Mestre em Ciências da Saúde, UnB; Auditor ISO 14.000; Auditor CONAMA 306; Pesquisador Saúde Pública

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Desde muito cedo despertei o interesse para entender o sentido de “Gigante pela própria natureza” inscrito em nosso belo Hino Nacional Brasileiro. No meu pequeno mundo isso tinha formato de um sonho. Sempre acreditei que o trabalho produziria um Futuro que espelha essa grandeza. Entretanto, não poderíamos esperar “Deitado eternamente em berço esplendido”. Então, me debrucei sobre os livros e outros informes. A história da expansão territorial do Brasil ainda tem sido pouco pesquisada por nossa historiografia, apesar da importância estratégica e atual que reveste a questão. O potencial dos seis Biomas do Brasil nos credencia a produzir alimento para parte significativa dos 195 países do globo. Certo que temos problemas maiúsculos na seara da saúde de nosso povo, saúde primária, saúde regionais, saúde provenientes de epidemias e pandemia novo coronavírus. Nada que planejamentos estratégicos, planos de governo e planos de estado, com boa vontade e união de governantes não possam resolver.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Idoso no mundo digital - A face perversa da identidade etária, via digital

Qual a população de idosos no Brasil, e como integrá-los ao mundo digital. Teremos um grande grupo de digitalmente excluídos?

A população de idosos (pessoas com 60 anos ou mais) no Brasil chegou a 34,1 milhões, representando mais de 15,6% de todos os habitantes do país.

Esse contingente de cidadãos enfrenta o risco real de se tornar o maior grupo de excluídos da história recente, caso o avanço dos serviços digitais não seja acompanhado por um processo de inclusão planejado. Para integrá-los de forma digna e evitar o isolamento social e financeiro, as estratégias devem focar em três pilares práticos:

1. Letramento Digital Prático (Aprender a Mexer)

  • Oficinas de Tecnologia Locais: Criação de cursos gratuitos em Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), associações de bairro e universidades (como o programa USP 60+).
  • Aulas Sem Jargões Técnicos: O ensino precisa focar em utilidades do dia a dia (como salvar um contato, fazer uma chamada de vídeo ou identificar um link falso), abolindo termos em inglês que geram barreiras psicológicas.
  • Tutoria Intergeracional: Incentivar programas onde jovens ensinam idosos, promovendo a troca de experiências e paciência no aprendizado.

2. Design e Acessibilidade (Adaptação dos Aplicativos)

  • Interfaces Simplificadas: Aplicativos de bancos e do governo precisam oferecer um "Modo Idoso" opcional, com botões maiores, alto contraste e comandos de voz claros.
  • Redução da Linha de Comando: Diminuir a quantidade de etapas necessárias para concluir uma tarefa ou pagamento dentro de um aplicativo.
  • Alternativas ao Reconhecimento Facial: Fornecer métodos de autenticação biométrica mais simples (como a digital) ou manter canais de validação humana rápidos para evitar o bloqueio de serviços básicos.

3. Segurança Coletiva (Rede de Proteção)

  • Educação Antiburla: Campanhas públicas maciças e contínuas na televisão e no rádio — mídias muito consumidas por esse público — simulando como funcionam os golpes do Pix, do falso motoboy e os links maliciosos do WhatsApp.
  • Suporte Presencial de Contingência: O atendimento físico em agências bancárias e órgãos públicos não pode ser totalmente extinto. O ambiente digital deve ser um direito e uma facilidade, mas nunca uma obrigação excludente para quem não consegue usá-lo.

Como é a interação dos idosos com o mundo digital

Dados de pesquisas recentes mostram que 69,8% dos idosos brasileiros (cerca de 24,5 milhões de pessoas) utilizam a internet, o que representa um crescimento de quase 278% no acesso desse grupo. No entanto, a interação deles com o ambiente digital é marcada pelo paradoxo entre o desejo de inclusão e a falta de preparo técnico, gerando grandes vulnerabilidades.

Motivação: O que eles fazem online?

A busca por informação e a quebra do isolamento social são os grandes motores do acesso. De acordo com o levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), as principais atividades são:

  • Buscar informações (64%): Pesquisas sobre notícias de economia, política, saúde e esportes.
  • Manter contato (61%): Uso de redes sociais para conversar com amigos e familiares.
  • Consumo e serviços (54%): Procurar detalhes sobre produtos ou marcas.

