicos (LENNINGS (1997).

– Esperança de vida em anos (tábua de mortalidade – IBGE) em 2007

homem

69

mulher

76,5

policial

54

Em que pese a evolução da acessibilidade às diversas formas de tratamento de saúde, surpreendentemente, a expectativa de vida média dos policiais rodoviários federais é de 54 anos, cerca de 16 anos inferior à média da população brasileira.

– Diuturnamente a Polícia Rodoviária Federal, por meio de seus agentes, realizam policiamento ostensivo, fiscalizam veículos, atendem acidente, socorrem usuários com veículo em pane nas rodovias federais. Em defesa da incolumidade da sociedade realizam prisão de preventivados da justiça, apreensão de drogas, de produtos contrabandeados, fiscalizam produtos perigosos, entrada de estrangeiros ilegais no País, tráfico de seres humanos, trabalho escravo, exploração sexual de menores, crimes ambientais.

– Fiscalização, policiamento e sinalização sob sol forte, chuva, vento, frio ou calor no transcorrer do dia ou noite, varando a madrugada. Contato direto com a sociedade em geral, daquele que produz a riqueza para a nação ao que se envolve com a marginalidade – de pequenos a grandes delitos. Apenas as experiências dos anos vividos nas rodovias somados à sensibilidade no trato com o usuário limitam a longevidade do policial rodoviário federal nas suas atribuições legais.

– As múltiplas exigências para o cumprimento de sua missão, o risco de morte diário (quer em serviço ou folga deste), a violência do trânsito e do cotidiano da sociedade contemporânea, o processo insalubre a que está sujeito na sua atividade rotineira, a exigência do estado de alerta 24 horas diárias, o desgastante labor noturno, obrigam o policial rodoviário federal a viver um constante “stress” em seu meio ambiente de trabalho.

Senhoras, senhores, essa é a vida do Policial Rodoviário Federal. Precisamos que todas as forças vivas desse país olhem com carinho para esses profissionais da segurança pública, e estendo essa visão às demais Polícias do Brasil. Classe política, e aqui conclamamos a nossa Assembleia Legislativa de Rondônia, aos detentores de cargos no executivo e a sociedade como um todo, ... um país mais seguro e mais justo passa por uma polícia bem-preparada, bem remunerada e respeitada.

Muito obrigado

Edson Silva

Presidente – SINPRF-RO/AC

 

(Uma moção de aplausos é um instrumento oficial do Poder Legislativo (Câmara Municipal, Assembleia Legislativa) para reconhecer, homenagear e valorizar publicamente indivíduos, entidades, grupos ou instituições por ações notáveis, serviços relevantes ou destaque em suas áreas de atuação. É uma forma de gratidão, sem caráter de benefício financeiro). 

Por Edson Silva, 05 de fevereiro de 2026.