Mestre em Ciências da Saúde, UnB; Auditor ISO 14.000; Auditor CONAMA 306; Pesquisador Saúde Pública

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Desde muito cedo despertei o interesse para entender o sentido de “Gigante pela própria natureza” inscrito em nosso belo Hino Nacional Brasileiro. No meu pequeno mundo isso tinha formato de um sonho. Sempre acreditei que o trabalho produziria um Futuro que espelha essa grandeza. Entretanto, não poderíamos esperar “Deitado eternamente em berço esplendido”. Então, me debrucei sobre os livros e outros informes. A história da expansão territorial do Brasil ainda tem sido pouco pesquisada por nossa historiografia, apesar da importância estratégica e atual que reveste a questão. O potencial dos seis Biomas do Brasil nos credencia a produzir alimento para parte significativa dos 195 países do globo. Certo que temos problemas maiúsculos na seara da saúde de nosso povo, saúde primária, saúde regionais, saúde provenientes de epidemias e pandemia novo coronavírus. Nada que planejamentos estratégicos, planos de governo e planos de estado, com boa vontade e união de governantes não possam resolver.

sábado, 5 de setembro de 2026

Amazônia – Porque sendo tão ricos, somos tão pobres!!

O quase meio século estudando a Amazônia me autoriza uma discussão madura.

Você que reside no norte do Brasil, como enxerga o mundo amazônico em que vive? Tem expectativa de uma terra reconhecida como uma das maravilhas do mundo futuro? Parece ser um sonho inatingível, não é? Digo que é um problema puramente de gestão.

Vamos exercitar juntos.

Quadro comparativo do desempenho econômico (PIB) estimado das regiões brasileiras:

Região

Participação Estimada no PIB

Dinâmica Econômica e Principais Motores em 2025

Principais Estados Exoesqueletos

Sudeste

~51,5% a

52,0%

Liderança absoluta sustentada por serviços, comércio e forte polo industrial automotivo e extrativo mineral/petróleo. Teve expansão mais moderada (~1,8%) devido ao impacto de juros altos na indústria.

São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Sul

~16,5% a

17,0%

Segunda maior força econômica. Teve forte recuperação puxada por uma supersafra agrícola que elevou o PIB agropecuário local em projeções de até 8%.

Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Nordeste

~13,8%

Terceira maior participação. Crescimento impulsionado pelo consumo das famílias, mercado de trabalho resiliente, setor de serviços e forte expansão de energias renováveis.

Bahia e Pernambuco.

Centro-Oeste

~10,5% a

11,0%

Região de maior dinamismo e maior projeção de crescimento do PIB no ano (~11,7%), impulsionada pelo avanço histórico de dois dígitos na agropecuária de exportação (soja e milho).

Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal.

Norte

~6,0%

Menor fatia geral, mas com forte expansão interna (~2,6% no semestre) puxada pela indústria extrativa mineral, Zona Franca de Manaus e agronegócio em expansão estrutural.

Pará e Amazonas.

As riquezas que o mundo enxerga na Amazônia brasileira

A Amazônia brasileira é vista globalmente não apenas como um santuário ecológico, mas como um dos maiores ativos econômicos, científicos e geopolíticos do século XXI. Diante da urgência climática global, o valor atribuído à região mudou: o foco internacional migrou da explicação tradicional (extração de madeira e agropecuária) para a valoração da floresta em pé e o potencial de alta tecnologia.

Um quadro comparativo das principais riquezas que o mundo enxerga e cobiça na Amazônia brasileira:

Tipo de Riqueza

O que o Mundo Enxerga (Ativos Globais)

Impacto e Aplicação Prática

Ativo Climático & Carbono

A floresta funciona como um regulador do clima global e um gigantesco sumidouro que armazena mais de 100 bilhões de toneladas de carbono.

Créditos de Carbono: Mercado multibilionário onde governos e empresas globais pagam para manter a floresta em pé para compensar suas emissões.

Bioeconomia & Medicamentos

A maior biodiversidade do planeta, abrigando cerca de 25% das espécies terrestres conhecidas.

Biotecnologia: Indústrias farmacêuticas, de cosméticos e alimentícias buscam patentes de plantas e microrganismos para novos remédios, tratamentos e insumos.