Os aplicativos mais presentes no cotidiano dessa faixa etária são o WhatsApp (92%), seguido pelo Facebook (85%), YouTube (77%) e aplicativos bancários, utilizados por 71% dos idosos conectados. O smartphone (84%) é o principal meio de acesso.

O Grande Desafio: O "Platô" e o Letramento Digital

Embora o acesso venha crescendo, especialistas apontam que a curva de inclusão atingiu um teto preocupante. Dados analisados pelo Jornal da USP indicam que 66% dos idosos que navegam na internet relatam não saber utilizar plenamente os recursos disponíveis.

Entre aqueles que permanecem totalmente desconectados do ambiente digital, 45,6% apontam o fato de "não saber mexer" como o principal motivo para ficar de fora, seguido pela falta de interesse ou necessidade (28,5%).

Alvo de Fraudes e Sensação de Insegurança

A falta de familiaridade técnica cobra um preço alto em segurança. Um mapeamento feito pela Fundação Seade trouxe dados expressivos sobre o impacto da criminalidade digital na terceira idade:

  • 82% dos idosos já sofreram tentativas de golpes virtuais por mensagens, ligações ou e-mails falsos.
  • 12% deles já foram vítimas de golpes consumados de abertura de contas correntes ou contratação de empréstimos fraudulentos em seus nomes.
  • 68% dos entrevistados acreditam que hoje é praticamente impossível se proteger de fraudes online, o que gera ansiedade gerontecnológica e faz com que muitos recuem e prefiram o isolamento digital.

Especialistas e coordenadores de pesquisas de tecnologia — como o comitê responsável pela pesquisa TIC Domicílios — defendem que a internet precisa deixar de ser um ambiente de obrigação forçada para serviços e passar a ser trabalhada por meio de políticas públicas com "tutores digitais". O papel desses tutores é guiar o idoso passo a passo na configuração de acessibilidade e na prevenção de golpes, gerando real emancipação.

https://cndl.org.br/varejosa/5-vantagens-do-reconhecimento-facial-no-pagamento/

A dificuldade de realizar o reconhecimento facial é só com o servidor público, em especial o aposentado?

Não, a dificuldade com o reconhecimento facial não é exclusiva de servidores públicos ou aposentados. Embora esse grupo ganhe muito destaque na mídia devido à obrigatoriedade da Prova de Vida (via aplicativos como SouGov e Meu INSS), esse é um problema tecnológico global que afeta qualquer cidadão, independentemente de sua profissão.

As falhas e exclusões causadas pelo reconhecimento facial acontecem de forma ampla por três grandes motivos:

1. Racismo Algorítmico e Falta de Diversidade

Os algoritmos de inteligência artificial que realizam o mapeamento dos rostos costumam ser treinados com bancos de dados estrangeiros e pouco diversos. Isso faz com que os sistemas tenham taxas de erro drasticamente maiores ao tentar identificar:

Pessoas negras e indígenas.

  • Pessoas trans e não binárias.
  • Mulheres (que frequentemente enfrentam mais falhas de validação do que homens).

2. Mudanças Biológicas e Envelhecimento

A biometria facial compara a foto tirada na hora com o documento oficial cadastrado no governo (como a CNH ou o Título de Eleitor). O sistema falha frequentemente com idosos em geral (não apenas servidores) porque o envelhecimento natural da pele, linhas de expressão e pálpebras caídas alteram os pontos de leitura que o algoritmo tenta cruzar com fotos antigas.

3. Barreiras de Mercado Geral (Bancos e Serviços Private)

Qualquer pessoa que use aplicativos bancários privados (como Banco Inter, Nubank, Itaú), carteiras digitais de trânsito ou apps de entrega enfrenta o mesmo problema. Usuários relatam com frequência contas bloqueadas por "erro de leitura" devido a fatores cotidianos como:

  • Iluminação inadequada do ambiente.
  • Qualidade ruim da câmera do celular.
  • Uso de óculos, mudando o ângulo do rosto ou tremores nas mãos que borram a imagem.

Aplicativo do governo (como o Gov.br) apresentam mais dificuldade? Nesse caso, como resolver

Sim, aplicativos como o Gov.br apresentam maior dificuldade de reconhecimento facial, pois o sistema exige um nível de precisão de segurança extremamente alto para evitar fraudes de identidade. No entanto, muitas vezes o algoritmo falha por instabilidade nos servidores governamentais ou porque a foto capturada não bate milimetricamente com os bancos de dados oficiais do governo (como os dados da CNH ou do Tribunal Superior Eleitoral - TSE).

