Mestre em Ciências da Saúde, UnB; Auditor ISO 14.000; Auditor CONAMA 306; Pesquisador Saúde Pública

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Desde muito cedo despertei o interesse para entender o sentido de “Gigante pela própria natureza” inscrito em nosso belo Hino Nacional Brasileiro. No meu pequeno mundo isso tinha formato de um sonho. Sempre acreditei que o trabalho produziria um Futuro que espelha essa grandeza. Entretanto, não poderíamos esperar “Deitado eternamente em berço esplendido”. Então, me debrucei sobre os livros e outros informes. A história da expansão territorial do Brasil ainda tem sido pouco pesquisada por nossa historiografia, apesar da importância estratégica e atual que reveste a questão. O potencial dos seis Biomas do Brasil nos credencia a produzir alimento para parte significativa dos 195 países do globo. Certo que temos problemas maiúsculos na seara da saúde de nosso povo, saúde primária, saúde regionais, saúde provenientes de epidemias e pandemia novo coronavírus. Nada que planejamentos estratégicos, planos de governo e planos de estado, com boa vontade e união de governantes não possam resolver.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

A natureza dos tornados, Brasil é segundo em áreas propensas ao fenômeno.

86 tornados até agosto de 2026, El Niño começa a ganhar força. O Brasil não está preparado.

O El Niño em 2026 ganhou força de forma extremamente rápida e já está oficialmente classificado pelas agências meteorológicas como um "Super El Niño". O fenômeno superou recordes históricos de intensidade antes mesmo de atingir o período estimado para o seu pico físico. Esses eventos extremos, de que forma afetarão a vida do brasileiro? Como são tratadas as políticas públicas no Brasil para eventos extremos?

Tornado - Coluna de ar que gira em alta velocidade e toca o solo, formando um funil que se estende de uma nuvem de tempestade até a superfície da Terra.

O tornado é mais perigoso em termos de velocidade de ventos e destruição pontual, mas o furacão causa danos em uma escala muito maior. 

Características Principais

  • Ventos Fortes: Podem passar de 180 km/h e chegar a mais de 480 km/h nos casos mais extremos.
  • Contato com o Solo: O fenômeno só recebe o nome de tornado quando a ponta do funil toca o chão.
  • Duração Curta: Costuma durar de poucos minutos a algumas horas, afetando uma faixa estreita de terra.
  • Poder de Destruição: É um dos fenômenos atmosféricos mais violentos da natureza, capaz de destruir construções e arremessar objetos pesados.

O El Nino, La Niña e os Tornados

Enquanto o aquecimento das águas do Oceano Pacífico (efeito El Nino), potencializa e aumenta o risco de tornados no Sul do Brasil, ele tende a reduzir e reprimir a frequência de tornados na região central dos Estados Unidos.

Sob o efeito da La Niña (resfriamento do Pacífico), os Estados Unidos sofrem com surtos históricos e devastadores de tornados no centro e leste do país (como ocorreu nos anos de 1974 e 2011). Já o Sul do Brasil entra em períodos de seca, diminuindo drasticamente a quantidade de tempestades severas e a formação de tornados.

Países que registram o evento tornado

Os Estados Unidos são o país com o maior número de registros e a maior intensidade de tornados do mundo, seguidos pelo Brasil, que ocupa a segunda posição global em áreas propensas à formação desse fenômeno. Abaixo estão os principais países e regiões afetados por tornados no planeta:

Principais Países e Regiões com Tornados

  • Estados Unidos: É o líder absoluto, registrando mais de 1.200 tornados por ano. A área mais afetada é o famoso Tornado Alley, nas planícies centrais do país.
  • Brasil: Considerado o segundo país mais propenso do mundo. Os fenômenos se concentram no chamado "Corredor de Tornados da América do Sul", afetando principalmente os estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, além de partes de São Paulo.
  • Canadá: Registra uma quantidade significativa de tornados anualmente, logo atrás dos EUA na América do Norte.
  • Outros países da América do Sul: Além do Brasil, o corredor sul-americano abrange áreas da Argentina, Uruguai e Paraguai.
  • Ásia: Bangladesh e o Paquistão sofrem com tornados devastadores. O leste da China e o Japão também registram o fenômeno com frequência.

Os Estados Unidos são o país com o maior histórico de destruição por tornados no mundo. O país possui registros meteorológicos oficiais detalhados pela NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) desde o século XIX.

