Qual a população de idosos no Brasil, e como integrá-los ao mundo digital. Teremos um grande grupo de digitalmente excluídos?
A população de idosos
(pessoas com 60 anos ou mais) no Brasil chegou a 34,1 milhões, representando
mais de 15,6% de todos os habitantes do país.
Esse contingente de cidadãos enfrenta
o risco real de se tornar o maior grupo de excluídos da história recente,
caso o avanço dos serviços digitais não seja acompanhado por um processo de
inclusão planejado. Para integrá-los de forma digna e evitar o isolamento
social e financeiro, as estratégias devem focar em três pilares práticos:
1. Letramento Digital Prático
(Aprender a Mexer)
- Oficinas de Tecnologia Locais: Criação de cursos
gratuitos em Centros de Referência de Assistência Social (CRAS),
associações de bairro e universidades (como o programa USP 60+).
- Aulas Sem Jargões Técnicos: O ensino precisa focar
em utilidades do dia a dia (como salvar um contato, fazer uma
chamada de vídeo ou identificar um link falso), abolindo termos
em inglês que geram barreiras psicológicas.
- Tutoria Intergeracional: Incentivar programas onde
jovens ensinam idosos, promovendo a troca de experiências e paciência no
aprendizado.
2. Design e Acessibilidade (Adaptação
dos Aplicativos)
- Interfaces Simplificadas: Aplicativos de bancos e
do governo precisam oferecer um "Modo Idoso" opcional, com
botões maiores, alto contraste e comandos de voz claros.
- Redução da Linha de Comando: Diminuir a quantidade
de etapas necessárias para concluir uma tarefa ou pagamento dentro de um
aplicativo.
- Alternativas ao Reconhecimento Facial: Fornecer
métodos de autenticação biométrica mais simples (como a digital) ou manter
canais de validação humana rápidos para evitar o bloqueio de serviços
básicos.
3. Segurança Coletiva
(Rede de Proteção)
- Educação Antiburla: Campanhas públicas maciças e
contínuas na televisão e no rádio — mídias muito consumidas por esse
público — simulando como funcionam os golpes do Pix, do falso motoboy e os
links maliciosos do WhatsApp.
- Suporte Presencial de Contingência: O atendimento
físico em agências bancárias e órgãos públicos não pode ser totalmente
extinto. O ambiente digital deve ser um direito e uma facilidade, mas
nunca uma obrigação excludente para quem não consegue usá-lo.
Como é a interação dos idosos
com o mundo digital
Dados de pesquisas recentes
mostram que 69,8% dos idosos brasileiros (cerca de 24,5 milhões de pessoas)
utilizam a internet, o que representa um crescimento de quase 278% no
acesso desse grupo. No entanto, a interação deles com o ambiente digital é
marcada pelo paradoxo entre o desejo de inclusão e a falta de preparo
técnico, gerando grandes vulnerabilidades.
Motivação: O que eles fazem
online?
A busca por informação e a quebra
do isolamento social são os grandes motores do acesso. De acordo com o
levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), as
principais atividades são:
- Buscar informações (64%): Pesquisas sobre
notícias de economia, política, saúde e esportes.
- Manter contato (61%): Uso de redes sociais
para conversar com amigos e familiares.
- Consumo e serviços (54%): Procurar detalhes
sobre produtos ou marcas.
Os aplicativos mais presentes no
cotidiano dessa faixa etária são o WhatsApp (92%), seguido pelo Facebook
(85%), YouTube (77%) e aplicativos bancários, utilizados por 71% dos idosos
conectados. O smartphone (84%) é o principal meio de acesso.
O Grande Desafio: O
"Platô" e o Letramento Digital
Embora o acesso venha crescendo,
especialistas apontam que a curva de inclusão atingiu um teto preocupante.
Dados analisados pelo Jornal da USP indicam que 66% dos idosos que navegam na
internet relatam não saber utilizar plenamente os recursos disponíveis.
Entre aqueles que permanecem
totalmente desconectados do ambiente digital, 45,6% apontam o fato de
"não saber mexer" como o principal motivo para ficar de fora,
seguido pela falta de interesse ou necessidade (28,5%).
