Mestre em Ciências da Saúde, UnB; Auditor ISO 14.000; Auditor CONAMA 306; Pesquisador Saúde Pública

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Desde muito cedo despertei o interesse para entender o sentido de “Gigante pela própria natureza” inscrito em nosso belo Hino Nacional Brasileiro. No meu pequeno mundo isso tinha formato de um sonho. Sempre acreditei que o trabalho produziria um Futuro que espelha essa grandeza. Entretanto, não poderíamos esperar “Deitado eternamente em berço esplendido”. Então, me debrucei sobre os livros e outros informes. A história da expansão territorial do Brasil ainda tem sido pouco pesquisada por nossa historiografia, apesar da importância estratégica e atual que reveste a questão. O potencial dos seis Biomas do Brasil nos credencia a produzir alimento para parte significativa dos 195 países do globo. Certo que temos problemas maiúsculos na seara da saúde de nosso povo, saúde primária, saúde regionais, saúde provenientes de epidemias e pandemia novo coronavírus. Nada que planejamentos estratégicos, planos de governo e planos de estado, com boa vontade e união de governantes não possam resolver.

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

O que falta para a Amazônia e o Nordeste assumirem seu verdadeiro papel?

De Patinho Feio a Cisne Global, é hora de mudar o roteiro.

Na clássica fábula de Hans Christian Andersen, o patinho feio sofria humilhações simplesmente porque os animais ao seu redor não entendiam a sua verdadeira natureza. Ele era julgado com as réguas erradas. No Brasil, vivemos uma versão real e trágica dessa história com duas de nossas maiores regiões: a Amazônia (Norte) e o Nordeste.

Historicamente, o debate público nacional e o Estado brasileiro empurraram essas regiões para o papel de "patinhos feios" da federação. O Nordeste sempre foi rotulado pelas lentes da escassez hídrica, do êxodo e da dependência de auxílios. A Amazônia, por sua vez, foi ora tratada como um "vazio demográfico" a ser colonizado de forma predatória, ora como um santuário intocável, isolado do progresso econômico.

Mas o século XXI chegou e o mundo mudou de régua. Hoje, as maiores demandas globais giram em torno de transição energética, segurança alimentar, bioeconomia e ativos ambientais. Ao olharmos para o espelho do mercado global, a verdade se revela: o Norte e o Nordeste nunca foram patinhos feios; eles são os grandes cisnes globais do Brasil.

Imagem criada por Inteligência Artificial

A Riqueza Oculta nos Olhos de Quem Quer Ver

O potencial econômico dessas duas regiões não é uma promessa para o futuro; é uma realidade sufocada no presente.

  • O Nordeste tornou-se o epicentro da revolução dos ventos e do sol, liderando a transição energética do país e atraindo os olhos do mundo para o Hidrogênio Verde. Possui petróleo e gás na Margem Equatorial e um turismo com potencial internacional único.
  • A Região Norte abriga a maior bacia hidrográfica e a maior biodiversidade do planeta, essenciais para a bioeconomia e a indústria biotecnológica. Tem solos férteis em seus cerrados para grãos, potencial gigante para a piscicultura de corte e minérios estratégicos indispensáveis para a tecnologia moderna.

Apesar de carregarem os ativos mais cobiçados do planeta, o paradoxo econômico assusta: juntas, as duas regiões concentram mais de 35% da população brasileira, mas geram menos de 20% do PIB nacional. Por que o cisne ainda não consegue voar?

O Sintoma: Uma Infraestrutura que Pune Quem Produz

O primeiro grande obstáculo invisível ao redor dessas riquezas é o apagão de infraestrutura estrutural. A falta de logística condena a produção local ao atraso:

  • No Norte, a ausência de estradas pavimentadas resilientes (como as discussões crônicas em torno das rodovias federais de escoamento) e a falta de portos e hidrovias estruturadas fazem com que o excesso de chuvas isole cidades inteiras e encareça o transporte de grãos e peixes de cultivo. Falta saneamento básico nas periferias das grandes cidades da maior bacia de água doce do mundo.
  • No Nordeste, embora haja um volume imenso de água armazenado em açudes, a infraestrutura para fazer essa água chegar de forma perene e limpa à ponta da agricultura familiar e ao consumo humano historicamente falhou. Faltam linhas de transmissão robustas para escoar toda a energia eólica e solar produzida.

Essa falta de infraestrutura não é um acidente geográfico. Ela é o reflexo físico de uma escolha política.

A Causa: Onde estão os 48 Senadores?

O Brasil adota um modelo federativo onde cada estado possui três cadeiras no Senado Federal para garantir pesos iguais nas decisões da nação. Somados, os 9 estados do Nordeste e os 7 estados do Norte elegem 48 dos 81 senadores da República.

Isso significa que o Norte e o Nordeste detêm 59% de todo o poder político da Câmara Alta do Congresso Nacional. Nenhuma grande lei, nenhuma indicação de agência reguladora, nenhum Orçamento Geral da União e nenhum grande teto de repasses econômicos é aprovado sem o consentimento dessa ampla maioria.

Portanto, o problema de infraestrutura que trava o desenvolvimento do Norte e do Nordeste não ocorre por falta de representação política, mas sim por uma falha profunda na qualidade dessa representação.

Por décadas, as lideranças dessas regiões (Executivos e Legislativos) optaram por gerenciar o atraso em vez de destruí-lo. As emendas parlamentares bilionárias e as verbas de fundos regionais são repetidamente pulverizadas em calçadas eleitorais, shows de prefeituras ou projetos assistencialistas de curtíssimo prazo — que mantêm o eleitorado dependente —, em vez de serem concentradas em grandes eixos de ferrovias, portos, redes de saneamento e polos tecnológicos.

Em paralelo, a omissão do Estado abre espaço para agendas externas. Muitas organizações e ONGs estrangeiras atuam em territórios isolados ditando regras e impondo visões de preservação contemplativa que sufocam o protagonismo e a sobrevivência dos povos locais. Se as populações tradicionais e os produtores da ponta não forem integrados a cadeias produtivas de valor, a preservação se torna um discurso vazio para quem tem fome.

É Hora de Mudar o Roteiro

Para que a Amazônia e o Nordeste assumam o topo da economia brasileira e internacional, o cidadão precisa parar de aceitar o papel de patinho feio. O voto e a cobrança social precisam deixar de focar nas políticas de governo passageiras para exigir projetos de Estado de longo prazo.

Temos a riqueza natural, temos a população disposta a trabalhar e temos a maioria absoluta no Senado Federal. O que falta é a coragem política de destravar o licenciamento ambiental com critérios técnicos, garantir segurança jurídica para investimentos pesados e colocar gestores públicos comprometidos na cabine de comando.

O cisne global está pronto. Resta saber até quando nossas lideranças vão insistir em mantê-lo trancado no galinheiro.

Por Edson Silva, 12 de outubro de 2026

Fonte: consulta, com Visão Geral criada por IA

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