O epicentro desses eventos é o chamado Tornado Alley (Corredor de Tornados) — que engloba estados como Texas, Oklahoma, Kansas e Nebraska —, além do Dixie Alley, no sudeste americano (estados como Mississippi, Alabama e Georgia), conhecido por gerar os tornados mais letais devido à alta densidade populacional. Abaixo estão os tornados mais graves, as cidades mais afetadas e o histórico de óbitos nos EUA:

Os Tornados Mais Letais da História dos EUA

Posição

Nome / Evento Histórico

Data

Estados Afetados

Óbitos Registrados

1º

O Tornado Tri-Estadual (Tri-State Tornado)

18/03/1925

Missouri, Illinois e Indiana

695 mortes

2º

O Grande Tornado de Natchez

06/05/1840

Louisiana e Mississippi

317 mortes

3º

O Grande Tornado de St. Louis

27/05/1896

Missouri e Illinois

255 mortes

4º

Tornado de Tupelo

05/04/1936

Mississippi

216 mortes

5º

Tornado de Gainesville

06/04/1936

Georgia

203 mortes

Detalhes dos Casos Mais Devastadores

  • O Tri-State Tornado (1925) — O Pior da História: É o recordista absoluto em letalidade, duração e velocidade nos EUA. Ele percorreu uma distância absurda de 352 quilômetros ao longo de 3 horas e meia com a intensidade máxima de um F5. A cidade de Murphysboro (Illinois) foi praticamente varrida do mapa, registrando sozinha 234 mortes, incluindo 28 estudantes após o desabamento de duas escolas.
  • O Surto de Tupelo-Gainesville (1936): Em um intervalo de apenas 24 horas, duas tempestades massivas atingiram áreas comerciais e residenciais. Em Gainesville, o tornado atingiu a fábrica têxtil Cooper Pants Factory, colapsando o prédio e matando 70 funcionários. Esse continua sendo o maior número de mortes causadas por um tornado em um único edifício na história do país.
  • O Surto de Joplin (2011) — A Tragédia Moderna: Embora o avanço da tecnologia e dos radares meteorológicos tenha reduzido drasticamente o número de mortes nas últimas décadas, o tornado de Joplin (Missouri) em 22 de maio de 2011 provou a força da natureza. Classificado como um EF5 (Escala Fujita Melhorada), ele atingiu diretamente o centro da cidade, destruindo um hospital, escolas e bairros inteiros, deixando 161 mortos e mais de 1.000 feridos.

Surtos Históricos (Múltiplos Tornados Simultâneos)

Além de tornados isolados, os EUA sofrem com ondas massivas geradas por frentes frias colossais. O recorde atual pertence ao Super Outbreak de 2011, que gerou o impressionante número de 367 tornados confirmados em apenas 4 dias no final de abril, matando 324 pessoas ao longo do país

Como os norte-americanos se protegem dos tornados

Por meio de uma combinação de tecnologia de monitoramento rápido, abrigos estruturais específicos e protocolos de segurança rigidamente ensinados desde a infância. A resposta rápida baseia-se na diferenciação crítica entre dois níveis de avisos emitidos pelo National Weather Service (NWS).

Abrigos Residenciais e Estruturas Seguras

Dentro de casa, a regra de ouro do NWS é o lema "Get In, Go Down, Cover Up" (Entre, Desça, Proteja-se):

Localização na Casa

Nível de Proteção

O que os moradores fazem

Bunkers / Storm Cellars

Máximo

Abrigos subterrâneos de concreto ou aço construídos no jardim ou abaixo da garagem, capazes de resistir a ventos de até 400 km/h.

Porão (Basement)

Alto

O subsolo da casa é a opção padrão mais segura para se proteger do desabamento da estrutura superior de madeira.

Cômodo Interno (Sem porão)

Médio

Moradores vão para o banheiro, closet ou corredor mais central no térreo, garantindo o maior número de paredes entre eles e o vento externo.

Por que as casas americanas continuam sendo construídas de madeira em regiões com tantos tornados?

A permanência das casas de madeira em regiões com alta incidência de tornados nos Estados Unidos deve-se principalmente à relação de custo-benefício econômico, à matemática das probabilidades de impacto e a uma estratégia de engenharia que prioriza proteger vidas (com abrigos) em vez de proteger a estrutura do imóvel.

A Física de um Tornado vs. Alvenaria

Muitas pessoas acreditam que casas de tijolo ou concreto resistiriam perfeitamente a um tornado, mas isso é um mito para tempestades severas.