Alvo de Fraudes e Sensação de
Insegurança
A falta de familiaridade técnica
cobra um preço alto em segurança. Um mapeamento feito pela Fundação Seade trouxe dados expressivos sobre o impacto da
criminalidade digital na terceira idade:
- 82% dos idosos já sofreram tentativas de
golpes virtuais por mensagens, ligações ou e-mails falsos.
- 12% deles já foram vítimas de golpes
consumados de abertura de contas correntes ou contratação de empréstimos
fraudulentos em seus nomes.
- 68% dos entrevistados acreditam que hoje é
praticamente impossível se proteger de fraudes online, o que gera
ansiedade gerontecnológica e faz com que muitos recuem e prefiram o
isolamento digital.
Especialistas e coordenadores de
pesquisas de tecnologia — como o comitê responsável pela pesquisa TIC Domicílios — defendem que a internet precisa deixar de
ser um ambiente de obrigação forçada para serviços e passar a ser trabalhada
por meio de políticas públicas com "tutores digitais". O papel
desses tutores é guiar o idoso passo a passo na configuração de acessibilidade
e na prevenção de golpes, gerando real emancipação.
https://cndl.org.br/varejosa/5-vantagens-do-reconhecimento-facial-no-pagamento/
A dificuldade de realizar o reconhecimento facial é só com o servidor público, em especial o aposentado?
Não, a dificuldade com o
reconhecimento facial não é exclusiva de servidores públicos ou aposentados.
Embora esse grupo ganhe muito destaque na mídia devido à obrigatoriedade da
Prova de Vida (via aplicativos como SouGov e Meu INSS), esse é um problema
tecnológico global que afeta qualquer cidadão, independentemente de sua
profissão.
As falhas e exclusões causadas
pelo reconhecimento facial acontecem de forma ampla por três grandes motivos:
1. Racismo Algorítmico e Falta
de Diversidade
Os algoritmos de inteligência
artificial que realizam o mapeamento dos rostos costumam ser treinados com
bancos de dados estrangeiros e pouco diversos. Isso faz com que os sistemas
tenham taxas de erro drasticamente maiores ao tentar identificar:
Pessoas negras e indígenas.
- Pessoas trans e não binárias.
- Mulheres (que frequentemente enfrentam mais falhas
de validação do que homens).
2. Mudanças Biológicas e
Envelhecimento
A biometria facial compara a foto
tirada na hora com o documento oficial cadastrado no governo (como a CNH ou o
Título de Eleitor). O sistema falha frequentemente com idosos em geral
(não apenas servidores) porque o envelhecimento natural da pele, linhas de
expressão e pálpebras caídas alteram os pontos de leitura que o algoritmo tenta
cruzar com fotos antigas.
3. Barreiras de Mercado Geral
(Bancos e Serviços Private)
Qualquer pessoa que use
aplicativos bancários privados (como Banco Inter, Nubank, Itaú), carteiras
digitais de trânsito ou apps de entrega enfrenta o mesmo problema. Usuários
relatam com frequência contas bloqueadas por "erro de leitura" devido
a fatores cotidianos como:
- Iluminação inadequada do ambiente.
- Qualidade ruim da câmera do celular.
- Uso de óculos, mudando o ângulo do rosto ou
tremores nas mãos que borram a imagem.
Aplicativo do governo (como o
Gov.br) apresentam mais dificuldade? Nesse caso, como resolver
Sim, aplicativos como o Gov.br
apresentam maior dificuldade de reconhecimento facial, pois o sistema exige
um nível de precisão de segurança extremamente alto para evitar fraudes de
identidade. No entanto, muitas vezes o algoritmo falha por instabilidade nos
servidores governamentais ou porque a foto capturada não bate milimetricamente com
os bancos de dados oficiais do governo (como os dados da CNH ou do Tribunal
Superior Eleitoral - TSE).