Recursos Hídricos

A maior bacia hidrográfica do mundo, contendo cerca de 20% da água doce de superfície do planeta e os "rios voadores" (umidade que regula as chuvas na América do Sul).

Segurança Alimentar e Hídrica: A umidade gerada pela Amazônia garante as chuvas que sustentam o próprio agronegócio do Centro-Sul do Brasil e países vizinhos.

Riqueza Mineral

Províncias minerais gigantescas no subsolo amazônico, ricas em minérios tradicionais e transicionais.

Tecnologia & Transição Energética: Além de ferro e bauxita, a região possui depósitos de cobre, níquel, manganês e terras raras, essenciais para a fabricação de baterias e chips.

Capital Cultural & Saberes

O conhecimento tradicional de centenas de povos indígenas e comunidades ribeirinhas.

Etnobotânica: Conhecimento ancestral sobre o uso médico e prático da flora, que encurta décadas de pesquisas em laboratórios internacionais.

O mundo enxerga a Amazônia sob a ótica da sustentabilidade e conservação de recursos críticos. Por isso, o desmatamento ilegal é visto pelo mercado financeiro internacional como uma destruição de capital real, gerando pressões comerciais e boicotes a commodities brasileiras que não comprovem origem sustentável.

Porque o Brasil e o brasileiro parecem desprezar a força econômica e ambiental da Amazônia

Essa percepção de "desprezo" ou negligência em relação à Amazônia é histórica e envolve fatores econômicos, culturais, sociais e geográficos profundos. Não se trata necessariamente de uma falta de orgulho, mas sim de uma desconexão estrutural entre o Brasil urbano/industrial e a realidade da floresta.

Motivos que explicam por que o país e a sua população muitas vezes parecem ignorar a força econômica e ambiental da Amazônia:

Distância Geográfica e Demográfica

  • População Longe da Floresta: Mais de 80% da população brasileira vive em áreas urbanas, concentrada principalmente nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste, a milhares de quilômetros da floresta.
  • O "Efeito Abstrato": Para a maioria dos brasileiros, a Amazônia é uma realidade distante, vista apenas pela televisão ou livros didáticos. Isso faz com que a urgência ambiental pareça um problema abstrato, enquanto os problemas urbanos imediatos (segurança, transporte, saúde) geram preocupação diária.

Falta de Infraestrutura para a Bioeconomia

  • Indústria Fraca na Região: O Brasil não estruturou cadeias de valor industriais de alta tecnologia na Amazônia para processar as riquezas da biodiversidade. A Zona Franca de Manaus, por exemplo, monta eletrodomésticos e motos com peças importadas, em vez de focar na biotecnologia da própria floresta.
  • O Lucro do Desmatamento Ilegal: Atividades ilegais (garimpo, extração de madeira e grilagem de terras) geram bilhões de reais em dinheiro vivo rapidamente para elites locais, enquanto projetos de desenvolvimento sustentável exigem tempo, pesquisa e investimentos de longo prazo que o país historicamente falha em fornecer.

Desafios Sociais Internos da População Local

  • Pobreza na Maior Riqueza: A região da Amazônia Legal abriga cerca de 28 milhões de brasileiros. Paradoxalmente, muitas dessas cidades registram alguns dos piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) e de saneamento básico do país.
  • Sobrevivência vs. Conservação: Para muitas famílias que vivem na região, a preservação ambiental é vista (muitas vezes por falta de alternativas viáveis oferecidas pelo Estado) como uma barreira para o sustento diário e o crescimento econômico imediato.

Narrativas Políticas e Ideológicas

  • Nacionalismo Defensivo: Existe um forte discurso no Brasil de que a preocupação internacional com a Amazônia é uma tentativa de países ricos de "controlar" o território brasileiro ou frear o agronegócio nacional. Isso cria uma barreira ideológica que faz com que parte da população enxergue o ambientalismo com desconfiança, como uma agenda estrangeira, e não como uma prioridade de soberania e riqueza nacional.

Apesar desse cenário histórico, a mentalidade vem passando por transições. O avanço do mercado de créditos de carbono, o sucesso global de produtos como o açaí e os impactos climáticos sentidos no Centro-Sul (como secas extremas e fumaça de queimadas nas grandes capitais) começaram a mostrar de forma prática que o futuro econômico do Brasil depende diretamente da saúde da floresta.

