Solenidade realizada na Assembleia Legislativa de RO, agosto de 2013
(visitando a história)
Agradecimento a Deus pelo dom da vida.
Agradecimento ao deputado Dr. Ribamar Araujo pela proposição dessa
homenagem.
Agradecimento a essa casa de leis pelo acolhimento da proposição, amizade e
respeito pela categoria PRF.
Por que ser PRF? Um vencimento generoso? O status profissional?
Reconhecimento e respeito da sociedade? Uma rotina diária tranquila? O uso da
farda e da arma confere algum poder?
Que fascínio a profissão PRF exerce sobre o brasileiro que a leva
à condição de ter um dos mais concorridos concursos públicos do país? Nesse
momento estamos vivendo um processo seletivo.
Foto de acervo pessoal
No decorrer dos meus 18 anos de vida ativa PRF me preparei para
exercer atividades diversa da policial – magistério superior,
farmácia-bioquímica, administração, gestão ambiental, pesquisa na área de saúde
pública – mas, me flagrei no desafio de presidir o sindicato PRF RO-AC.
É até possível, Sr. Presidente, que essa situação de defender a
categoria PRF tenha ocorrido pela curiosidade científica de escrever artigo
sobre a vida, nada rotineira, dos PRFs. Sabemos a hora que assumimos nossas
funções, entretanto, o que ocorrerá no transcorrer do plantão e a que hora
voltaremos ao convívio familiar é sempre uma incógnita.
Talvez aí resida o fascínio, dep. Dr. Ribamar.
Elaborei o estudo Policiamento Rodoviário Federal – atividade
estressante, insalubre, perigosa e de risco – com a finalidade de colocar a
sociedade a par do exercício complexo do Policial Rodoviário Federal. E, nesses
poucos minutos, quero compartilhar:
– Policiais e seguranças têm a profissão mais estressante do
mundo. Em seguida, vem os motoristas de ônibus e os controladores de voo.
Executivos, bancários e atendimento ao público empatam na terceira colocação. A
pesquisa foi realizada pela ISMA-BR (International Stress Management
Association) do Brasil em 2003.
– A Organização Mundial de Saúde catalogou a atividade policial,
devido às suas peculiaridades, como insalubre, perigosa, geradora de imenso
estresse pelo período de contínuo esforço físico e da exigência intermitente da
acuidade e higidez mental. Pois o policial tem a missão, que lhe foi confiada
pelo Estado, de garantir, com o risco da própria vida, a integridade física e o
patrimônio dos cidadãos comuns.
– Em sua atividade cotidiana o policial depara-se com os mais
diversos tipos de situações, muitas delas desfavoráveis, permeadas de
violências. Talvez a violência maior e pouco visível seja aquela tão bem
descrita por MINAYO e SOUZA (2003), que é a de viver numa profissão-perigo,
podendo ser morto a qualquer momento, ou seja, o risco inerente ao trabalho que
os coloca numa situação de incerteza e tensão permanentes, inclusive fora dos
horários e locais de trabalho.
– A atividade policial favorece o desenvolvimento do burnout, principalmente quando os
policiais já não conseguem se adaptar às exigências do meio em que atuam.
Segundo os estudos de ROMANO (1996), em decorrência da exposição diária a novas
situações, às relações interpessoais estabelecidas, o confronto entre vida e
morte que expõe o policial e os companheiros de guarnição a riscos físicos e
emocionais.
– Seja no sentido de perigo ou de escolha, o conceito de risco
desempenha um papel estruturante das condições laborais, ambientais e
relacionais para esse grupo social, uma vez que seus corpos estão
permanentemente expostos e seus espíritos não descansam (GOMES et al., 2003). Eles vivem o que GIDDENS
(2002) denomina de “risco de alta consequência”. O exercício do trabalho de
elevado risco se comprova pelas taxas de mortalidade e de morbidade por
agressões de que são vítimas, dentro e fora das corporações, taxas essas muito
mais elevadas que as da população em geral.
– A síndrome de Burnout na atividade policial representa “a etapa final das progressivas
tentativas malsucedidas do indivíduo em lidar com o estresse, decorrente das
condições de trabalho negativas, sendo que as peculiaridades de estresse
ocupacional podem ser classificadas em baixo, médio e alto risco, estando a
profissão classificada como de alto risco. Sobre os efeitos do burnout sobre o
policial o autor considera que estão relacionados ao desgaste e aos estágios na
carreira policial, além das consequências individuais e organizacionais”.