Se o sistema está travando, dando erro ou não reconhecendo o rosto, existem duas formas de resolver: fazendo ajustes técnicos na captura ou utilizando caminhos alternativos que pulam o reconhecimento facial.

Soluções Técnicas para Fazer o Aplicativo Funcionar

Se você precisa obrigatoriamente usar a câmera do Gov.br, siga estes passos para diminuir a rejeição do algoritmo:

  • Mantenha-se estático após o clique: O aplicativo faz leituras de movimentos rápidos ("pisque os olhos", "olhe para o lado"). Assim que o processo terminar, não mexa o rosto e mantenha o celular parado até que apareça a mensagem verde de "Concluído". Mudar o ângulo rápido demais antes do salvamento cancela a validação.
  • Fundo neutro e iluminação natural: Evite fundos com quadros, portas ou outras pessoas. Fique de frente para uma janela com iluminação natural direta no seu rosto, evitando sombras artificiais que o sistema confunda com linhas de expressão.
  • Limpeza e posicionamento da câmera: Limpe a lente frontal do celular com um pano macio. Segure o aparelho exatamente na altura dos olhos (em linha reta), e não de baixo para cima.
  • Remova acessórios: Retire óculos de grau, chapéus, lenços ou brincos grandes que alterem os pontos de marcação mapeados pelo sistema.
  • Limpe o cache do aplicativo: Vá nas configurações do celular, procure o aplicativo "Gov.br", clique em "Armazenamento" e selecione "Limpar Cache". Isso remove travamentos internos e bugs temporários do app.

Como Resolver Sem o Reconhecimento Facial (Caminhos Alternativos)

Caso as tentativas continuem falhando e gerando bloqueios por excesso de erros, você pode subir o nível da sua conta para Prata ou realizar serviços sem precisar validar o rosto no celular:

  1. Acesso via Internet Banking (Recomendado): Na tela de login do Gov.br, selecione a opção de entrar através do seu banco (ex: Banco do Brasil, Caixa, Itaú, Bradesco). Ao validar o acesso pelo aplicativo do seu banco (onde você já tem cadastro), o Gov.br automaticamente eleva sua conta para o Nível Prata, liberando quase todos os serviços e assinaturas eletrônicas.
  2. Uso de Computador com Webcam: Se o celular for antigo ou tiver uma câmera de baixa qualidade, tente realizar o processo pelo site oficial do Gov.br em um computador ou notebook que possua webcam integrada.
  3. Formulário de Suporte Técnico: Após sucessivos erros no aplicativo, o próprio sistema costuma exibir uma opção de envio de formulário de erro. Nele, é possível anexar uma foto segurando o documento de identidade para que um funcionário humano faça a liberação manual da conta.
  4. Agências Presenciais para o INSS: Caso o reconhecimento facial seja para a Prova de Vida do aposentado e o aplicativo falhe repetidamente, lembre-se de que a validação pode ser realizada presencialmente realizando saques na boca do caixa com biometria bancária, consultas no SUS ou votando nas eleições.

Concluindo: 40% dos 60 + dizem ter algum tipo de dificuldade em ler e escrever, seja pela falta de escolaridade básica, analfabetismo ou o analfabetismo funcional. Se na década de 70 e 80 do século passado a juventude era o foco da atenção dos governos e das políticas públicas, hoje a gente percebe que esta camada idosa é a que mais demanda por políticas públicas. Nossa população envelheceu ao longo dessas décadas e as gestões precisam pensar em como elaborar melhores políticas para atender os anseios desse público.

Uma operação que deixa, em especial o aposentado (euzinho) muito irritado é o tal reconhecimento facial. Enquanto não identificado, o sistema não te permite acessar a página para preencher questionamentos meus e/ou da instituição. “Afaste o rosto da câmera, abra os olhos, aproxime o rosto, não sorria, ...”. Já aconteceu de perder até dois dias, para ter um direito assegurado.

Fonte:

Visão geral criada por IA

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2020-08/pesquisa-mostra-exclusao-de-idosos-do-mundo-digital-e-da-escrita

Pesquisas elaboradas por: Edson Silva, 04/06/2026

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