Os 28 milhões de milhões de brasileiros, que abriram mão do conforto das demais regiões do país, estão engessados por políticas públicas elaboradas descoladas da realidade de nossos biomas (florestas, campos amazônicos/cerrado e pantanal). O cerrado é próprio para o plantio. Algumas áreas são ricas em recursos minerários. O povo amazônico não pode viver miseravelmente.

O ponto mais crítico e central do debate sobre o futuro da região: a Amazônia não é apenas uma floresta; ela é o lar de 28 milhões de pessoas que não podem ser condenadas à miséria em nome de uma preservação que não gera dignidade.

Existe um abismo real entre as políticas desenhadas em gabinetes com ar-condicionado em Brasília ou São Paulo e a realidade de quem está no chão da floresta, lidando com a falta de estradas, energia, emprego e renda. Isolar a população local de decisões econômicas viáveis é perpetuar a pobreza.

Para que o povo amazônico prospere, a gestão do território precisa respeitar a vocação e a diversidade de cada bioma e ecossistema, integrando conservação com produção de riqueza:

1. O Cerrado e os Campos Amazônicos: A Vocação Agrícola

Como você bem pontuou, as áreas de transição e o Cerrado possuem topografia e solo propícios para a agricultura de alta produtividade.

  • O Erro do Engessamento: Tratar o Cerrado da mesma forma que a floresta densa paralisa o motor econômico da região.
  • A Solução Inteligente: Estimular o agronegócio tecnológico e de precisão nessas áreas específicas, verticalizando a produção (transformando grãos em ração e proteína animal localmente) para que o valor agregado e os empregos fiquem na própria região, e não apenas nos portos de exportação.

2. O Subsolo e a Mineração Estratégica: Riqueza Oculta

A Amazônia possui reservas gigantescas de minérios essenciais para a transição energética global (como cobre, níquel, manganês e terras raras).

  • O Erro do Engessamento: Fingir que essa riqueza não existe empurra a atividade para as mãos do garimpo ilegal, que destrói os rios, sonega impostos e financia o crime organizado.
  • A Solução Inteligente: Substituir o proibicionismo ineficiente por mineração industrial regulamentada, com altíssimo rigor ambiental. Empresas sérias pagam royalties bilionários que podem (e devem) ser revertidos em saneamento, escolas, hospitais e infraestrutura para os municípios amazônicos.

3. A Floresta Densa: Riqueza com a Árvore em Pé

Nas áreas de floresta fechada, a derrubada para pastagem de baixa produtividade gera pouco dinheiro e destrói o futuro. O morador da floresta precisa de incentivos para lucrar mais mantendo-a de pé do que derrubando.

  • O Erro do Engessamento: Proibir o uso da floresta sem dar alternativa de renda ao ribeirinho.
  • A Solução Inteligente: Financiar indústrias de biotecnologia locais. O açaí, o cacau nativo, os óleos essenciais e a borracha natural, quando processados na região, geram empregos industriais urbanos e rurais. Além disso, os pagamentos diretos por serviços ambientais e créditos de carbono precisam chegar direto no bolso de quem protege a terra, e não sumir na burocracia de ONGs ou do governo.

O Caminho para a Dignidade

O povo amazônico não escolheu viver no "atraso". A civilidade e o desenvolvimento real acontecem quando o Estado descentraliza as decisões e transforma o cidadão local no principal acionista da riqueza da sua região. Políticas públicas eficazes não devem proibir a produção, mas sim direcionar onde plantar, onde minerar e como lucrar com a floresta em pé.

Concluindo: estamos em um ciclo eleitoral onde os 9 estados que compõe a Amazônia Legal estão apresentando candidatos ao Executivo e Legislativo. Não existe mágica eleitoral. Promessas eleitoreiras não trarão os resultados que precisamos. Empreendedorismo, liberdade econômica, projetos de longo prazo factíveis (projeto de Estado), habilitarão os estados federativos a criar condições de atender a saúde, educação e segurança de seu povo. Somos diferentes, temos mais potencial que outras regiões brasileiras. AGORA PRECISAMOS ENCONTRAR QUEM ESTEJA PROPENSO A HONRAR NOSSO ESTADO e NOSSO POVO.

04 de setembro de 2026 (dia de meu aniversário de 72 anos)

Por Edson Silva

Fontes

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