Se o sistema está travando, dando
erro ou não reconhecendo o rosto, existem duas formas de resolver: fazendo ajustes
técnicos na captura ou utilizando caminhos alternativos que pulam o
reconhecimento facial.
Soluções Técnicas para Fazer o
Aplicativo Funcionar
Se você precisa obrigatoriamente
usar a câmera do Gov.br, siga estes passos para diminuir a rejeição do
algoritmo:
- Mantenha-se estático após o clique: O
aplicativo faz leituras de movimentos rápidos ("pisque os
olhos", "olhe para o lado"). Assim que o processo terminar,
não mexa o rosto e mantenha o celular parado até que apareça a
mensagem verde de "Concluído". Mudar o ângulo rápido demais
antes do salvamento cancela a validação.
- Fundo neutro e iluminação natural: Evite
fundos com quadros, portas ou outras pessoas. Fique de frente para uma
janela com iluminação natural direta no seu rosto, evitando sombras
artificiais que o sistema confunda com linhas de expressão.
- Limpeza e posicionamento da câmera: Limpe a
lente frontal do celular com um pano macio. Segure o aparelho exatamente
na altura dos olhos (em linha reta), e não de baixo para cima.
- Remova acessórios: Retire óculos de grau,
chapéus, lenços ou brincos grandes que alterem os pontos de marcação
mapeados pelo sistema.
- Limpe o cache do aplicativo: Vá nas
configurações do celular, procure o aplicativo "Gov.br", clique
em "Armazenamento" e selecione "Limpar Cache".
Isso remove travamentos internos e bugs temporários do app.
Como Resolver Sem o
Reconhecimento Facial (Caminhos Alternativos)
Caso as tentativas continuem
falhando e gerando bloqueios por excesso de erros, você pode subir o nível da
sua conta para Prata ou realizar serviços sem precisar validar o rosto
no celular:
- Acesso via Internet Banking (Recomendado): Na
tela de login do Gov.br, selecione a opção de entrar através do seu banco
(ex: Banco do Brasil, Caixa, Itaú, Bradesco). Ao validar o acesso pelo
aplicativo do seu banco (onde você já tem cadastro), o Gov.br
automaticamente eleva sua conta para o Nível Prata, liberando quase
todos os serviços e assinaturas eletrônicas.
- Uso de Computador com Webcam: Se o celular
for antigo ou tiver uma câmera de baixa qualidade, tente realizar o
processo pelo site oficial do Gov.br em um computador ou notebook que
possua webcam integrada.
- Formulário de Suporte Técnico: Após
sucessivos erros no aplicativo, o próprio sistema costuma exibir uma opção
de envio de formulário de erro. Nele, é possível anexar uma foto segurando
o documento de identidade para que um funcionário humano faça a liberação
manual da conta.
- Agências Presenciais para o INSS: Caso o
reconhecimento facial seja para a Prova de Vida do aposentado e o
aplicativo falhe repetidamente, lembre-se de que a validação pode ser
realizada presencialmente realizando saques na boca do caixa com biometria
bancária, consultas no SUS ou votando nas eleições.
Concluindo: 40% dos 60 +
dizem ter algum tipo de dificuldade em ler e escrever, seja pela falta de
escolaridade básica, analfabetismo ou o analfabetismo funcional. Se na década
de 70 e 80 do século passado a juventude era o foco da atenção dos governos e
das políticas públicas, hoje a gente percebe que esta camada idosa é a que mais
demanda por políticas públicas. Nossa população envelheceu ao longo dessas
décadas e as gestões precisam pensar em como elaborar melhores políticas para
atender os anseios desse público.
Uma operação que deixa, em
especial o aposentado (euzinho) muito irritado é o tal reconhecimento facial.
Enquanto não identificado, o sistema não te permite acessar a página
para preencher questionamentos meus e/ou da instituição. “Afaste o rosto da câmera,
abra os olhos, aproxime o rosto, não sorria, ...”. Já aconteceu de perder até
dois dias, para ter um direito assegurado.
Fonte:
Visão geral criada por IA
Pesquisas elaboradas por: Edson
Silva, 04/06/2026


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