– As profundas alterações que o trabalho noturno provoca nos
sistemas biológicos do ser humano, especialmente no ciclo circadiano – designa
o período de aproximadamente um dia (24 horas) sobre o qual se baseia todo o
ciclo biológico do corpo humano e de qualquer outro ser vivo, influenciado pela
luz solar. Relacionam-se, ainda, às dificuldades com relação aos horários de
alimentação e do sono, que se tornam inevitavelmente irregulares, às
complicações na convivência familiar, em virtude dos horários não coincidentes,
aos empecilhos óbvios de se obter um bom período de descanso durante o período
diurno. As consequências prejudiciais do trabalho noturno podem ser de tal
ordem, que alguns autores, como o biomédico Luis Menna Barreto, estimam que o
trabalhador submetido a este horário de trabalho pode “ter uma expectativa de
vida quase dez por cento menor do que os outros trabalhadores”.
– No que se refere a problemas de saúde, algumas pesquisas relatam
que os policiais têm taxas mais altas de doenças de coração, úlceras, suicídio
e divórcio que a população geral, embora, pelo menos para taxas de suicídio,
não seja um achado de todas. Outras revelam taxas de doenças e acidentes oito
vezes mais altas para os policiais do que para funcionários públicos (LENNINGS
(1997).
– Esperança de vida em anos (tábua de mortalidade – IBGE) em 2007
|
homem |
69 |
|
mulher |
76,5 |
|
policial |
54 |
Em que pese a evolução da acessibilidade às diversas formas de tratamento de saúde, surpreendentemente, a expectativa de vida média dos policiais rodoviários federais é de 54 anos, cerca de 16 anos inferior à média da população brasileira.
– Diuturnamente a Polícia Rodoviária Federal, por meio de seus
agentes, realizam policiamento ostensivo, fiscalizam veículos, atendem
acidente, socorrem usuários com veículo em pane nas rodovias federais. Em
defesa da incolumidade da sociedade realizam prisão de preventivados da
justiça, apreensão de drogas, de produtos contrabandeados, fiscalizam produtos
perigosos, entrada de estrangeiros ilegais no País, tráfico de seres humanos,
trabalho escravo, exploração sexual de menores, crimes ambientais.
– Fiscalização, policiamento e sinalização sob sol forte, chuva,
vento, frio ou calor no transcorrer do dia ou noite, varando a madrugada.
Contato direto com a sociedade em geral, daquele que produz a riqueza para a
nação ao que se envolve com a marginalidade – de pequenos a grandes delitos.
Apenas as experiências dos anos vividos nas rodovias somados à sensibilidade no
trato com o usuário limitam a longevidade do policial rodoviário federal nas
suas atribuições legais.
– As múltiplas exigências para o cumprimento de sua missão, o
risco de morte diário (quer em serviço ou folga deste), a violência do trânsito
e do cotidiano da sociedade contemporânea, o processo insalubre a que está
sujeito na sua atividade rotineira, a exigência do estado de alerta 24 horas
diárias, o desgastante labor noturno, obrigam o policial rodoviário federal a
viver um constante “stress” em seu meio ambiente de trabalho.
Senhoras, senhores, essa é a vida do Policial Rodoviário Federal.
Precisamos que todas as forças vivas desse país olhem com carinho para esses
profissionais da segurança pública, e estendo essa visão às demais Polícias do
Brasil. Classe política, e aqui conclamamos a nossa Assembleia Legislativa de
Rondônia, aos detentores de cargos no executivo e a sociedade como um todo, ...
um país mais seguro e mais justo passa por uma polícia bem-preparada, bem
remunerada e respeitada.
Muito obrigado
Edson Silva
Presidente – SINPRF-RO/AC
(Uma
moção de aplausos é um instrumento oficial do Poder Legislativo (Câmara
Municipal, Assembleia Legislativa) para reconhecer, homenagear e valorizar
publicamente indivíduos, entidades, grupos ou instituições por ações notáveis,
serviços relevantes ou destaque em suas áreas de atuação. É uma forma de
gratidão, sem caráter de benefício financeiro).