  • Ventos Extremos: Tornados de categorias mais altas (EF4 ou EF5) geram ventos que passam facilmente dos 300 km/h. Ventos dessa magnitude transformam telhados em "velas de barco", arrancando-os. Sem o telhado, as paredes de tijolo perdem a amarração estrutural e desabam facilmente.
  • Projéteis Mortais: O vento arremessa carros, árvores e pedaços de outras estruturas. Se uma parede de concreto for atingida por um objeto pesado a 300 km/h, ela se romperá de qualquer forma, gerando escombros muito mais pesados e letais para quem está dentro.

Muitas legislações locais em áreas de risco exigem que as novas construções possuam bunkers subterrâneos ou cômodos centrais blindados altamente reforçados. Assim, mesmo que a casa de madeira seja completamente varrida pelo vento, a família que estava abrigada no bunker sairá ilesa.

https://www.instagram.com/reel/DQ-ILVJDC21/

Brasil

Aqui o chamado "corredor dos tornados" abrange principalmente os estados da Região Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná). Ao contrário dos Estados Unidos, o Brasil não possui uma política pública específica, integrada ou focada exclusivamente na prevenção de tornados.

O histórico de tornados no corredor do Paraná mostra que, embora os registros oficiais tenham se tornado mais precisos nas últimas décadas graças à tecnologia, o estado convive com esses fenômenos destrutivos há gerações. Abaixo estão os eventos mais marcantes, as cidades mais afetadas e os registros de óbitos ao longo do tempo:

Os Tornados Mais Graves e Letais no Paraná

Ano

Cidades Mais Afetadas

Intensidade / Impacto

Óbitos Registrados

1959

Palmas (região da Fazenda Fortaleza, divisa PR/SC)

Catastrófico (Ventos >200 km/h)

35 mortes no Paraná (Mais de 90 no total do surto regional)

2025

Rio Bonito do Iguaçu, Porto Barreiro, Laranjeiras do Sul, Guarapuava

EF3 a F4 (90% de Rio Bonito do Iguaçu foi destruída)

7 mortes (6 em Rio Bonito do Iguaçu e 1 em Guarapuava)

2018

Itaperuçu (Região Metropolitana de Curitiba)

F2 (Destruiu centenas de casas e o hospital local)

2 mortes

2015

Francisco Beltrão (Bairro Marmeleiro)

F2 (Mais de 70 feridos e dezenas de casas totalmente destruídas)

0 mortes (Apenas feridos graves)

2026

Espigão Alto do Iguaçu, Piraí do Sul

F1 a F2 (Surtos múltiplos que destruíram escolas e plantações em junho/julho)

0 mortes (Alertas rápidos da Defesa Civil)

Detalhes dos Grandes Marcos Históricos

  • A Tragédia de 1959 (O Mais Letal do Brasil): Ocorreu entre 13 e 14 de agosto de 1959. Um severo surto de tornados atingiu o Sul do país. Em Palmas (PR), o tornado arrancou pinheiros gigantes pela raiz e varreu construções de madeira, deixando 35 mortos. Na época, pela falta de radares, o desastre foi noticiado apenas como um "forte vendaval" ou "redemoinho", tendo sua real natureza confirmada por estudos décadas depois.
  • O Desastre de Novembro de 2025: Considerado o tornado mais destrutivo da história recente do Paraná. Uma supercélula gerou múltiplos tornados que cortaram o interior. A cidade de Rio Bonito do Iguaçu sofreu o pior impacto: ventos de até 250 km/h e diâmetro de funil de quase 1 km varreram o município, destruindo 90% das edificações. O evento causou 7 mortes no estado e mais de 750 feridos.
  • O Surto de Junho/Julho de 2026: O estado registrou uma sequência impressionante de 6 tornados confirmados em um intervalo de três dias. Cidades dos Campos Gerais e Centro-Sul sofreram danos em escolas e produções agrícolas de eucalipto e soja, mas a tecnologia de radar do Simepar permitiu evacuações a tempo, evitando mortes.

Principais Zonas de Risco no Estado

De acordo com levantamentos meteorológicos do Simepar e mapeamentos de satélite, o corredor corta o Paraná unindo cidades com forte incidência de supercélulas de tempestades:

  • Região Oeste e Sudoeste: Cidades como Francisco Alves, Mercedes, Foz do Iguaçu e Francisco Beltrão estão na principal rota de entrada da umidade vinda do Paraguai.
  • Região Centro-Sul: Áreas como Rio Bonito do Iguaçu, Espigão Alto do Iguaçu, Laranjeiras do Sul, Guarapuava e Turvo registram vários episódios graves devido ao relevo e choques térmicos frequentes.
  • Campos Gerais: Cidades como Piraí do Sul também entraram fortemente no mapa de risco após severas ocorrências registradas em anos recentes.

Por que os tornados se concentram nessa faixa?

A geografia do Paraná atua como um facilitador climático. A Cordilheira dos Andes canaliza os ventos frios e secos que vêm do sul do continente. Ao mesmo tempo, os "rios voadores" trazem o calor e a altíssima umidade da Amazônia e da região do Chaco paraguaio rumo ao Sul do Brasil.

Quando esses dois extremos se encontram bem em cima do Paraná e de Santa Catarina, criam uma instabilidade atmosférica massiva com cisalhamento do vento (mudança abrupta de velocidade e direção com a altura), girando as nuvens e gerando os tornados.

Os tornados mais destrutivos já registrados na história do Brasil atingiram velocidades estimadas entre 220 km/h e 380 km/h. Como no Brasil não costuma haver sensores de vento (anemômetros) sobreviventes no trajeto exato de um tornado, os meteorologistas calculam a velocidade com base nos rastros de destruição deixados no solo utilizando a Escala Fujita (F0 a F5).

1. Tornado de Francisco Beltrão (PR) | Categoria F4, Velocidade estimada: Até 380 km/h.

  • O evento: Ocorrido em 13 de julho de 2015, é considerado um dos tornados mais violentos da história recente do país. Ele destruiu completamente dezenas de casas, arrancou árvores pela raiz, retorceu torres de alta tensão e deixou 19 feridos.

2. Tornado de Xanxerê (SC) | Categoria F3 (EF3), Velocidade estimada: Entre 250 km/h e 330 km/h.

  • O evento: Em 20 de abril de 2015, uma supercélula gerou um rastro devastador que cortou bairros inteiros da cidade catarinense. O vento colapsou o ginásio municipal, arrancou telhados de concreto, tombou caminhões e danificou mais de 2 mil residências, resultando em 4 mortes e prejuízos de R$ 250 milhões.

3. Tornado do Paraná (2026) | Categoria F3 (EF3), Velocidade estimada: Até 332 km/h.

  • O evento: Um caso recente ocorrido em agosto de 2026 afetou a zona rural do estado, gerando um rastro de destruição contínua ao longo de 17,3 quilômetros com ventos severos que destruíram tudo em seu caminho.

4. Tornado de Itu (SP) e Palmas (PR) | Categorias F3 a F4, Velocidade estimada: Acima de 250 km/h.

  • O impacto histórico: Em termos de letalidade, o tornado de Palmas (PR) em 1959 (estatisticamente o mais mortal, com dezenas de vítimas na zona rural) e o de Itu (SP) em 1991 (que deixou 15 mortos e milhares de desabrigados) causaram danos compatíveis com ventos dessa magnitude, arrancando construções inteiras do chão.

Tem-se notícia de tornados na Amazônia?

Sim, existem notícias e registros científicos de tornados na Amazônia, embora eles sejam considerados fenômenos raros e atípicos para a região.

Diferente do Sul do Brasil, onde os tornados ocorrem em terra firme e de forma devastadora devido ao choque com massas polares, na Região Amazônica o fenômeno se manifesta majoritariamente de duas maneiras específicas: trombas d'água sobre os grandes rios e tornados de menor intensidade (landspouts).

Embora muito mais difíceis de rastrear devido à densidade da floresta e vazios demográficos, tornados terrestres já causaram sustos reais no bioma amazônico.

A abordagem do poder público brasileiro funciona dentro de uma política geral de gestão de riscos e resposta a desastres climáticos genéricos (como temporais, vendavais e granizo) capitaneada pela Defesa Civil. Especialistas apontam que a infraestrutura urbana nacional ainda carece de preparo para eventos de ventos extremos.

Na imensa maioria das vezes, o sistema público avisa sobre "tempestades severas, granizo e vendavais" em vez de cravar a palavra "tornado". Isso ocorre porque os radares meteorológicos brasileiros ainda possuem limitações técnicas para rastrear a formação exata de microexplosões e tornados em tempo real de forma generalizada.

A principal força das políticas públicas brasileiras hoje é a resposta imediata ao rastro de destruição. Quando um tornado atinge uma cidade do Sul, o fluxo de socorro segue um padrão nacional determinado pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec).

Por Edson Silva, 29/9/2026

Fontes: Visão Geral criada por IA


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